Morreu, nesta quinta-feira, o criminoso Clark Olofsson, aos 78 anos, envolvido no assalto que deu origem à Síndrome de Estocolmo. O sueco faleceu no hospital, conforme informações da família à imprensa local. Olofsson ficou famoso quando, em 23 de agosto de 1973, um assalto a uma agência bancária do centro de Estocolmo — que durou seis dias e contou com diversos reféns — repercutiu ao redor do mundo.
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Em 1979, mesmo na prisão, Olofsson começou a estudar jornalismo na Universidade de Estocolmo. Mais tarde, estagiou no jornal Arbetaren e concluiu seus estudos em 1983. Mesmo assim, o criminoso passou grande parte da vida na prisão – condenado em diversos casos por, entre outras coisas, tentativa de homicídio, roubo, agressão e crimes relacionados a drogas. Ele foi libertado pela última vez em 2018, após cumprir pena por um crime grave relacionado a drogas na Bélgica.
Há exatos 50 anos, um famoso arrombador de cofres entrou armado em um banco de Estocolmo e gritou: “Todos no chão, a festa começa agora!”. Com uma submetralhadora na mão e sob o efeito de entorpecentes, Jan-Erik Olsson tomou os clientes como reféns e os manteve retidos por seis dias. O caso deu origem a um novo conceito: a síndrome de Estocolmo, que se popularizou ao redor do mundo, definida como a atitude favorável ou, inclusive, a atração que pessoas sequestradas podem desenvolver por seus captores.
O assalto ganhou rapidamente a atenção dos meios de comunicação: “Janne” Olsson fez quatro funcionários do banco reféns — três mulheres e um homem — e usou dois como escudos humanos, agitando a arma e ameaçando matá-los caso as suas demandas não fossem atendidas. Vários policiais foram mobilizados e franco-atiradores se posicionaram ao redor do banco.
Veja no vídeo abaixo como tudo aconteceu:
O assalto que cunhou o polêmico conceito da ‘Síndrome de Estocolmo’
Olsson fez algumas exigências: 3 milhões de coroas suecas (quase 700.000 dólares na época) e que Clark Olofsson, um dos mais famosos ladrões de banco do país, que estava preso, fosse levado à agência. Para acalmá-lo, o governo concordou com ambas.
— Quando Clark Olofsson chegou, ele assumiu o controle da situação, foi ele quem conversou com a polícia. Ele tinha muito carisma e falava bem — afirma Bertil Ericsson, de 73 anos, repórter fotográfico que trabalhou na cobertura da crise, em entrevista à AFP.
A chegada de Olofsson fez Olsson se acalmar. Por isso, a refém Kristin Enmark, que tinha 23 anos à época, rapidamente passou a ver Olofsson como um salvador, conforme conta no seu livro “I Became the Stockholm Syndrome” (Eu me tornei a Síndrome de Estocolmo).
— Não tenho nem um pouco de medo do Clark e do outro cara, eu tenho medo da polícia. Você compreende? Eu confio completamente neles — afirmou a jovem em uma conversa telefônica no segundo dia de sequestro com o então primeiro-ministro sueco, Olof Palme.
A crise terminou no sexto dia, quando a polícia invadiu a agência pelo teto e jogou gás lacrimogêneo no local. Olsson e Olofsson se renderam e os reféns recuperaram a liberdade.
A equipe de negociadores tinha um psiquiatra, Nils Bejerot, que analisava em tempo real o comportamento dos criminosos e dos reféns. Ele criou o conceito de “síndrome de Estocolmo”, refutado por muitos de seus colegas.
— Não é um diagnóstico psiquiátrico — afirma Christoffer Rahm, psiquiatra e pesquisador do ‘Karolinkska Institute’, autor de um artigo com o título: “Síndrome de Estocolmo: diagnóstico psiquiátrico ou mito urbano?”.