Quatro pinguins mortos foram encontrados na Praia da Reserva, entre a Barra da Tijuca e o Recreio, na manhã desta sexta-feira (11). Garis da Comlurb, que faziam o trabalho diário na orla, localizaram os animais por volta das 7h.
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O Projeto de Monitoramento de Praias (PMP) recolheu os corpos dos animais para analisar a causa das mortes.
— Frequentemente, esses animais chegam à costa brasileira debilitados, com baixa reserva de gordura, em estado de hipotermia e exaustão, o que pode levar à morte — explica Suellem Santiago, coordenadora da Econservation, empresa responsável pela execução do PMP.
No inverno, os pinguins-de-magalhães, espécie encontrada nesta sexta, saem de regiões da Patagônia Argentina para a orla brasileira, onde as águas são mais quentes. Alguns acabam na praia por ficarem perdidos. Para o biólogo marinho Ricardo Gomes, os animais já podem ter chegado cansados na orla carioca.
— Durante o inverno, é comum que algumas aves juvenis e até os adultos cheguem aqui no Sudeste do Brasil. Às vezes, eles vão atrás de cardumes, se perdem na rota migratória e acabam chegando aqui na costa, que tem águas mais quentes no inverno. Eles podem cometer erros de navegação também. Ficam desorientados no meio de tempestades e mar revolto, e alguns indivíduos acabam aqui, mas já chegam muito debilitadas. Essa ocorrência no litoral do Sudeste não é algo tão natural. Pode ser um sinal de desequilíbrio ambiental, de mudanças climáticas, afetando a vida dessas aves — explica Gomes.
O biólogo destaca ainda que a orientação para quem vir os pinguins na praia é chamar o PMP.
— Quando alguém vê um pinguim na praia, a primeira coisa que quer fazer é colocá-lo em um balde com gelo, porque associa o animal a isso. Mas ele morre na hora; já veio saindo do inverno da região dele atrás de alimentação aqui. Se vir um pinguim, acione o PMP, que faz o resgate da fauna marinha e funciona muito bem — completa.
Nesta mesma manhã, um pinguim também foi encontrado na Praia do Arpoador. Este estava vivo e foi avistado por um banhista, que acionou a mesma equipe do PMP. Ele estava hipotérmico e bastante debilitado, tendo sido diretamente encaminhado para reabilitação na Unidade de Estabilização do PMP, em Botafogo.
Tartarugas mortas em Niterói
No fim de semana passado, tartarugas-verdes foram encontradas mortas na Praia de Camboinhas, em Niterói. Eram 16 animais, mundo que impressionou especialistas, que também foram recolhidos pelo Projeto de Monitoramento de Praias (PMP). A principal suspeita é que tenha havido interação com redes de pesca.
—A interação com a pesca irregular é o que mais interfere na vida marinha. Não me lembro de registros como esse antes na região. O que chamou a nossa atenção foi a quantidade, porque é comum aparecer uma ou outra tartaruga morta — explicou Suellem Santiago, coordenadora do PMP, na ocasião.