Enquanto nomes como Elon Musk, Scarlett Johansson, Billie Eilish, Justine Bateman e até Anitta já se manifestaram publicamente sobre os efeitos — positivos e controversos — da inteligência artificial, especialistas vêm chamando atenção para os desafios que acompanham a popularização dessa tecnologia.
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Para o engenheiro químico Wilson Saliba, consultor do grupo TEMON e referência em riscos operacionais, o avanço dos algoritmos na rotina empresarial vem redesenhando processos, mas também ampliando vulnerabilidades. “Hoje, o desafio não está apenas em lidar com falhas humanas, mas em entender decisões automatizadas que muitas vezes são invisíveis e difíceis de auditar”, afirma o profissional.
A digitalização trouxe ganhos relevantes para vários setores, mas, segundo Saliba, também abriu espaço para falhas silenciosas. “Algoritmos enviesados, dados incompletos ou interações mal planejadas entre sistemas e pessoas podem gerar impactos operacionais sérios, muitas vezes sem qualquer alerta prévio”, destaca o especialista.
Essa discussão não está restrita ao mundo corporativo. A atriz Justine Bateman, por exemplo, alertou sobre o risco de a IA comprometer a originalidade e os empregos criativos durante a greve em Hollywood. Já Elon Musk é conhecido por suas declarações incisivas e chegou a comparar a inteligência artificial desregulada a “invocar o demônio”.
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Para além das falhas técnicas, especialistas vêm destacando os impactos emocionais associados à automação. Ambientes altamente tecnológicos podem intensificar a vigilância, gerar insegurança funcional e provocar sobrecarga psicológica. Em 2024, o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social, um aumento significativo em relação ao ano anterior.
Celebridades também têm expressado preocupação com essa nova realidade. A cantora Billie Eilish classificou como “assustador” o uso não autorizado de vozes e imagens geradas por IA. Situação semelhante foi vivida por Scarlett Johansson, que reagiu após ter sua voz simulada por uma empresa de tecnologia sem seu consentimento. Já Anitta, embora entusiasta da inovação, alertou para o uso consciente da IA e afirmou que “não quer ser substituída por um robô”.
Enquanto a União Europeia já apresenta propostas mais avançadas de regulamentação para a inteligência artificial, o Brasil ainda enfrenta desafios na construção de diretrizes técnicas e legais mais estruturadas. Na avaliação de Saliba, a falta de normativas claras pode representar riscos para determinadas operações. Ele sugere que práticas consolidadas em setores regulados, como o químico, possam servir de base para orientar áreas em que a IA evolui com rapidez.
A sugestão inclui a criação de comitês internos de supervisão, revisão contínua de processos e treinamentos multidisciplinares voltados à prevenção de riscos.
Assim como a curadoria é essencial no mundo do entretenimento, a inteligência artificial também exige supervisão criteriosa. Saliba reforça que a tecnologia pode ser uma aliada poderosa, desde que inserida em uma estrutura sólida de governança.
Entre as práticas recomendadas estão:
- Estabelecimento de parâmetros claros para o funcionamento dos algoritmos
- Testes contínuos de viés e validação técnica
- Rastreabilidade de decisões automatizadas
- Auditorias frequentes por equipes multidisciplinares
- Capacitação constante dos profissionais envolvidos
- O futuro automatizado exige mais que tecnologia
Segundo Saliba, a gestão de riscos precisa deixar de ser apenas uma ação reativa para ocupar lugar estratégico nas empresas. Em um cenário onde decisões automatizadas podem afetar pessoas, reputações e operações, o planejamento preventivo se torna essencial.
“A tecnologia por si só não representa um risco. O problema surge quando não há estrutura, método ou supervisão adequados. Empresas que adotam soluções baseadas em IA sem esse cuidado podem comprometer sua própria sustentabilidade”, finaliza.