O caso de dois policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, flagrados por câmeras corporais atirando em um homem desarmado, na favela de Paraisópolis, em São Paulo, na última quinta-feira (10), joga luz em uma das marcas da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de seu secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP): o aumento da letalidade policial.
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Embora tenha reduzido no primeiro trimestre de 2025 (foram 158 mortes entre janeiro e março, ante 210 no mesmo período do ano passado), o número de ações policiais que resultaram em óbitos de civis cresceram 65% em 2024, com 760 pessoas mortas por PMs, na comparação com 2023.
Confira abaixo outros casos de ações policiais violentas ocorridas nos últimos anos em São Paulo:
O cabo Fabio Anderson Pereira de Almeida foi o autor da morte do marceneiro Guilherme Dias Ferreira, no dia 4 de julho, em Parelheiros. A vítima, que voltava do trabalho e era inocente, teria sido confundida com um assaltante e foi atingida na cabeça por um tiro.
O policial foi preso em flagrante, mas acabou solto no dia seguinte. Ele segue afastado do trabalho das ruas. Seu advogado não foi localizado para comentar o caso.
“Os fatos ocorridos em Parelheiros no começo deste mês são investigados pelo DHPP, que aguarda a emissão dos laudos periciais para concluir e relatar o inquérito policial ao Poder Judiciário. O policial militar envolvido na ocorrência segue afastado das atividades operacionais”, disse a SSP-SP por meio de nota.
O soldado Vinicius de Lima Britto matou a tiros Gabriel Renan da Silva Soares, em 3 de novembro de 2024, no estacionamento de um mercado Oxxo, na Avenida Cupecê, Zona Sul de São Paulo. Preso em flagrante, ele irá a júri popular sob a acusação de homicídio triplamente qualificado.
Sem receber salários desde o dia 6 de dezembro, por determinação da Secretaria de Segurança Pública, o soldado teve, no mês passado, decisão liminar favorável da Justiça para que possa reaver os vencimentos descontados.
O advogado Alexandre Guerreiro afirma, em nota, que “Vinicius é inocente, agiu em legítima defesa e vai ser provado no julgamento”
“O DHPP também investiga o caso da Avenida Cupecê, ocorrido no ano passado. O policial envolvido teve sua prisão decretada e permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes (PMRG). O Inquérito Policial Militar (IPM) foi concluído e enviado ao Tribunal de Justiça Militar”, disse a SSP-SP em nota.
Já o soldado Luan Felipe Alves Pereira, foi filmado arremessando um homem de uma ponte na Rua Padre Antônio Gouveia, em Cidade Ademar, na Zona Sul, em 2 de dezembro de 2024. Preso preventivamente na ocasião do crime, ele foi indiciado pela Polícia Civil por tentativa de homicídio e acabou solto quatro meses depois.
Enquanto aguarda os desdobramentos do inquérito policial, Luan obteve, na semana passada, decisão favorável para reaver o salário descontado durante o período no cárcere. Ele já foi solto por Habeas Corpus e está afastado da PM.
“A defesa continuará a defendê-lo com afinco, e, em caso de condenação, que seja na justa medida. Abandonado pelo Estado ele já foi”, afirmam os advogados Raul Marcolino e Wanderley Alves.
“A terceira ocorrência mencionada também teve o IPM concluído e encaminhado à Justiça Militar, enquanto um procedimento disciplinar permanece em tramitação. Por parte da Polícia Civil, o inquérito instaurado pela 2ª Cerco foi concluído com o indiciamento do policial militar”, disse a SSP-SP.
Morte de estudante de medicina
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Os soldados Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, são acusados de envolvimento na morte do estudante de medicina Marco Aurelio Cardenas Acosta, em 20 de novembro de 2024, na Vila Mariana. Denunciados por homicídio duplamente qualificado, os dois policiais não foram presos e voltaram ao trabalho operacional. Uma audiência para ouvir a dupla foi marcada para o dia 9 de outubro.
– Estão na fase de oitivas de testemunhas, a defesa trabalha para demonstrar a legalidade da ação policial – afirma o advogado João Carlos Campanini.
Em abril, a Corregedoria da Polícia Civil abriu uma sindicância para apurar a atuação da delegada Aline Martins Gonçalves na confecção do boletim de ocorrência do caso, tanto por não decretar a prisão dos policiais envolvidos, quanto pelo fato de colocar os dois como “vítimas”.
Procurada, a Secretaria da Segurança disse que “as forças de segurança ressaltam que não compactuam com condutas incompatíveis com a função policial e todos os desvios são punidos com o rigor da lei”.
“Sobre o estudante, o inquérito policial instaurado pelo DHPP foi relatado à Justiça com o pedido de prisão preventiva do autor por homicídio doloso eventual. O policial já havia sido indiciado no IPM por homicídio doloso e permanece afastado das atividades”, continua a nota.
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O cabo Clóvis Damasceno de Carvalho Junior, é apontado como autor do disparo que matou Ryan Santos, de 4 anos, em 5 de novembro de 2024 no Morro do São Bento, em Santos. Ele não foi preso em flagrante e retornou ao trabalho operacional. Como envolvem um menor de idade, as investigações criminais estão em segredo de Justiça.
Segundo a SSP-SP, “o caso de Santos é investigado pela Deic de local, sob sigilo determinado pela Justiça, enquanto o IPM já foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário”.