A tendência de recuperação na popularidade do governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva, apontada pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (16), reverbera principalmente em setores de classe média que poderiam ser prejudicados pelo “tarifaço” do presidente americano, Donald Trump, e se mostram sensíveis à proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Em termos gerais, a aprovação subiu de 40% para 43%, enquanto a desaprovação recuou de 57% para 53% em comparação com o levantamento anterior, de 4 de junho. As variações ficam dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos em cada pesquisa, mas a distância entre os dois valores reduziu de 17 para 10 pontos, o que aumenta a probabilidade estatística de que o governo realmente conseguiu inverter a curva.
Um dado que indica a repercussão das pautas na classe média é o recorte por renda. A desaprovação variou de 51% para 49% entre os mais pobres, que ganham até dois salários mínimos, e a taxa de aprovação se manteve em 46%. Na amostra de dois a cinco salários, contudo, a percepção negativa recuou de 58% para 52%, e a positiva cresceu numericamente de 39% para 43%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para o primeiro grupo e de três pontos para o segundo.
A percepção de melhora também é mais acentuada entre os entrevistados com ensino superior completo do que na amostra de escolaridade mais baixa, assim como entre não beneficiários do Bolsa Família, programa de transferência de renda que se tornou marca registrada de Lula e do PT. Chama a atenção ainda a maior sensibilidade na faixa etária intermediária (35 a 59 anos) do que entre os mais jovens (16 a 34 anos), grupo em que a avaliação ficou praticamente inalterada entre as duas pesquisas da Genial/Quaest.
A avaliação de governo também apresentou tendência positiva entre mulheres: 49% desaprovam o terceiro mandato de Lula agora, contra 54% na pesquisa de junho, enquanto o percentual de entrevistadas que o aprovam passou de 42% para 46%. No caso dos homens, houve estabilidade, com os mesmos 39% aprovando o governo e a desaprovação variando apenas um ponto para baixo, para os atuais 58% de insatisfeitos. A margem de erro desse recorte é de três pontos percentuais.
Entre regiões, o governo Lula continua diante do desafio de recuperar a vantagem que detinha há um ano no Nordeste, pouco afetada entre os levantamentos. O petista ganhou terreno principalmente no Sudeste, que representa a maior fatia do eleitorado do país. Ainda assim, encara desvantagem na região, com 40% de aprovação e 56% de desaprovação na pesquisa mais recente.
Além disso, apesar do empenho de ministros e da primeira-dama, Janja da Silva, não houve constatação de reação entre os evangélicos. Pelo contrário, a desaprovação variou três pontos para cima no espaço de um mês, atingindo 69%. Entre católicos, o governo Lula voltou a ter vantagem na medição, com a aprovação variando seis pontos para cima (51%), e a desaprovação, oito para baixo (45%).