Uma cidade histórica no Norte de Portugal, cortada por um rio importante e cercada por ótimas vinícolas. Não estamos falando de Porto, mas de Amarante, a cerca de apenas 40 minutos de distância da maior cidade da região. Não bastassem a bela arquitetura, as praias fluviais às margens do Rio Tâmega, os doces conventuais e o vinho verde dos arredores, o lugar respira arte, tanto que, desde 2017, é reconhecido como uma Cidade Criativa da Música pela Unesco.
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O caráter artístico se confirma nesta sexta-feira, sábado e domingo, com a realização de mais uma edição internacional do Mimo, festival musical e cultural que nasceu no Brasil há 21 anos, e que chega pela sexta vez a Amarante. Neste fim de semana, diversos pontos da cidade receberão apresentações de artistas de diversos países, mas com destaques a lusófonos dos dois lados do Atlântico, como os brasileiros Carlos Malta e Casuarina e a portuguesa Ana Moura.
Ao GLOBO, a curadora do festival, Lu Araújo, deu algumas dicas do que fazer, comer e conhecer na cidade.
Para Lu, a visita à cidade deve começar por seu centro histórico, que “é encantador, com ares medievais e uma imponência singular”, em suas palavras:
— Vale a pena passear pelo largo, admirar a arquitetura e desfrutar da paisagem onde o patrimônio histórico se funde com a natureza.
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O povoado começou a ganhar importância a partir dos anos 1200, com a chegada do sacerdote dominicano Gonçalo de Amarante, que se tornaria um dos santos católicos mais populares de Portugal. Foi ele que teria mandado construir a primeira ponte de pedra sobre o Tâmega. A atual Ponte de São Gonçalo, de 1790, substituiu a original, destruída por uma cheia, em 1763.
A imagem do padroeiro é destaque da igreja de São Gonçalo, uma imponente combinação de influências renascentistas, maneiristas, barrocas e do século XIX. Nela funciona o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, dedicado a pintores modernistas portugueses, em especial ao que empresta seu nome, um dos filhos mais importantes de Amarante.
— Vale conhecer também o Solar dos Magalhães, edifício histórico parcialmente destruído durante as Invasões Francesas, que foi transformado na atual Casa das Artes de Amarante, projeto assinado por Álvaro Siza Vieira, um dos maiores nomes da arquitetura portuguesa contemporânea — completa.
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Importante afluente do Rio Douro, o Tâmega “é lindo e divide o protagonismo com monumentos históricos porque corta a cidade”, nas palavras de Lu:
—Eu indico um passeio pela Ecopista do Tâmega, construída aproveitando o canal da antiga linha ferroviária, e que permite caminhar e pedalar à beira do rio. O percurso mais conhecido é o do Trilho das Azenhas, de 7km, ao longo da margem direita.
A pista, que ganhou destaque no Prêmio Europeu de Vias Verdes, em 2021, leva a uma das atividades mais interessantes da cidade:
— As Azenhas de Amarante também são conhecidas por sua bela praia fluvial, que oferece um refúgio tranquilo para descanso, contato com a natureza ou a prática de esportes náuticos.
Ela indica também o Parque Ribeirinho, um dos palcos do Mimo, e o Parque Florestal de Amarante como opções para passeios ao ar livre:
— O Parque Florestal tem uma área de cerca de cinco hectares, com flores e pássaros. Fica no coração da cidade, em comunhão com o Tâmega. É ótimo para passeios em família, com lugar para crianças brincarem e os pais relaxarem, admirando a vista ou até lendo um bom livro.
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Amarante está no coração da Região dos Vinhos Verdes, conhecida pelos vinhedos espalhados por belas colinas.
— É uma região perfeita para quem aprecia sabores genuínos e experiências enogastronômicas fora do circuito comum. Aqui, cada garrafa conta uma história e vale a descoberta — ressalta Lu.
Para ela, as confeitarias são paradas certeiras durante a visita à cidade. Doces conventuais (aqueles típicos, com ingredientes como ovos, amêndoas e açúcar) como lérias, brisas do Tâmega, foguetes, bolos de São Gonçalo e papos de anjo são ótimas pedidas.
— Entre as casas de que mais gosto está a Confeitaria Lailai, que faz parte do patrimônio dos doces conventuais de Amarante — conta.
E, se o assunto é gastronomia, Lu Araújo recomenda uma série de restaurantes locais, como o Zé da Calçada (“pratos de bacalhau maravilhosos”), a Taberna do Coelho (“serve um inesquecível Cabrito à Miquinhas, verdadeiro clássico da cozinha amarantina”) e o sofisticado Largo do Paço (“ experiência gastronômica imersiva”).
Há também descobertas recentes, como o Pena Cozinha-Rural-História, restaurante contemporâneo instalado numa quinta que pertenceu à família de Amadeo de Souza-Cardoso, e comandado por seu sobrinho bisneto, o chef Miguel Cardoso.
— Preserva o legado artístico de Amadeo através de uma experiência gastronômica e vínica profunda e sensorial. É um lugar onde se come com emoção e com história — destaca.