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os desafios do Brasil como ‘celeiro do mundo’

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julho 24, 2025
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Tecnologia implementou sensores com chips para coletar informações e dar autonomia a equipamentos. Drones controlam a irrigação e defensivos — Foto: Divulgação 20-12-2017

Um time de 28,6 milhões de trabalhadores produziu o equivalente a R$ 2,72 trilhões nas lavouras do país em 2024. Foram quase 300 milhões de toneladas de grãos, 599 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e 41,5 milhões de toneladas de café. O agronegócio brasileiro respondeu por quase 25 centavos de cada real que circulou na economia do país no ano passado. Na pecuária, foram produzidas mais 32,4 milhões de toneladas de carne bovina, suína e de frango. Apesar da sequência de safras recordes, da melhoria genética de plantas e de uma população mundial que aumenta seu consumo com melhores condições de renda, o país ainda enfrenta desafios para destravar um potencial ainda maior de produção e manter o título de “celeiro do mundo”.

Segundo analistas, os produtos do agro brasileiro abastecem diariamente um bilhão de pessoas. Para o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV, o futuro do mundo depende da produção do Brasil:

— Segurança alimentar é a única condição para estabilidade política das nações — resume. — Segundo a OCDE, o Brasil precisa aumentar sua produtividade em 40% para garantir a segurança alimentar mundial.

Os especialistas destacam que o principal problema é o desmatamento ilegal, que traz prejuízos à imagem do país no exterior e à própria produção local, uma vez que a Amazônia é o principal regulador das chuvas e do clima propício ao agronegócio.

— Se temos chuva regular e bem distribuída ao longo dos ciclos de até três colheitas, algo único no mundo, é pela vegetação nativa — aponta o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães. — É necessário achar um modo inteligente de compatibilidade para que uma proteja a outra, tendo simbiose, e não competição por espaço. A vacina para proteger os impactos ambientais é a floresta. Sem a Amazônia, não há irrigação e não tem comida para um bilhão de pessoas.

Para o ex-presidente da Embrapa Celso Moretti, a ampliação da fronteira agrícola já não é necessária.

— O Brasil não precisa mais desmatar. É só incorporar o que já está degradado à matriz produtiva — recomenda, afirmando que há cerca de 40 milhões de hectares em condições recuperáveis no país. — Precisamos seguir o caminho mais verde de sustentabilidade, senão perderemos mercado. Oriente Médio, Europa e Sudeste Asiático não aceitam mais comprar produtos de áreas desmatadas.

O melhor aproveitamento do solo já começa a estar presente, segundo Marcello Brito, diretor do braço agroambiental da Fundação Dom Cabral:

— Domesticamos terras que não serviam para produção agrícola. E agora começamos a transição da nova ciência e tecnologia para a agricultura regenerativa.

A transição energética também traz ao país a possibilidade de continuar na dianteira global do agronegócio. A produção de etanol de milho e de biodiesel e a crescente demanda pelo combustível sustentável de aviação (SAF), que por aqui pode ser produzido com o óleo de carnaúba e canola, vão renovar a atenção do mundo sobre o Brasil, agora como fornecedor para a aviação e navegação, relevantes nas emissões de gases do efeito estufa, mas essenciais ao comércio global, afirma Moretti:

— O mundo tropical nos copia, e temos a capacidade de liderar a produção agropecuária de forma sustentável.

Um trunfo que auxiliará o futuro da agropecuária é o uso cada vez mais intensivo da tecnologia. O avanço da inteligência artificial e da internet no campo, o uso cada vez mais cotidiano de drones e a adaptação genética de plantas são ferramentas que podem contribuir para aumentar a produtividade, reforçando o país na liderança no mercado global de agropecuária.

— Das seis milhões de propriedades rurais no país, apenas 30% estão conectadas à internet. Com a conexão, é possível utilizar sensores de previsão do tempo mais afiados, drones autônomos para irrigação e aplicação de defensivos, internet das coisas (IoT) para autonomia de aparelhos. E, com a IA, você consegue identificar o início de infestações de pragas e ervas daninhas. Ela permite melhorar a performance de leitura de dados e melhoramento genético, monitorar o uso da terra e ajuda no controle de pragas, leitura de risco climático. É uma avenida enorme pela frente — pontua Moretti.

Tecnologia implementou sensores com chips para coletar informações e dar autonomia a equipamentos. Drones controlam a irrigação e defensivos — Foto: Divulgação 20-12-2017

A edição genômica é outra ferramenta que promete revolucionar. Com o uso de uma “tesoura” biotecnológica, será possível acordar ou silenciar genes que têm papel importante em cada planta, aposta o ex-presidente da Embrapa, lembrando que já há canas no mercado com maior teor de açúcar justamente para produzir mais etanol sem necessidade de usar mais bagaço.

— A ciência genômica poderá também ser uma carta na manga diante das mudanças climáticas — diz Moretti.

Mas, para que isso ocorra, é necessário instrução da mão de obra. Segundo Brito, que já presidiu a Associação Brasileira do Agronegócio (ABA) a precariedade no ensino técnico voltado para o setor cria uma falha de aproveitamento de capital humano gigantesca no campo, um ponto que merece atenção.

— As grandes empresas relatam extrema dificuldade para conseguir mão de obra qualificada. Há um contingente disponibilizado, mas o processo educacional é horrível e falho. É necessário um pacto pela educação técnica — ele destaca, acrescentando que os pequenos e médios produtores possuem um maior gasto relativo para preparar a força de trabalho.

Outro gargalo, diz Moretti, é a dependência externa de fertilizantes. A guerra na Ucrânia e o recente conflito entre Israel e Irã elevaram o preço dos insumos.

— Cerca de 85% dos nutrientes dependem de importação. Quando estourou a guerra da Ucrânia, todos disseram “o Brasil vai ficar sem adubo!”. Essa previsão não se confirmou, conseguimos superar esse gargalo e esquecemos a pauta. É um erro estratégico — diz o ex-presidente da Embrapa.

Brito, da Dom Cabral, aponta problemas de infraestrutura como mais um fator a impedir que o país aproveite todo o seu potencial para aumentar a produtividade. Ele comenta que, nos últimos 20 anos, a cada período de safra há necessidade de um plano emergencial de logística. As estradas não dão vazão, nem os portos, e não se investe em ferrovias. A malha ferroviária está menor do que em 1950, e não se utiliza o potencial de hidrovias e cabotagem.

— O Brasil é um país que quer crescer, mas não quer as tarefas que os outros países cumpriram. Não há como transportar por disco voador — afirma.

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