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Por que informar é urgente para salvar o planeta?

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julho 24, 2025
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Onda de calor na Europa: rua em Berlim registrou 38°C em julho — Foto: Odd Andersen/AFP

Em 9 de junho de 1992, o GLOBO relatava como ONGs internacionais estavam monitorando as negociações da Rio-92. A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento foi um divisor de águas para a diplomacia ambiental, oficializando o conceito de desenvolvimento sustentável. O texto do GLOBO contava como os ativistas eram pejorativamente chamados pelos representantes governamentais: “eco-chatos, fiscais da natureza ou eco-patrulheiros”.

A Rio-92 inaugurou o regime multilateral para enfrentar o aquecimento global, criando a Conferência das Partes (COP), que este ano será realizada no Brasil. O contexto geopolítico mundial é desfavorável a avanços na redução da emissão de gases do efeito estufa — pessimismo potencializado pelo desprezo do presidente americano Donald Trump aos alertas da ciência. Mesmo assim, a diferença entre a histórica conferência do Rio e a que será realizada em Belém é gigante. Hoje está cientificamente provado que os ambientalistas, criticados por sua suposta “chatice”, estavam certos. O planeta está mais quente e os efeitos dessa mudança não são uma ameaça futura. Eles estão diante de nós.

Quando este artigo estava sendo escrito, ondas de calor varriam a Europa, antes do auge do verão. “É como trabalhar dentro de um vulcão”, descreveu ao jornal The Guardian o chef de um restaurante na Sicília, onde o deserto avança.

O ano passado, que viu o Rio Grande do Sul inundado, foi o mais quente da História, e 2025 começou com a Califórnia queimando. Neste mês de julho o Texas está submerso. A ciência é clara: temperaturas recordes, chuvas intensas, secas e incêndios florestais cada vez mais frequentes não são tragédias pontuais, e sim uma consequência do aquecimento. A crise climática se impõe como a maior encruzilhada coletiva do século, representando também um desafio para o jornalismo.

O papel dos jornalistas é fundamental para informar, contextualizar e mobilizar a sociedade, facilitando o entendimento de uma realidade complexa que ameaça a Humanidade. “A imprensa molda não apenas o que as pessoas sabem, mas também como se sentem e, indiretamente, como agem em relação às mudanças climáticas”, define o Instituto Reuters para Estudo do Jornalismo.

A preparação para a COP 30 — no coração da Amazônia — oferece uma oportunidade para refletir sobre as transformações na cobertura de questões ambientais ao longo dos anos.

Trata-se de uma especialização relativamente nova se comparada a outros campos. Pesquisadores sustentam que o interesse do público pelo tema começou a crescer nos anos 1960. Um livro em particular é apontado como um impulsionador dessa atenção. Lançado em 1962, “Primavera silenciosa”, da bióloga americana Rachel Carson, relatou a contaminação da biosfera por DDT, um pesticida sintético amplamente usado para matar insetos. A denúncia ajudou a moldar a consciência ecológica dos americanos, questionando a ideia do progresso a qualquer custo e da primazia do homem sobre a natureza.

Em 1969, o New York Times contratou seu primeiro “correspondente ambiental”. As primeiras editorias especializadas surgiram também nessa época.

Onda de calor na Europa: rua em Berlim registrou 38°C em julho — Foto: Odd Andersen/AFP

Nas duas décadas seguintes, uma série de desastres pautou os debates sobre o desrespeito à natureza e à vida, como o vazamento de gases tóxicos de uma fábrica de pesticidas da Union Carbide, em Bopal, o acidente nuclear de Chernobyl, e o derramamento de óleo do petroleiro Exxon Valdez, no Alasca. Em 1988, a revista Time, em vez de nomear a personalidade do ano, escolheu a Terra como “o planeta do ano” numa tentativa de chamar a atenção para o crescimento das emissões de CO2 na atmosfera — pauta central dos nossos tempos. Os jornais britânicos também tiveram que buscar mais profundidade na discussão sobre os danos causados pela queima de combustíveis fósseis, pressionados pelo fortalecimento do movimento ecológico.

No Brasil, essa cobertura nasceu atrelada ao jornalismo científico. A especialização na área de ciência foi a porta de entrada para vários jornalistas que hoje reportam a emergência climática.

A Rio-92 foi um marco, exigindo maior especialização para traduzir a linguagem técnica dos estudos climáticos e impulsionando a criação de editorias específicas. Isso também mudou. O reconhecimento da urgência do tema, com suas intrincadas dimensões científicas, econômicas, sociais e políticas, é um processo lento, mas já não cabe a visão de que defender o uso racional dos recursos naturais é assunto de nicho, sem impacto no cotidiano das pessoas. A crise climática e suas consequentes catástrofes exigem uma abordagem abrangente, que atravessa questões como desigualdades estruturais, extrativismo predatório e ausência de políticas públicas.

A batalha contra o tempo se acirrou. Para complicar ainda mais essa equação comunicacional, se de um lado as redes sociais ajudam a ampliar o debate sobre os riscos e soluções ambientais, por outro alimentam a desinformação. A ciência está entre os principais alvos da falta de compromisso com os fatos regida por algoritmos. Mas aí não é só uma onda que desafia o jornalismo socioambiental, e sim a democracia.

Claudia Sarmento é jornalista e pesquisadora, com pós-doutorado em andamento sobre jornalismo ambiental pelo King’s College London em parceria com a PUC-Rio, e foi editora de Mundo e correspondente do GLOBO

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