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a história por trás da escolha do nome O GLOBO em 1925

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julho 24, 2025
in News
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Primeira página do GLOBO, em 1925 — Foto: Acervo Roberto Marinho

Homem de imprensa, Irineu Marinho já era conhecido na cidade quando decidiu montar um novo jornal. Em março de 1925, perdera o controle sobre A Noite, vespertino que fundara em 1911. Já havia sido repórter, redator e secretário de redação. Tinha 49 anos, a saúde abalada e a estima dos companheiros de jornal — 33 deles o acompanhariam na nova empreitada.

A implantação do novo vespertino era para ontem. E, de fato, durou quatro meses. O registro contábil, no primeiro livro-caixa, inicia em 25 de abril, com a compra de um automóvel, sem capota, “para serviço do jornal”, e documenta todas as ações pensadas por Irineu para divulgar aquele momento histórico.

A montagem da primeira redação, bem como da rotativa, arrendada por três anos, só ficariam prontas no final de junho, a um mês do lançamento. Em 28 de maio, Irineu iniciou uma inovadora campanha de divulgação. Começou pela imprensa, anunciando em dez dos cerca de 20 diários em circulação no Rio. Tivera a boa ideia de convidar os próprios leitores a escolherem o nome do seu jornal.

O concurso valia um mês grátis do novo vespertino. O resultado saiu quatro dias depois: dos 309 nomes sugeridos em mais de 26 mil votos, Correio da Noite era o preferido, com 3.382. O título, porém, já havia sido registrado por terceiros, e a vitória coube então ao segundo colocado, com 3.081 votos.

Com seu nome escolhido pelos cariocas, O GLOBO reforçou a campanha de lançamento e anunciou também no cinema e no rádio — então uma novidade. Em parceria com a Rádio Clube e a Rádio Sociedade, que transmitiam boletins diários sobre os preparativos do novo jornal, patrocinou também um concerto de música brasileira. E o livro-caixa registra um pagamento pelo serviço de “propaganda [no] circo”.

Primeira página do GLOBO, em 1925 — Foto: Acervo Roberto Marinho

A música era fundamental na divulgação. Grande incentivador da cultura, Irineu encomendou uma canção inédita para o lançamento. E, em 10 de julho, pagou pela impressão da partitura, gravação e instrumentação do foxtrote “O GLOBO”, com arranjos “para banda, jazz-band e orchestra”.

Como apresentar a nova composição em grande estilo? O jornal encomendou um carro alegórico ao artesão Francisco Fonseca, fornecedor de ranchos carnavalescos como A Flor do Andaraí — mais tarde, Unidos da Tijuca. E contratou uma banda de música, com pagamento dos clarins feito à parte, para desfilar com o carro do GLOBO pelas ruas do Centro do Rio. O sucesso da ação promocional do foxtrote, e a distribuição grátis da sua partitura, levou à encomenda, no dia 17, de mais 10 mil exemplares da peça.

Antes do primeiro número, O GLOBO produziu e distribuiu, também gratuitamente, as primeiras publicações com o seu cabeçalho: dois informativos avulsos. O de 14 de julho, além de notícias sobre a preparação do jornal, dava destaque ao assunto daquela terça-feira, o embate nas Laranjeiras entre duas potências do futebol: o Fluminense, então tricampeão carioca, perdera para o Paulistano, do craque Friedenreich, por 1 a 0 — gol de Araken. Atento ao crescimento do esporte no país, o jornal investiu em espaços publicitários no antigo campo do Flamengo, na Rua Paysandu, e do América.

Um novo boletim saiu no sábado, 25 de julho, informando sobre o batismo das oficinas do jornal realizado naquela manhã. Para destacar a agilidade do vespertino, incluía notícias internacionais fornecidas mais cedo pela agência UPI.

A camaradagem entre a equipe de Irineu Marinho está guardada em um registro especial da época: um guardanapo, do lote “para reclame” encomendado em 22 de julho, no qual foram colhidas as assinaturas dos pioneiros. Datado no dia 28, véspera de lançamento do GLOBO, tem impresso um de seus primeiros slogans: “Grande jornal da noite”.

Anúncio do concurso para escolha do nome; guardanapo assinado pela equipe inaugural, ao lado em almoço com Irineu — Foto: O GLOBO
Anúncio do concurso para escolha do nome; guardanapo assinado pela equipe inaugural, ao lado em almoço com Irineu — Foto: O GLOBO

No dia 29, a edição de estreia trazia a notícia de um “pequeno serviço prestado ao público”: um buraco gigantesco que causava acidentes foi tapado provisoriamente pelo jornal, evidenciando o cuidado com a cidade e seus cidadãos que marca toda a história do GLOBO.

Rodrigo Linhares é consultor do Acervo Roberto Marinho

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