Quarenta e três anos depois de colocar 20 mil alunos de 472 colégios em quadra pela primeira vez, o Intercolegial voltou a reunir a energia dos jovens em sua 43ª edição, que traz um olhar ainda mais atento à inclusão. Idealizado entre 1981 e 1982, no rastro do sucesso do Campeonato de Vôlei de Rua (promovido pelo GLOBO, assim como o próprio Intercolegial), o evento surgiu para impulsionar os recém-criados Jornais de Bairro e fomentar o esporte estudantil.
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A primeira edição começou a ser disputada em agosto de 1983. Os jogos da estreia do Intercolegial do Rio começaram em 22 de setembro daquele ano e reuniram diversas modalidades, como futebol de salão, basquete, handebol, vôlei, natação e atletismo. Atletas e equipes foram distribuídos em dez chaves, representando as dez áreas de circulação dos Jornais de Bairro.
Desde então, os jogos tornaram-se um sucesso, não só por sua longevidade, mas também pelos resultados obtidos: em 43 anos de existência, o Intercolegial entregou ao esporte nacional talentos que se tornaram medalhistas olímpicos, como as campeãs de vôlei Virna e Sandra Pires, os nadadores Luiz Lima e Kaio Márcio, a nadadora Patrícia Amorim, o mesa-tenista Hugo Calderano, a lutadora olímpica de wrestling Giullia Penalber e a velocista Rosângela Santos, entre muitos outros.
Este sempre foi um dos propósitos do Intercolegial: contribuir “para a revelação de novos talentos no esporte”, como informava O GLOBO na página 22 de sua edição de sábado, 16 de julho de 1983. Desde então, mais de 220 mil alunos/atletas disputaram as diversas modalidades.
— O Intercolegial é muito mais do que uma competição entre escolas. Ao longo dos anos, tornou-se um verdadeiro movimento de formação e integração da juventude, promovendo valores como respeito, disciplina, inclusão e espírito de equipe. É emocionante ver ex-atletas incentivando filhos e netos a participarem, mostrando como esse legado atravessa gerações — destaca Diego Souza, coordenador de Projetos Especiais da Editora Globo.
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Ao longo das décadas, o torneio sobreviveu a crises econômicas, mudanças curriculares e avanços tecnológicos. Ganhou versões digitais, ampliou a oferta de modalidades e se firmou como vitrine para talentos e políticas de inclusão.
Roberto Garofalo, diretor-geral da Abadai, produtora que realiza o evento para O GLOBO, esteve envolvido na criação da semente da competição, em 1981, a pedido do fundador do jornal, Roberto Marinho. Para ele, o Intercolegial vai além da competição esportiva e tem uma função social fundamental.
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— Para mim é uma emoção a cada ano. É sempre como se fosse o primeiro Intercolegial. Por causa da competição, os alunos que se destacam recebem bolsas de estudo em boas escolas. Esse movimento social de bolsas de estudos que envolve o Intercolegial foi nossa grande conquista em todos esses anos — ressalta Garofalo.
O Intercolegial reúne histórias de sucesso e de superação. No primeiro caso, por exemplo, figura o Colégio Santa Mônica, recordista com dez títulos nas quatro décadas dos jogos. No segundo, escolas das redes públicas, que, mesmo não contando com a infraestrutura dos colégios particulares, baseiam sua participação no esforço de professores, nos frutos de projetos sociais bem-sucedidos e no empenho dos estudantes.
Caso, entre outros, do Colégio Estadual Edmundo Peralta, de Paty do Alferes, tetracampeão de basquete masculino, de 2008 a 2011. E também do Colégio Estadual Dom Pedro I, de Mesquita, grande colecionador de medalhas na natação.