Ao longo de 100 anos, a inovação esteve sempre presente nas páginas impressas e nos conteúdos digitais do GLOBO, com o objetivo de melhor entregar notícias aos leitores. Mas o jornal não foi moderno apenas ao lidar com informação: ao longo de um século, ele antecipou tendências e foi muito além do papel tradicional de um veículo de comunicação, aliando o ineditismo, o diálogo com a sociedade e o compromisso de levar um conteúdo apurado aos leitores. E fez isso das mais variadas formas.
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As inovações editoriais estão no DNA do GLOBO desde seu batismo em 1925, cujo nome foi escolhido pelos leitores numa votação popular. Décadas depois, outra novidade foi o lançamento de edição dominical regular, em julho de 1972, então raríssimas nos jornais. Os cadernos publicados no primeiro dia da semana eram (e ainda são) recheados de reportagens mais robustas e de maior planejamento, com mais destaque para as fotografias e as grandes entrevistas. No editorial da primeira edição de domingo do GLOBO, Roberto Marinho explicou que foi “uma etapa cuja efetivação não mais podíamos adiar”. A partir dali, os principais concorrentes também deram seu pontapé na circulação ininterrupta em todos os dias da semana.
Mais alguns anos à frente, O GLOBO também foi o primeiro jornal no Brasil a circular nos dias de Natal e de Ano-Novo. A decisão de Roberto Marinho acabou sendo lembrada por uma trágica coincidência: o exemplar inaugural de um 1º de janeiro, o de 1989, estampou o naufrágio do Bateau Mouche, na Baía de Guanabara, quando navegava rumo a Copacabana para a celebração da virada do ano. A tragédia matou 55 pessoas. Só O GLOBO publicou a notícia na manhã seguinte.
Bem antes dessa estreia, O GLOBO já trilhava caminhos nunca antes desbravados. Em 1944, durante a Segunda Guerra, o jornal criou O GLOBO Expedicionário, caderno especial dedicado a levar um resumo das notícias aos pracinhas que atuavam no front da Força Expedicionária Brasileira, na Itália. Foram 37 edições recheadas de mensagens de parentes do militares e de informações da terra natal, confortando e conectando os combatentes ao país.
Em um ambiente completamente oposto, o caderno ELA, hoje revista, também foi vanguarda, dando espaço a um olhar apurado para novidades do campo do comportamento. Com pouco mais de 60 anos de vida, o ELA foi criado com a premissa de mostrar um mundo moderno “bem menos masculino e muito mais feminino”, como disse Roberto Marinho no editorial de estreia do caderno. A proposta era repercutir as novidades de moda, cultura, gastronomia, arte e pensamento, assuntos que seguem pautando a publicação 3.200 edições após a primeira impressão.
— O que o ELA trazia no início de 1964, de traduzir as inquietudes da mulher contemporânea, segue em uma realidade multiplataforma, indo além da revista, mas nos eventos e plataformas digitais — ressalta Marina Caruso, editora-chefe da ELA, que destaca ainda a pluralidade de perfis e conteúdos existentes nas páginas, refletindo a audiência ampla e diversa. — Quando o caderno nasceu, a expectativa de vida da mulher era de 55 anos.
Hoje é de 80. Então, ela estará na menopausa a maior parte do tempo. Precisamos falar com essa mulher, mas também com a leitora de amanhã, que começa a nos ler no Instagram e vê importância no impresso porque cansa de tudo o que é digital e volátil.
Na década de 1980, O GLOBO apresentou ao leitor duas grandes estreias: os Jornais de Bairro e a coluna Defesa do Consumidor. Os cadernos de Bairro foram criados em 1982 para levar informações sobre a vizinhança, dando voz aos leitores e com um forte cardápio de serviços. Logo no primeiro ano, oito suplementos circularam: Tijuca, Méier, Barra, Copacabana, Ipanema, Madureira, Botafogo, Leopoldina, Ilha e Niterói. Em pouco tempo, eles se tornaram símbolo para a promoção do comércio local, e alguns deles, como GLOBOZona Sul e GLOBO-Barra, seguem encartados no veículo até hoje.
— Os Jornais de Bairro têm boa entrada local, nas comunidades. Vários leitores sugerem pautas e dão retorno sobre o impacto, veem e agradecem — afirma o editor Milton Calmon, que começou como repórter do caderno em 1986.
Ele destaca ainda a importância na formação de novos talentos no jornalismo, que começaram cobrindo o noticiário local nos Jornais de Bairro.
O atual diretor de Redação, Alan Gripp, por exemplo, é um dos profissionais “formados” na editoria. Ele começou no GLOBO em 1997, no caderno Niterói:
— É uma grande escola, essencial para a evolução do jornalista, porque lá você fala de urbanização da cidade, segurança pública, economia, política, gastronomia, cultura. É um laboratório — diz Gripp.
Já a seção Defesa do Consumidor, lançada em 1981, entregou o ineditismo de mediação entre leitores e empresas, transformando-se numa referência nas relações de consumo e evitando que problemas de clientes se arrastassem em processos longos em agências de regulação ou órgãos de atendimento ao consumidor.
Sandra Sanches, ex-diretora executiva do GLOBO, entrou no jornal como estagiária em 1981 e dirigiu, entre muitas funções nos 35 anos que ficou na casa, o departamento de gerenciamento de produtos. Lá, ela ajudou a estruturar projetos jornalísticos especiais que seguem vivos até hoje, como a Revista O Globo (hoje ELA) em 2004, Marca dos Cariocas em 2010, e premiações, como o Faz Diferença e o Rio Show de Gastronomia, uma tradição entregue anualmente durante o Rio Gastronomia, evento produzido pelo GLOBO:
— A semente do Rio Gastronomia veio em 2003, quando teve sua primeira edição num restaurante na rua Barão da Torre, em Ipanema. E ele evolui, dando visibilidade aos chefs. Um simples prêmio se tornar o maior evento de gastronomia do país é muito da essência de saber fazer — afirma ela sobre a capacidade de produção promocional do jornal.
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Durante a gestão de Sanches, O GLOBO adotou em 2008 o slogan “Muito Além do Papel de um Jornal”, como ela lembra, justamente pelas ações realizadas para além da edição impressa. Apesar da expansão nacional, a conexão com a sociedade carioca, segundo ela, também é um pilar que deve ser comemorado:
— O GLOBO sempre foi dono do termômetro do Rio, com muitas iniciativas conectadas à sociedade e com a preocupação de entender o carioca e seu território. Foi um jornal que começou conversando com a cidade sobre seu nome — recorda.
A primeira telefotografia em 1936
O pioneirismo em usar a tecnologia a favor da distribuição da informação pauta o jornal há 100 anos. Em 1936, a primeira telefotografia do país estampava a primeira página da edição durante os Jogos Olímpicos de Berlim. Nela, a nadadora Piedade Coutinho, de apenas 16 anos, registrava um feito histórico: tinha se classificado para a final dos 400 metros nado livre nos jogos, posto alcançado pela primeira vez na história da natação brasileira. O jornal também levou ao leitor fotografias transmitidas por rádio do front da Segunda Guerra Mundial e, em 1959, publicou a primeira imagem em cores, transmitida por ondas de um evento no Canadá.
Em 1985, foi a vez de os computadores chegarem à Redação, para, aos poucos, substituírem as máquinas de escrever. Seis anos depois, em 1991, O GLOBO lançou um caderno especial para cobertura de informática, o primeiro do país, o Informática etc., editado pela jornalista Cora Rónai, pioneira no tema e até hoje referência na cobertura sobre tecnologia.
A vanguarda no digital também esteve presente na década de 2010, com o lançamento de O GLOBO a Mais, jornal digital para tablets que ficava disponível logo ao fim da tarde, reunindo as principais notícias do dia com análises de um time graúdo de colunistas. A iniciativa deu tão certo que rendeu ao jornal o Prêmio Esso de Contribuição à Imprensa em 2012.
Já em 2024, foi lançado o Projeto Irineu, com objetivo de desenvolver novos produtos de inteligência artificial dentro da Redação. É a comprovação de que, hoje, no centenário, a tecnologia e a inovação segue pautando o futuro do GLOBO.