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um século de transformação na forma de informar

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julho 27, 2025
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A evolução do GLOBO: jornal nunca abriu mão do seu compromisso fundador — Foto: Acervo

O compromisso de entregar ao leitor a informação quente e bem apurada é, desde o início, uma obsessão. O que mais mudou em um século de O GLOBO foi a forma. Nos anos 1930, por exemplo, a redação mandava para a rua, num dia qualquer, de três a cinco edições com as últimas notícias. Durante a Intentona Comunista, em meio ao caos instalado pela tentativa de golpe contra Getúlio Vargas, foram oito edições apenas no dia 25 de novembro de 1935.

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“Estalou um movimento de carácter communista no norte do paiz”, dizia a manchete da primeira tiragem, às 9h. “Dominado o movimento extremista do R. G. do Norte”, destacava a oitava e última edição, às 18h.

No longo caminho de lá até as coberturas em tempo real no site do jornal, as análises de colunistas gravadas em vídeo para as redes, as reportagens contadas por meio de gráficos e os alertas de celular, tudo o que O GLOBO fez foi buscar a inovação de forma constante, acompanhando as mudanças tecnológicas de cada época na área da comunicação, mas movido por aquela mesma obsessão fundadora de 29 de julho de 1925.

Cem anos atrás, não era nada simples prover informação com agilidade. Numa época anterior à TV e com o rádio ainda se popularizando, os veículos impressos assumiam para si a responsabilidade de manter a população a par dos acontecimentos, apesar das muitas limitações tecnológicas e da falta de normas de conduta ou de um padrão de texto jornalístico. Para se ter uma ideia, não havia ainda faculdades de jornalismo, que não era sequer uma profissão regulamentada.

De acordo com a professora Dúnya Azevedo, doutora em Comunicação Social pela UFMG, especialista em design gráfico, o layout dos jornais estava totalmente a serviço do texto. Havia poucos recursos de imagem para suavizar o calhamaço de notícias em letras miúdas, sem uma biblioteca de fontes definidas. As publicações espremiam as matérias em cada página, no processo quase artesanal da composição em linotipo, máquina inventada na Alemanha em 1886. Era um trabalho cuidadoso e demorado, que mobilizava muita gente e recomeçava a cada nova edição.

— Eram muitas limitações de ordem técnica. E, em decorrência da necessidade de ajustar os elementos na composição da página, o layout tinha uma forma bastante rígida — explica Dúnya.

O texto dos diários também estava longe do que conhecemos hoje, com muitas marcas de oralidade, ainda influenciado pelo jornalismo literário do século XIX. Além disso, não havia padrão ortográfico para a língua portuguesa. Basta ver a matéria da edição de 10 de agosto de 1925, no alto desta página, intitulada “Attingido em cheio pelo bloco de pedra”, sobre um trabalhador que morrera esmagado no Morro de Santo Antônio, no Centro do Rio. “Essa viuva e esses orphãosinhos de agora, hão de estar, a estas horas, as mãos erguidas para o céo, as lágrimas nos olhos, clamando justiça…”.

— A relação próxima entre literatura e jornalismo produzia uma linguagem mais complexa, menos objetiva, para narrar assuntos do cotidiano — explica o jornalista e pesquisador Fernando Resende, professor do curso de Estudos de Mídia da UFF. — Foi a partir dos anos 1940 e 1950, com a criação dos cursos de jornalismo, a popularização do rádio, a chegada da TV, entre vários outros fatores, que o texto jornalístico começou a ganhar a forma padronizada, mais objetiva, que vemos hoje.

Também as capas dos jornais passaram por uma modernização nessa época. Até então, não havia o padrão de primeira página, com chamadas para introduzir os principais assuntos, que seriam desenvolvidos no interior do periódico. Em alguns casos, matérias começavam e terminavam na capa. Em outros, textos eram abruptamente interrompidos e continuavam no miolo do diário. Além disso, havia edições com manchetes em letras garrafais, com pontos de exclamação, e outras sem um destaque evidente. E não era raro ver anúncios classificados na capa.

A evolução do GLOBO: jornal nunca abriu mão do seu compromisso fundador — Foto: Acervo

Em meio a uma imprensa ainda se organizando, O GLOBO dava seus passos à frente. Em 1936, publicou a primeira telefoto da imprensa brasileira, mostrando a nadadora Piedade Coutinho competindo na final dos 400 metros livres nas Olimpíadas de Berlim. Nos anos 1950, o jornal se mudou para um prédio erguido na Rua Irineu Marinho, na Cidade Nova, e adquiriu uma série de novos equipamentos gráficos, incluindo uma rotativa Hoe, a mais moderna da época, com 500 toneladas. Ainda em 1959, o jornal estampava na capa a primeira radiofoto em cores da América Latina. Era o registro da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, e do presidente americano Dwight Eisenhower durante uma solenidade no Canadá.

A observação das edições do GLOBO ao longo das décadas permite perceber uma evolução presente em outros jornais. As páginas ficaram arejadas e melhor ilustradas, as fotos ganharam nitidez e cor. Os textos perderam a carga de subjetividade, obedecendo ao modelo de texto jornalístico com estrutura rígida, que preconiza a soberania do lide, aglutinando as principais informações sobre um acontecimento no começo da matéria (o “nariz de cera” foi defenestrado), e dá mais destaque às declarações de fontes ouvidas durante a apuração, com espaço cativo para o contraditório.

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  • Edições dominicais em 1972
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Edições dominicais em 1972

Os avanços técnicos garantiram agilidade e abriram caminhos. Em 1972, O GLOBO passou a publicar edições dominicais (“O dia que faltava”, festejou Roberto Marinho em um editorial na primeira página). Em 1978, o jornal passou a rodar em impressão off-set. Em 1989, já com a redação toda informatizada, o diário circulou pela primeira vez no dia 1º de janeiro. O objetivo era publicar a cobertura das tradicionais festas de réveillon na cidade, mas o jornal acabou levando aos leitores, naquela manhã, a cobertura da tragédia do Bateau Mouche IV, que naufragou no dia 31 de dezembro, na entrada da Baía de Guanabara, deixando 55 mortos.

Entre todas as reformas visuais do GLOBO, a mais impactante foi a de 1995, com a implantação de um projeto criado pelos designers Milton Glaser e Walter Bernard, adotando-se tipologia moderna, logotipo adaptado às cores do Brasil e um novo conceito de redação.

— Foi um projeto gestado durante mais de dois anos, que trouxe ampla mudança gráfica e na forma de apresentar o conteúdo, com mais espaço para análise e ênfase em reportagens robustas — explica Alessandro Alvim, o editor-executivo visual do GLOBO. — Várias diretrizes continuam de pé até hoje, mesmo depois de outra grande reforma, em 2012, assinada pelo designer Chico Amaral.

A partir de meados dos anos 1990, o jornalismo seria sacudido pela popularização da internet, com mudanças profundas na produção e distribuição de conteúdo. Mas essa transformação não ocorreu da noite para o dia. Durante anos, os jornais se limitavam a exibir na web as mesmíssimas matérias feitas para as versões impressas, sem quebrar o antigo ciclo de 24 horas de produção e publicação.

De acordo com a professora Suzana Barbosa, coordenadora do Grupo de Pesquisa de Jornalismo On-Line da UFBA, nos anos 2000, com a chegada de grandes portais como a Globo.com e o UOL, as mudanças ganharam celeridade. Ela explica ainda que o atentado das Torres Gêmeas, em Nova York, colocou sobre as redações uma pressão para investir em coberturas ao vivo para a internet.

— No começo, as equipes de jornalistas não estavam formadas para o mundo digital e havia ainda muitas limitações tecnológicas. Os ataques de 2001 deixaram isso claro e criaram uma demanda interna por mais agilidade — analisa Suzana.

Desde então, houve uma explosão de ferramentas voltadas para publicação de conteúdo, e o jornalismo flertou com várias novidades digitais como se fossem “invenções da roda”. Muita coisa não vingou, mas grandes sites passaram a entregar a notícia em uma série de formatos distintos.

No site do GLOBO, eventos como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e as eleições são cobertos em tempo real, com gráficos e análises ao vivo. Além de entregar um jornal impresso moderno e aprofundado, a redação produz vídeos, reportagens em HQ, testes de conhecimento e ferramentas de consulta. Desde o ano passado, mesmo as matérias no bom e velho formato de texto e foto têm o botão do Projeto Irineu, que se vale de inteligência artificial generativa para oferecer um resumo da notícia.

— As ferramentas do jornalismo digital nos permitem explorar diferentes formas de contar uma história ou de oferecer serviços importantes para o leitor — diz Alessandro Alvim. — Estamos sempre buscando inovações pra melhorar a experiência digital do assinante do jornal.

William Helal Filho é editor de Acervo e Qualificação

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