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Tailândia e Camboja negociam trégua na Malásia em meio a escalada de conflito na fronteira

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julho 27, 2025
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Soldados do Exército Real da Tailândia em veículos blindados em Chachoengsao, em 24 de julho de 2025, durante escalada do conflito com o Camboja — Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP

O primeiro-ministro interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, e o premier do Camboja, Hun Manet, devem se reunir na segunda-feira na Malásia para discutir uma trégua no conflito fronteiriço que já deixou ao menos 32 mortos e deslocou mais de 200 mil pessoas desde quinta-feira. O encontro será mediado pelo primeiro-ministro malaio e presidente da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Anwar Ibrahim, informou o governo tailandês.

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Horas antes do anúncio da reunião, o presidente americano, o republicano Donald Trump, afirmou que os dois países haviam concordado em negociar um cessar-fogo e ameaçou suspender acordos comerciais caso os combates persistam. Ainda assim, os confrontos continuaram pelo quarto dia consecutivo, apesar dos apelos dos Estados Unidos, da China e da ONU pelo fim imediato das hostilidades.

A disputa territorial opõe a tradicional aliada de Washington, a Tailândia, a um Camboja com forte ligação com a China. Ambos os lados se acusam mutuamente de iniciar os confrontos e de violar direitos humanos durante a escalada na última semana. No sábado, o ministro das Relações Exteriores tailandês, Maris Sangiampongsa, disse que o vizinho precisava mostrar “sinceridade genuína no fim do conflito” para que as negociações de cessar-fogo prosseguissem.

“Qualquer cessação das hostilidades não pode ser alcançada enquanto o Camboja estiver violando repetidamente os princípios básicos do direito humanitário”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Tailândia em comunicado, acusando o país vizinho de disparar artilharia pesada contra áreas civis na província fronteiriça de Surin.

O Ministério da Defesa cambojano, por outro lado, denunciou o que chamou de “atos de agressão deliberados” por parte de Bangkok e afirmou que ataques aéreos e bombardeios tailandeses atingiram locais próximos ao templo de Preah Vihear, patrimônio mundial da Unesco, na província homônima. Chhea Keo, embaixador do Camboja junto às Nações Unidas, disse que seu país pediu um cessar-fogo “imediato, incondicional” e uma solução pacífica para a disputa.

— [O Conselho de Segurança] apelou a ambas as partes para que [mostrem] a máxima contenção e recorram a uma solução diplomática. É isso que também pedimos — disse ele.

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Segundo autoridades tailandesas, 19 pessoas morreram desde o início dos confrontos, a maioria civis. O governo estima que mais de 138 mil moradores de seis províncias estejam em abrigos improvisados. No lado cambojano, as autoridades reportam ao menos 13 mortos, incluindo oito civis, e 50 feridos. Cerca de 80 mil pessoas foram deslocadas.

Trump intensificou a pressão no fim de semana, afirmando que alertou os líderes dos dois países de que os Estados Unidos não fecharão acordos comerciais enquanto o conflito prosseguir. Em publicação em sua rede social, o Truth Social, o republicano disse ter conversado com líderes dos dois países, que têm “uma longa e rica história e cultura”, e anunciou a disposição de ambos de realizarem um encontro para discutir soluções.

“Ambas as partes buscam um cessar-fogo e a paz imediatos. Também buscam retornar à mesa de negociações com os EUA, o que consideramos inadequado até que os conflitos cessem. Elas concordaram em se reunir imediatamente e negociar rapidamente um cessar-fogo e, em última análise, a paz!”, escreveu Trump, sem revelar quando ocorrerá a reunião. “Quando tudo estiver concluído e a paz estiver próxima, aguardo ansiosamente a conclusão de nossos acordos comerciais com ambos!”.

Na madrugada deste domingo, Manet, o premier do Camboja, agradeceu a Trump e disse que o Camboja concordava com “a proposta de um cessar-fogo imediato e incondicional entre as duas Forças Armadas”. Ele acrescentou que já havia aceitado anteriormente uma proposta de cessar-fogo do primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim. O Ministério das Relações Exteriores da Tailândia, por outro lado, foi mais cauteloso, dizendo querer ver uma “intenção sincera do lado cambojano”.

Desde a última quinta-feira, uma longa disputa de fronteira entre os dois países eclodiu em intensos combates, com artilharia pesada e ataques aéreos, levando o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, a pedir “máxima contenção”. A Malásia, que preside o bloco regional que inclui os dois países, pediu que ambos os lados recuassem e se ofereceu para mediar. Os EUA e a China também expressaram preocupação.

Soldados do Exército Real da Tailândia em veículos blindados em Chachoengsao, em 24 de julho de 2025, durante escalada do conflito com o Camboja — Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP

Embora as tensões entre os dois países não sejam novas — o último grande conflito ocorreu em 2011, com dezenas de mortos —, o episódio desta semana marca a pior crise desde então. O foco permanece em disputas territoriais não resolvidas desde a era colonial, em especial na área próxima ao antigo templo de Preah Vihear, cuja soberania é reivindicada por ambos os lados com base em mapas divergentes dos tratados franco-siamitas do início do século XX.

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O Camboja usa um mapa de 1907 desenhado sob domínio colonial francês como referência para reivindicar território, enquanto a Tailândia argumenta que o documento é impreciso. Em 1962, porém, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) reconheceu a soberania do Camboja sobre a área do templo — decisão que se tornou um ponto sensível nas relações entre os dois países. E em 2011, após confrontos armados deixarem 20 mortos, o Camboja voltou à Corte, que reafirmou sua decisão em 2013.

As tensões entre os vizinhos do Sudeste Asiático vêm crescendo desde maio, quando um confronto armado matou um soldado cambojano. No entanto, foi na quarta-feira que os sinais de escalada começaram: após a explosão de uma mina terrestre ter ferido cinco soldados tailandeses, Bangkok expulsou o embaixador do Camboja e convocou de volta seu representante em Phnom Penh. Em resposta, o Camboja retirou seus diplomatas da Tailândia e exigiu medida equivalente.

— O governo real da Tailândia conclama o Camboja a assumir responsabilidade pelos incidentes, cessar os ataques contra alvos civis e militares e interromper todas as ações que violem a soberania tailandesa. Caso o Camboja persista em seus ataques armados e violações, a Tailândia está preparada para intensificar as medidas de autodefesa, em conformidade com o direito e os princípios internacionais — disse o porta-voz Nikorndej Balankura na quinta-feira.

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Embora os países tenham dito que concordaram em reduzir a tensão após o conflito de maio, o clima de tensão permaneceu elevado. A Tailândia limitou quase todas as travessias na fronteira com o Camboja, exceto para estudantes, pacientes em tratamento médico e outros com necessidades essenciais. O Camboja, por sua vez, baniu filmes e programas de TV tailandeses, interrompeu a importação de combustível, frutas e vegetais da Tailândia e boicotou alguns links internacionais de internet e fornecimento de energia do país vizinho.

A primeira-ministra da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, também foi suspensa do cargo em 1º de julho para ser investigada por possíveis violações éticas relacionadas à condução da disputa de fronteira, após o vazamento de uma ligação telefônica com um alto líder cambojano. Na ligação, feita no mês passado, ela se referiu ao ex-premier cambojano Hun Sen como “tio” e criticou a liderança militar tailandesa — comentários vistos como desrespeitosos à soberania nacional.

O vazamento da ligação provocou protestos generalizados e revolta popular. A coalizão liderada pelo partido Pheu Thai, de Paetongtarn, também se enfraqueceu após a saída de seu segundo maior parceiro, o Partido Bhumjaithai, que acusou a premier de ser branda demais com o Camboja. Ela se desculpou e alegou que seus comentários faziam parte de uma estratégia de negociação, publicou a agência americana Associated Press. Ela tem até 31 de julho para apresentar sua defesa.

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