Poucos grupos femininos conseguiram marcar uma geração como o Destiny’s Child. Com uma trajetória que começou na adolescência das integrantes e se consolidou entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, o trio Beyoncé Knowles, Kelly Rowland e Michelle Williams se tornou sinônimo de poder feminino, talento e inovação musical. Ainda assim, mesmo com uma carreira de sucesso consolidado, o grupo anunciou sua separação de forma repentina durante uma turnê mundial em 2005, pegando fãs e a indústria musical de surpresa.
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O anúncio veio em junho daquele ano, quando Kelly Rowland revelou ao público durante um show em Barcelona que a turnê seria a última. “Trabalhamos juntos como Destiny’s Child desde os 9 anos e fazemos turnês juntos desde os 14”, dizia o comunicado oficial divulgado no dia seguinte. “Após muita discussão e uma profunda reflexão, percebemos que nossa turnê atual nos deu a oportunidade de deixar o Destiny’s Child em alta, unidos pela nossa amizade e repletos de uma imensa gratidão pela nossa música, pelos nossos fãs e por nós mesmos.”
Apesar da decisão parecer consensual e tranquila, o fim do grupo abriu espaço para especulações. Teria sido o início da ascensão meteórica da carreira solo de Beyoncé o verdadeiro motivo por trás da separação? Haveria desentendimentos nos bastidores? Embora nenhuma dessas hipóteses tenha sido oficialmente confirmada, o que se sabe é que o fim foi motivado, de acordo com as integrantes, por uma busca individual de cada uma por seus próprios caminhos artísticos.
“Não importa o que aconteça, sempre nos amaremos como amigas e irmãs e sempre nos apoiaremos como artistas”, dizia o comunicado. O trio ainda completou a turnê após o anúncio, com o último show realizado em 10 de setembro de 2005, em Vancouver, no Canadá.
O Destiny’s Child já havia enfrentado mudanças de formação antes. Criado inicialmente com Beyoncé, Kelly Rowland, LaTavia Roberson e LeToya Luckett, o grupo lançou seu primeiro álbum em 1998. O sucesso estrondoso veio com o segundo disco, The Writing’s on the Wall, com hits como Bills, Bills, Bills, Jumpin’ Jumpin’ e Say My Name. A recepção foi tão grande que surpreendeu até mesmo as integrantes.
“Não tínhamos ideia do impacto que isso teria”, disse Beyoncé ao The Guardian em 2006. “Principalmente no mundo todo… naquela época, conversávamos com o pessoal da gravadora e eles diziam: ‘Olha, eles nem tocam R&B na Europa agora.’”
As tensões começaram a se tornar públicas quando, sem aviso prévio, Roberson e Luckett foram substituídas por Michelle Williams e Farrah Franklin — esta última deixaria o grupo poucos meses depois. LaTavia Roberson, inclusive, afirmou em 2016 que descobriu que havia sido retirada da formação ao assistir ao clipe de “Say My Name”, já com novas integrantes. “Foi muito difícil. Tenho quase certeza de que foi difícil para todos nós — porque éramos jovens”, disse ela à People. “Meu problema sempre foi com a administração; nunca foi com as meninas.” O grupo era gerenciado pelo pai de Beyoncé, Mathew Knowles.
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Apesar dos bastidores conturbados e da dissolução oficial em 2005, a conexão entre Beyoncé, Rowland e Williams resistiu ao tempo. Elas se reuniram em ocasiões pontuais: no Super Bowl de 2013, no Coachella em 2018 e, mais recentemente, durante o último show da turnê Cowboy Carter, em julho de 2025. Na apresentação em Las Vegas, Beyoncé surpreendeu ao trazer Kelly e Michelle ao palco para cantar clássicos como “Bootylicious” e “Lose My Breath”, gerando uma onda de nostalgia entre os fãs.
A reunião reforçou a ideia de que, mesmo separadas, as Destiny’s Child continuam vivas no imaginário coletivo. O site oficial do grupo chegou a ser atualizado em 2023 com um clipe da apresentação no Super Bowl e uma mensagem misteriosa: “25 anos — novo site em breve”. Embora a mensagem tenha sido retirada, o vídeo continua lá, alimentando rumores de que uma nova fase do grupo poderia estar sendo gestada nos bastidores.
Mas, oficialmente, não há planos para um retorno definitivo. Ainda assim, a possibilidade de futuras aparições em eventos especiais ou turnês comemorativas nunca é descartada — especialmente se considerarmos a estrutura em três atos planejada por Beyoncé desde o lançamento do álbum Renaissance em 2022.
Enquanto isso, cada ex-integrante trilha seu próprio caminho. Kelly Rowland mantém uma carreira musical sólida, além de atuar como jurada em realities como The Voice UK. Michelle Williams expandiu sua atuação para os palcos da Broadway e tem se consolidado como atriz. Já LeToya Luckett e LaTavia Roberson, afastadas da formação principal do grupo, continuam ativas no entretenimento: Luckett se destacou em séries como Greenleaf e Divorced Sistas, enquanto Roberson apareceu no reality R&B Divas: Atlanta e em filmes independentes.
Duas décadas depois da separação, a marca deixada pelo Destiny’s Child ainda ecoa na música pop. Com vozes potentes, letras empoderadas e presença de palco marcante, elas ajudaram a abrir caminho para outras artistas femininas e grupos da cena R&B.