Uma nova campanha publicitária da marca American Eagle, estrelada pela atriz Sydney Sweeney, ganhou os holofotes para um tema sensível: a associação entre padrões estéticos, genética e eugenia. Com trocadilhos entre as palavras “jeans” (calça) e “genes” (material genético), a peça provocou forte reação nas redes sociais e fez internautas resgatarem falas de outros artistas, como Billie Eilish, que em recente show na Irlanda comentou: “Amo estar aqui porque todo mundo parece comigo”.
No vídeo da campanha, lançado na última semana, Sweeney afirma: “Os genes são passados de pais para filhos”, enquanto fecha o zíper de uma calça jeans. Em seguida, diz: “Meus jeans são azuis”, com a câmera destacando seus olhos claros, cabelos loiros e traços eurocêntricos. Em outro momento, ela caminha até um outdoor onde se lê “Sydney Sweeney tem ótimos genes”, com a palavra “genes” riscada e substituída por “jeans”.
A repercussão foi imediata. Usuários do TikTok e X (antigo Twitter) apontaram que o trocadilho reforça ideais de superioridade estética, – e até genética -, baseados na branquitude. “É um dos apitos de cachorro racializados mais óbvios dos últimos tempos”, comentou um perfil no TikTok.
Para muitos críticos, o elogio aos “bons genes” de uma mulher loira, branca e de olhos claros remete a teorias eugênicas historicamente ligadas ao racismo, como destacou a especialista Robin Landa à revista Newsweek. “A expressão já foi central na ideologia eugênica americana, usada para justificar políticas como a esterilização forçada”, explicou.
As comparações com o histórico publicitário não pararam por aí. Segundo o G1, usuários também relembraram um polêmico comercial da Calvin Klein, lançado nos anos 1980, no qual Brooke Shields, então com 15 anos, falava sobre “códigos genéticos” em um contexto sexualizado.
O caso ganhou ainda mais força quando fãs da cantora Billie Eilish resgataram falas da artista, durante recente show, em que ela relaciona sua aparência ao sentimento de pertencimento com a Irlanda. A artista diz que no país inglês “todo mundo é muito, muito, muito branco” e por isso ela gosta de estar lá. “Em tempos em que a branquitude volta a ser celebrada como ideal, falas assim não são aleatórias”, escreveu o portal Nozy Content Agency.
Até o momento, nem a American Eagle nem Sydney Sweeney se manifestaram publicamente sobre as críticas.