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Do crescimento no trabalho até o transporte do filho autista, o que leva mulheres a tentar superar o medo de dirigir

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julho 31, 2025
in News
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O repórter do GLOBO Luis Felipe Azevedo durante o treinamento com Valéria Aguiar — Foto: Júlia Aguiar/Agência O Globo

Desde que me entendo por gente, a intuição dizia que dirigir não era, pra mim, uma habilidade natural. Mesmo com carteira de motorista e um carro na garagem, o medo me impedia de assumir o volante. Aos 23 anos, já como repórter do GLOBO, encontrei nas redes sociais o perfil de Valéria Aguiar, que soma 355 mil seguidores no Instagram, onde ela promete ajudar a “vencer o medo de dirigir em 21 dias”. Embora o trabalho seja voltado sobretudo para mulheres, iniciamos um acompanhamento de mentoria em Programação Neurolinguística (PNL) em maio. Enquanto aprofundava as reflexões, foi muito importante uma tarde de troca de vivências com outras alunas da Valéria no curso Mulher do Volante.

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Os motivos pelos quais elas decidiram encarar o medo eram variados, desde levar o filho autista ou com síndrome de Down na terapia até a busca por independência para sustentar uma separação. Ouvir histórias de sucesso me fizeram acreditar que eu também poderia chegar lá. Ao longo de seis reuniões, Valéria me ensinou exercícios para mostrar ao meu cérebro que a direção poderia ser encarada como uma oportunidade de me fazer feliz. Desde a respiração até a postura, tudo influencia a superação do medo. As técnicas combinam os cinco sentidos para reprogramar os sentimentos negativos.

O repórter do GLOBO Luis Felipe Azevedo durante o treinamento com Valéria Aguiar — Foto: Júlia Aguiar/Agência O Globo

Leia abaixo depoimentos de alunas do curso que superaram o medo de dirigir:

Bianca Souza Aguiar (42 anos) – fisioterapeuta

Bianca Souza Aguiar — Foto: Arquivo Pessoal
Bianca Souza Aguiar — Foto: Arquivo Pessoal

Dirigir transformou minha vida. Depois de 10 anos com medo, bastaram poucas aulas com o método para tudo mudar. Me ensinou a liberar as travas emocionais que me impediam de dirigir. Hoje, faço mais de 500 km por semana — algo impensável antes. Ganhei autonomia e fluidez, o que me ajuda a ter mais tempo para os meus pacientes oncológicos e geriátricos, para acolher e tratar suas dores. Como mulher e mãe me sinto mais forte. Mesmo quando o medo tenta voltar, tenho ferramentas para enfrentá-lo. Aprendi a respirar, focar e seguir em frente. Já sofri um acidente e tive o carro roubado, mas não parei. Agora, eu continuo — e isso é libertador.

Franciele Ribeiro (37 anos) – contadora

Franciele Ribeiro — Foto: Arquivo Pessoal
Franciele Ribeiro — Foto: Arquivo Pessoal

Quando você vence o medo, sente-se livre. Essa foi uma das lindas frases que li esses dias no livro Quem mexeu no meu queijo? E é isso que o ano de 2022 representa pra mim: liberdade. Habilitada desde 2014, fiquei exatos 8 anos usando minha CNH apenas como um documento de identificação. Meu esposo saía pra trabalhar e o carro ficava na garagem, e eu ia resolver minhas coisas a pé, de ônibus, de táxi. Hoje, como é bom poder levar meus filhos na escola, pra passear, tomar vacina, também já precisei levar na emergência num dia que meu esposo estava trabalhando.

Alice Cristina Vieira Corrêa (37 anos) – bancária e palestrante

“Eu sei dirigir, mas é melhor eu ir andando, porque moro perto ou ir de carro de aplicativo é mais barato que o estacionamento ou ‘Eu sei dirigir, mas meu marido ou sempre alguém dirige, eu já não gosto de dirigir e vai ser mais rápido a outra pessoa dirigir”: essas eram algumas frases que eu falava. Eu achava que o problema era ser acomodada e, sim, tinha seu fundo de verdade. Mas por que uma pessoa determinada, na história de dirigir, ia deixando o que “sabia fazer”? Por conta de uma meta proposta no trabalho em que eu deveria fazer visitas de forma independente eu precisei dessa resposta. Não bater a meta era algo que eu não admitia. Eu havia comprado há uns anos o curso, mas nunca concluído e nesse momento, tudo o que era ensinado fazia tanta diferença. Me recordo de uma aula em que eu me imaginava parada no sinal mais demorado do meu bairro e a sensação de estar parada ali era muito angustiante. Voltei a dirigir e tive meus desafios, mas não só bati a meta, mas hoje eu saio sozinha, levo meu filho nas terapias e para passear, dirijo e dou um descanso para meu marido e sinto que a cada dia estou uma motorista mais habilidosa e carrego muita confiança comigo.

Guinever Guedes (22 anos) – empresária

Guinever Guedes — Foto: Arquivo Pessoal
Guinever Guedes — Foto: Arquivo Pessoal

Eu sempre fui muito independente e dirigir ia resolver muitos problemas da minha vida e me ajudar, inclusive, no meu trabalho. Sou empresária desde os 17 anos. Tenho uma loja online de vestidos, e precisava muito dirigir para crescer profissionalmente. Além disso, meu namorado mora em outra cidade, minha família também, então, ter essa mobilidade era fundamental pra mim. Mas eu estava com muito medo de não conseguir. Cheguei na prova tremendo muito. Mas consegui lembrar as técnicas do curso e colocar em prática tudo que aprendi. Eu consegui passar de primeira, com 18 anos! Nem eu acreditava que fosse possível. Hoje tenho meu carro, minha liberdade e dirijo para todo canto. Sei que dirigir é muito além do que eu pensava, porque me ajuda a ser livre e independente, tudo que sempre quis pra minha vida.

Nívea Celina da Cruz (43 anos) – professora

Nívea Celina da Cruz — Foto: Arquivo Pessoal
Nívea Celina da Cruz — Foto: Arquivo Pessoal

Com habilitação desde 2004. Sempre que tentava enfrentar o trânsito na marra, eu desistia. Ao receber o diagnóstico de autismo de meu filho e entender suas limitações, vi que teria que vencer esse bloqueio, pois com o carro na garagem e utilizando carros por aplicativo ou transporte público, eu não teria condições de dar o suporte ao tratamento dele. O método mudou a forma que eu pensava sobre essas questões. Hoje o medo não me domina e sigo levando meu pequeno à terapia.

Renata Mello (45 anos) – empreendedora

Renata Mello — Foto: Arquivo Pessoal
Renata Mello — Foto: Arquivo Pessoal

Dirigir foi a virada de chave que faltava na minha vida! Eu tinha pânico. Não conseguia passar na prova. Fui reprovada 3 vezes. Moro em área rural que só tem dois a três ônibus por dia. Tudo o que eu ia fazer era preocupada em perder o ônibus! Meu marido perdia serviço para me levar nos lugares. Eu nunca estava bem! Eu achava que nada iria funcionar comigo. Até que encontrei o curso no Instagram. Pensei, não custa nada tentar, mas será minha última esperança. Conquistei um pouco mais do que eu queria quando entrei no método! Agora vou aonde eu preciso e quero! Virei até motorista particular, ajudo meu marido na empresa de reboque que ele tem, entrego meus artesanatos, levo minha filha ao curso em outra cidade e vou para onde quero. Conquistei minha independência e realização como mulher. Melhorou a vida da minha família. Sou uma mulher muito feliz!

Tassiane C. S (33 anos) – empresária

Tassiane C. S. — Foto: Arquivo Pessoal
Tassiane C. S. — Foto: Arquivo Pessoal

Pensar em dirigir era algo traumático para mim. Após alguns traumas e tentativas frustradas eu achei que jamais poderia. Mas ao descobrir que posso, dirigir se tornou uma terapia transformadora que deu início à liberdade em minha vida. Eu mudei, meus pensamentos mudaram, assim como minhas escolhas e os meus resultados. Uma liberdade consciente tomou conta do meu interior e alcançou todas as áreas da minha vida!!

*Luis Felipe Azevedo é repórter do jornal O GLOBO

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