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veja os setores que se salvaram da sobretaxa de Trump e os que seguem no alvo

BRCOM by BRCOM
julho 31, 2025
in News
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Grãos de café arábica, produzidos no interior do Estado do Rio — Foto: Gabriel de Paiva

Com a divulgação ontem do decreto do presidente americano Donald Trump confirmando a ameaça de taxar produtos brasileiros, mas com uma longa lista de exceções, uma parte das empresas brasileiras respirou aliviada e outra se manteve no alvo da Casa Branca.

  • Reação: Indústria pede negociação e não retaliação, após Trump aplicar exceções ao tarifaço
  • WEG, Embraer, Suzano: ações disparam após isenções de tarifas por Trump

Em cálculo preliminar, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) estimou que US$ 18,4 bilhões das exportações brasileiras para os EUA, 43,4% do total, serão poupados.

No total, o Brasil exporta para os EUA em torno de 4 mil produtos. A estimativa da Amcham considera as 694 exceções listadas no decreto de ontem. O levantamento deixou fora produtos que, embora estejam entre as exceções, são alvo de investigações de práticas comerciais desleais, abertas pelo governo americano, como aço, alumínio, autopeças e outros.

  • Próximos passos: Com adiamento de tarifaço, governo vai avaliar impacto por setor e decidir plano de contingência

— Houve exceções importantes, principalmente petróleo, gás, celulose e suco de laranja. Mas muita coisa ficou dentro. Café, frutas, manga e toda a parte de produtos industriais vão estar dentro (da tarifa adicional de 40%). Então, ainda tem um impacto muito grande sobre o Brasil — disse Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior brasileiro e sócio da consultoria BMJ.

Veja abaixo alguns produtos e setores que ficaram fora da sobretaxa adicional:

  • aviões e peças aeronáuticas (como turbinas, pneus e motores)
  • suco de laranja
  • castanhas
  • vários insumos de madeira
  • celulose
  • gasolina leve
  • óleos combustíveis
  • ferro-gusa
  • minério de ferro e outros minerais
  • carvão e derivados
  • equipamentos elétricos (incluindo lustres)
  • energia elétrica
  • fertilizantes e compostos químicos
  • fibras têxteis
  • pedras e metais preciosos
  • gases industriais e gás natural
  • petróleo e derivados, que já vinham sendo tirados das listas de tarifas dos EUA para os países.
  • ventiladores e ar-condicionado
  • motores e baterias
  • helicópteros
  • móveis
  • máquinas e equipamentos
  • pneus

Veja agora os produtos e setores que seguem no alvo de Trump:

  • café
  • carne
  • cacau
  • frutas
  • açúcar
  • indústria têxtil e de vestuário
  • calçados
  • Aço e alumínio (que já estavam taxados para todos os países)
  • Automóveis e autopeças
  • Cobre
  • Semicondutores
  • fármacos
  • pescados
  • armas

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  • Quem ganhou e quem perdeu?
  • Como reagiram os setores?
  • Embraer, uma das principais vencedoras
  • Pequenas empresas e mineração têm algum alívio
  • Pescados e carnes: setores mais preocupados
  • Roupas e calçados em apuros
  • Indústria prefere negociação
      • veja os setores que se salvaram da sobretaxa de Trump e os que seguem no alvo

Quem ganhou e quem perdeu?

Grãos de café arábica, produzidos no interior do Estado do Rio — Foto: Gabriel de Paiva

Segundo Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e professora da Uerj, o tamanho da lista de bens isentos da sobretaxa de 40% parece ser resultado da pressão feita pelas empresas americanas, que importam esses produtos.

— Foram as pressões das empresas de lá. O que isso mostra, na verdade, é a dificuldade de negociação com o Brasil. Um alívio não é — afirmou Lia, lembrando que setores importantes, alguns formados por empresas de menor porte, como o calçadista, continuarão afetadas. — A pauta para os EUA é muito diversificada.

José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), explicou que a pressão das empresas tem a ver com o fato de que alguns setores da indústria americana dependem de fornecedores brasileiros. Por isso, chamou a atenção a ausência do café da lista de exceções.

— Deduzo que os que seriam mais afetados teriam dificuldade de arranjar substituto. Especulamos que o café possa ser incluído por ser de difícil substituição. A Colômbia, por exemplo, não tem produção suficiente para atender — afirmou Castro.

Como reagiram os setores?

Colheita de laranja — Foto: Bloomberg
Colheita de laranja — Foto: Bloomberg

A CitrusBR, entidade que representa os exportadores brasileiros de suco de laranja, 56% de tudo que os EUA importam anualmente do produto vêm do Brasil. Ibiapaba Netto, diretor da CitrusBR, disse ver com “alívio” a lista de exceções no anexo do decreto de Trump. O executivo credita a decisão à mobilização da cadeia produtiva e de distribuição do suco nos EUA — uma das empresas importadoras, a Johanna Foods, chegou a recorrer ao Judiciário americano contra o tarifaço sobre o Brasil.

— Entendemos que é uma concessão feita pelo governo americano à indústria local americana, porque existe uma forte interdependência entre a indústria de sucos brasileira e a americana, a de lá depende da de cá. A gente sabe que não é uma concessão feita ao setor brasileiro — afirma Netto, informando que 42% das exportações de suco de laranja do Brasil vão para o mercado americano.

Já o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que manterá as tratativas com importadores nos EUA para pressionar pela inclusão do café na lista de exceções. E destacou que os cafés brasileiros respondem por 30% do consumo dos americanos. Vão para os EUA 16% do café exportado pelo Brasil.

Embraer, uma das principais vencedoras

Aeronave E195-E2, da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Aeronave E195-E2, da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer

No caso da indústria de aviação, todos os olhos estavam voltados para a Embraer. A companhia brasileira é a principal fabricante global de jatinhos e aeronaves de menor porte, usados na aviação regional. E o principal mercado de aviação regional do mundo é os EUA. Dessa forma, assim como a Embraer depende da demanda americana, as companhias aéreas regionais dos EUA dependem dos aviões fabricados pela empresa brasileira.

Conforme um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), dos quase 700 bens listados entre as exceções, 565 referem-se a produtos destinados ao uso da aviação civil.

A Embraer avaliou positivamente a exceção da sobretaxa de 40%, mas informou que seguirá defendendo ‘firmemente’ tarifa zero para indústria aviões.

Pequenas empresas e mineração têm algum alívio

Pedreira de mineração — Foto: Cristobal Olivares / Bloomberg
Pedreira de mineração — Foto: Cristobal Olivares / Bloomberg

Joseph Couri, presidente do Sindicato Patronal da Micro e Pequena Indústria (Simpi), avaliou que quase todo segmento foi beneficiado pela lista de exceções do decreto. Couri diz que, como a lista é grande ainda está analisando o impacto total nas oito mil micro e pequenas empresas que têm o mercado americano como destino de suas produções, mas destacou particularmente impacto positivo para pequenos agricultores.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) teve um ganho parcial. A entidade avaliou que, mesmo com exceções para o setor, não foram contempladas na lista alguns minerais como caulim, cobre, manganês, vanádio, bauxita e algumas pedras e rochas ornamentais. Dessa forma, o setor vai ser impactado, mas com menor intensidade.

Uma análise preliminar do Ibram indica que, dos US$ 1,53 bilhões de dólares exportados para os EUA pelo Brasil em minerais por ano (4% das exportações do setor), cerca de 75% estão na lista de exceções. A entidade vai manter esforços para isentar todos os produtos do setor.

Pescados e carnes: setores mais preocupados

Exportações de carnes para os EUA estão ameaçadas — Foto: Agência O GLOBO
Exportações de carnes para os EUA estão ameaçadas — Foto: Agência O GLOBO

Fora da lista de exceções, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) vê com grande preocupação a confirmação da tarifa de 50%, lembrando que os EUA absorvem 70% das exportações do setor. A entidade diz que não há alternativas viáveis de mercado e pede medidas emergenciais do governo para manter empresas e empregos do setor.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quarta-feira que a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — sem exceção para a carne bovina — deve gerar um impacto de cerca de US$ 1 bilhão apenas no segundo semestre deste ano.

A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, entra em vigor em 6 de agosto e, somada à alíquota atual de 26,4%, elevará a carga tributária total para mais de 76%, comprometendo a viabilidade das exportações para o segundo maior mercado de carne bovina do Brasil.

Segundo Perosa, o Brasil exportaria cerca de 400 mil toneladas de carne bovina aos EUA em 2025, mas a tarifa obrigará o redirecionamento de parte da produção para outros países ou para o mercado interno — este último com risco de queda de preços e prejuízos à cadeia produtiva.

O dirigente, no entanto, avaliou como positivo o prazo estendido para a entrada em vigor da medida para cargas já em trânsito. O governo dos EUA vai permitir a entrada sem sobretaxa de todas as mercadorias que chegarem ao país até 5 de outubro. De acordo com ele, isso permitirá que cerca de 30 mil toneladas já embarcadas ou em alto-mar cheguem aos EUA sem a sobretaxa.

Roupas e calçados em apuros

Entre os setores afetados pelo tarifaço de Trump está o de calçados — Foto: Pixabay
Entre os setores afetados pelo tarifaço de Trump está o de calçados — Foto: Pixabay

A indústria têxtil e de confecção é uma das mais aflitas por não ter entrado na lista de exceções. Em entrevista ao Valor, Fernando Pimentel, presidente da Abit, associação que representa as empresas do setor, afirmou que a tarifa de 50% praticamente inviabiliza exportações de roupas para os EUA. Somente fios coo os cordéis de sisal ficaram isentos da taxa adicional.

Ele afirmou que a entidade vai manter “todos os esforços para que o setor seja integralmente contemplado no grupo que ficaria só com a adicional de 10%”. Apesar de a indústria têxtil não ter sido contemplada, Pimentel classificou como uma surpresa positiva o fato de o decreto de Trump vir acompanhado de uma lista tão detalhada de exceções, englobando, nos cálculos dele, cerca de 40% do comércio bilateral.

O setor calçadista, que tem nos EUA seu principal parceiro comercial, também fala em “danos irreversíveis”. Em comunicado, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) lamentou a manutenção das tarifas, “apesar de todos os esforços, de empresários e do corpo diplomático brasileiro”, e estimou que, com a medida, as exportações para o país sejam inviabilizadas. Haroldo Ferreira, presidente-executivo da entidade, acredita num impacto imediato em 8 mil empregos no setor e pede programas do governo para ajudar as empresas atingidas.

Funcionária da Petrobras com amostra de petróleo na plataforma P-71: petróleo segue imune — Foto: Márcia Foletto
Funcionária da Petrobras com amostra de petróleo na plataforma P-71: petróleo segue imune — Foto: Márcia Foletto

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) reiterou “sua grave preocupação” com a implementação das tarifas de 50% nos EUA, mesmo com as exceções apontadas. Produtos industriais como aço e alumínio seguem na mira das sobretaxas, mas petróleo e derivados (60% das exportações fluminenses) estão isentos de qualquer tarifa, já que Trump tem adotado essa exceção para importações de energia.

Segundo a entidade, 48 municípios fluminenses exportam para os EUA. Entre empresários ouvidos pela Firjan, 42% temem impacto em sua capacidade de manter empregos.

“Nesse contexto, a Firjan defende a urgência da intensificação da atuação diplomática e paradiplomática em diversos níveis para construção de uma solução negociada e célere para mitigação dos impactos econômicos e sociais das novas tarifas anunciadas”, diz o comunicado.

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás afirmou que “recebeu positivamente a notícia de que o setor foi formalmente isento da tarifa de 50% aplicada pelos EUA sobre produtos brasileiros”, o que classificou de um reconhecimento do caráter estratégico dos produtos energéticos.

Segundo a entidade que representa as petroleiras que atuam no Brasil, está em jogo não só a exportação de US$ 2,37 bilhões de petróleo registrada no primeiro semestre deste ano, mas também a importação de derivados essenciais para abastecer o mercado brasileiro.

“A manutenção da competitividade do setor junto ao mercado norte-americano contribui para preservar os fluxos comerciais e os investimentos, mitigando impactos imediatos”.

Indústria prefere negociação

Indústria de máquinas e equipamentos ficou fora da sobretaxa — Foto: Canva
Indústria de máquinas e equipamentos ficou fora da sobretaxa — Foto: Canva

No setor industrial, alguns setores como o de máquinas e equipamentos ficaram entre as exceções, mas outros segmentos como têxteis e calçados não tiveram alívio.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou ontem que a imposição de tarifa de 50% para os produtos brasileiros, oficializada por decreto publicado pelo governo americano, causa “grande preocupação”, pois compromete cadeias produtivas, reduz a produção, ameaça empregos e investimentos e contratos de longo prazo.

A entidade descarta, contudo, a possibilidade de retaliação, e reforça que o país deve se manter unido e ampliar os canais de diálogo e de negociação com os Estados Unidos.

— A confirmação da aplicação da sobretaxa sobre os produtos brasileiros, ainda que com exceções, penaliza de forma significativa a indústria nacional, com impactos diretos sobre a competitividade. Não há justificativa técnica ou econômica para o aumento das tarifas, mas acreditamos que não é hora de retaliar. Seguimos defendendo a negociação como forma de convencer o governo americano que essa medida é uma relação de perde-perde para os dois países, não apenas para o Brasil — afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A tarifa de 50% imposta pelos EUA deve afetar o setor de plástico de forma significativa, com impacto “profundo e duradouro”, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Nos cálculos de José Ricardo Roriz, presidente do conselho da entidade, o tarifaço pode comprometer até 20% das exportações brasileiras ligadas direta ou indiretamente ao setor, representando perdas de até US$ 2 bilhões.

Em comunicado, o presidente da Abiplast critica o governo e fala em “diplomacia inoperante”. “Nossa diplomacia foi inoperante, e os dois extremos da política nacional contribuíram para o agravamento do cenário. Tínhamos uma tarifa confortável de 10%, a mais baixa entre os países, e deixamos essa vantagem se perder por falta de ação e articulação. Agora, quem paga a conta é a sociedade, com impactos em empregos, investimentos e no ambiente de negócios”.

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