A tia do menino Davi Ezequiel, de 7 anos, confirmou que a criança conseguiu realizar um procedimento odontológico, na tarde da última quinta-feira (7), na Clínica da Família Gerson Bergher, na Praça Seca. A nova consulta foi marcada após o garoto ter o atendimento interrompido por um dentista do Centro de Especialidade Odontológica da Policlínica Newton Bethlen, no mesmo bairro da Zona Oeste, dois dias antes, na terça-feira (5). Irritado porque o menino chorava, nervoso, o profissional disse que não iria atendê-lo, pois “não era obrigado”.
O vídeo publicado por Danielle Marques Luiz, tia de Davi, mostra o menino nervoso durante o atendimento. Enquanto tenta proteger a boca com uma das mãos, Davi é repreendido pelo cirurgião-dentista Charles Augusto da Costa Santos, que sacode o braço da criança e ordena que ela abaixe a mão. Diante da resistência e do choro, o profissional afirma que não continuará a atendê-lo, e o garoto é consolado pela família.
Dentista de rede municipal se recusa a atender criança que ficou nervosa
Sem compreender a situação, a mãe de Davi, Talia, pediu calma ao dentista. Mesmo diante da tentativa de mediação, o pedido foi ignorado. Para Danielle, o profissional não demonstrou preparo para lidar com pacientes infantis.
— Meu sobrinho está com uma bolinha na boca, e a consulta foi marcada nesta clínica. Foi a primeira vez que ele foi lá. Ele é uma criança medrosa, mas o médico não ajudou. Quis postar para que isso não aconteça com outras pessoas — disse ela na quinta-feira, ao GLOBO-Barra.
Logo após a repercussão do caso, em nota, a Secretaria municipal de Saúde informou que o dentista atuava na rede pública há 28 anos e que o Conselho Regional de Odontologia foi comunicado do caso. Segundo o órgão, “por não conseguir colaboração dos acompanhantes da criança em sua contenção, que se fazia necessária naquelas circunstâncias, o profissional decidiu interromper o atendimento, já que o caso não era de urgência”. A pasta afirmou ainda que o dentista ofereceu a possibilidade de remarcar o procedimento com outro profissional ou em momento em que os pais estivessem presentes para acalmar o paciente.