Por trás da beleza suave e do olhar firme, Giullia Buscacio carrega a força de uma geração que tem aprendido, pouco a pouco, a se libertar das amarras impostas sobre o corpo, o comportamento e a aparência. Aos 28 anos, a atriz vem redescobrindo sua essência, reafirmando limites e questionando padrões que por tanto tempo pareciam inquestionáveis.
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Entre experiências pessoais e reflexões amadurecidas com o tempo, ela revela como lidou, e ainda lida, com as pressões estéticas que atravessam o universo feminino.
— Minha experiência com a pressão estética do universo feminino inclui alguns questionamentos diários que eu tento combater através da minha essência — diz Giullia ao GLOBO.
— Já me consultei com um cirurgião para operar o nariz, já cogitei colocar silicone, mas nada disso foi concretizado. Acho que isso reflete o poder do meio sobre nós, mas ter me respeitado e deixado o tempo passar fez com que eu entendesse de onde estavam surgindo essas insatisfações, e não eram minhas — explica.
Com um discurso lúcido e sensível, Giullia compartilha sua visão sobre o processo de autoconhecimento como forma de resistência. Para ela, o autocuidado vai além dos rituais de beleza e encontra potência no simples ato de impor limites.
— Saber dizer ‘não’ me fortalece diariamente como mulher. A tendência em querer agradar e ser aceita te faz se machucar. Acho que o maior ato de autocuidado é respeitar seus limites, isso nos fortalece — destaca.
A moda, que tantas vezes pode ser instrumento de padronização, é ressignificada por Giullia como um campo de liberdade. Sua escolha de looks não segue tendências: segue sentimentos.
— A moda para mim comunica meu estado de espírito e a minha liberdade. Muitas vezes quero fugir das ‘tendências’ para não ir com a maré. Quero sempre me questionar se aquilo faz sentido com o que eu sou — afirma.
Crescer sob os olhos do público, ela revela, exigiu vigilância constante, mas também trouxe maturidade para compreender seus próprios processos.
— As pessoas vão querer te definir e te acompanhar, acreditando que conhecem mais você do que você mesma. Precisamos tomar as rédeas nesse sentido e definir como serão os nossos processos baseados na nossa essência, essa apenas você conhece — pontua.
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Embora seja vista como alguém que se encaixa nos padrões estéticos ainda predominantes, Giullia tem feito um esforço consciente para ouvir as vozes ao seu redor:
— Como uma mulher considerada padrão, tenho deixado a minha escuta mais atenciosa para as mulheres que me cercam. Sei que temos dores diferentes, pesos e medidas, mas o fato de sermos mulher nos aproxima.
Nos dias em que a autoestima balança, e eles existem, a artista se permite viver essas emoções com acolhimento.
— Gosto de tomar um bom ‘banho premium’, aquele que você capricha nas etapas, escuta uma música que me conecte com a minha espiritualidade. E respeito o dia que não estou bem. Esses dias precisam ser abraçados e cuidados como você cuidaria de uma irmã, de uma amiga — observa.
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Giullia se mostra inspirada não por um ideal inalcançável, mas pela sua própria trajetória de superação e transformação.
— Me inspira saber que sou mais forte do que a menina que fui um dia. Que segui mesmo com medo. E que permaneço com um bom coração, querendo usar da maneira mais positiva minha influência. Acho que a linguagem do amor pode ser transformadora, e é com ela que eu tento seguir — declara.