Paraty, na Costa Verde do Rio, sempre esteve no coração e na mira do empresário paulista Gustavo Filgueiras, de 49 anos. CEO do Hotel Emiliano, com unidades em São Paulo e na capital fluminense, ele conta que a paixão pela cidade nasceu na infância, quando a família costumava passar férias por lá. Na época, mergulhava, velejava e pescava com o pai, Carlos Alberto Filgueiras, morto em um acidente aéreo em 2017. “Ele sonhava em fazer um hotel na região e teve a ideia no final dos anos 1990. Paraty foi o primeiro terreno que estudamos”, diz Gustavo. “Seus valores seguem vivos no projeto.”
A integração com a natureza é valor inegociável. Ainda sem previsão de inauguração, o Hotel Spa Emiliano Paraty pretende preservar 98% da área total de 450 mil metros quadrados. Serão construídas 67 cabanas de luxo, com arquitetura de baixo impacto e inspiração biofílica (trazendo a conexão dos seres humanos com a fauna e a flora). Já o spa será o pilar central da experiência dos hóspedes e incorpora a filosofia do hotel: o cuidado com o sono, com a alimentação e com os ritmos do corpo. “As cabanas se integrarão à paisagem, com vegetação preservada, árvores atravessando os deques e janelas voltadas à mata”, diz o CEO. O projeto é do escritório Norman + Foster, responsável pelo museu Carré d’Art, em Nîmes, na França, e pelo prédio da Prefeitura de Londres.
Superlativo, o empreendimento não escapou ao olhar do Ministério Público Federal. Mês passado, o órgão exigiu a anulação da licença de instalação do hotel (obtida em 27 de junho) em uma área de preservação ambiental. Enquanto aguarda os próximos capítulos, Gustavo defende a legalidade do empreendimento, o respaldo de estudos técnicos e o compromisso com os moradores da área. Otimista, prevê que o início das obras, na região do Saco dos Forros, seja dentro de um ano. “Restauramos um engenho do século XVIII e seguiremos recuperando esse patrimônio. Vamos monitorar a fauna e apoiar a fiscalização ambiental”, continua.
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Secretário de Turismo de Paraty, Eduardo Mello afirma que o novo Emiliano trará um turismo menos “predatório” à cidade. “Temos poucos hotéis de luxo, mas é um nicho de mercado que buscamos: sem agredir o meio ambiente e com herança. O empreendimento será benéfico para as comunidades do entorno e para o Estado do Rio. ”