Fazendo jus ao seu estilo, Seth Rogen recebeu as boas-vindas de Los Angeles em uma mistura perfeita de caos e comédia: pouco depois de deixar a cidade natal, Vancouver, no Canadá, em 1998, para seguir carreira em Hollywood, um único desvio no trânsito fez com que o ator, então com 16 anos, chegasse 45 minutos atrasado ao primeiro dia de filmagem da série “Freaks and Geeks”.
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– Era meu pai que estava me levando; na Ventura, virou para oeste, mas só quando chegamos à 405 é que percebemos que estávamos na direção errada – contou ele recentemente, durante entrevista por vídeo.
Depois de quase três décadas, o ator de 43 anos – que está nos seriados “O estúdio” e “Amor platônico” da Apple TV+ – passou a gostar de dirigir pela cidade, muitas vezes se aventurando em um trajeto de 45 minutos para chegar a um restaurante, o que “em Vancouver seria uma insanidade, algo completamente inédito”, admitiu.
Rogen se identifica mais com os bairros distantes do glamur e da ostentação. Na segunda temporada de “Amor platônico”, que estreou em meados de agosto, destinos como Pasadena, o Arts District e Runyon Canyon servem de cenário para as aventuras de seu personagem, Will, e a parceira, Sylvia (Rose Byrne).
– O legal da série é que ela mostra o verdadeiro contraste, ou seja, o lado menos badalado da cidade, mas que é justamente aquele onde muita gente passa mais tempo – afirma.
Hoje ele costuma frequentar o Barnsdall Art Park, em East Hollywood, e assistir a filmes no icônico TCL Chinese Theater porque acha o som de lá “incrível” e por causa dos pretzels com manteiga e sal. Também é fã do arroz frito com kimchi do Kyochon Chicken, em Koreatown – ainda que quase sempre peça para viagem.
– O bom do ambiente é que é a cara da minha sala de estar – disse, com sua risada inconfundível.
Aqui estão cinco lugares onde você pode encontrar Rogen em Los Angeles (quando não estiver jantando em casa).
Na primeira temporada de “Amor platônico”, o personagem de Rogen teve uma reunião de negócios dentro do Grand Central Market, mercado de alimentos e varejo centenário na região central, e apareceu comendo o famoso sanduíche de bacon, ovo e queijo do Eggslut. (O dono do estabelecimento disse que o ator e suas gorjetas generosas ajudaram a dar uma força ao negócio nos primeiros tempos.) Mesmo não sendo a trabalho, ainda gosta de dar uma passada.
– Quando vem um pessoal de fora levo sempre lá porque, para mim, ele capta um contraste bem legal da cidade. É um mercadão de alimentos que serve uma comida coreana (e mexicana) excepcional.
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Os gourmets de plantão conhecem bem o Holbox, restaurante mexicano criativo estrelado pelo “Guia Michelin”, especializado em frutos do mar, localizado na praça de alimentação do centro cultural Mercado la Paloma, no bairro histórico de South Central.
– Gosto de ir com minha mulher e levar os amigos de fora, principalmente os canadenses, porque eles têm um nível da culinária mexicana que simplesmente não existe em nenhum lugar em Vancouver hoje.
Embora a casa ofereça um espaço para quem prefere comprar tacos Baja para viagem, o ator gosta de jantar in loco, e pedir o menu degustação (disponível às quartas e quintas-feiras) servido pelo chef Gilberto Cetina.
– Os aguachiles são sensacionais, picantes e deliciosos.
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Antes de se mudar para o histórico Coronet Theater, na La Cienega Boulevard, em West Hollywood, o Largo – uma das melhores casas de comédia da cidade – ocupava um espaço modesto na Fairfax Avenue, a poucos quarteirões do primeiro apartamento de Rogen. Ele já tinha feito stand-up no Canadá quando era adolescente, mas nunca havia se apresentado ali.
– Eu não tinha nível para me apresentar no Largo naquela época, mesmo estando em um programa de TV – confessou.
Mas viu Zach Galifianakis, Sarah Silverman, Larry David e Bob Odenkirk no palco ao longo dos anos. O teatro é intimista, o talento é imbatível e Rogen ainda vai lá – mas fica na plateia.
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No alto das colinas atrás do Beverly Hills Hotel, o Franklin Canyon Reservoir atrai Rogen quando ele deseja entrar em contato com a natureza.
– O percurso de carro é lindo.
Com um lago amplo e tranquilo, cercado por um parque de 245 acres com pastos, lagoas com patos e trilhas para caminhadas, a área transporta qualquer morador ou visitante para longe da agitação urbana.
– Você se sente como se estivesse em um lago no meio dos cânions, mas está pertinho de Beverly Hills.
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À primeira vista, o Grove LA, complexo comercial ao ar livre movimentado e sofisticado no distrito de Fairfax, tem tudo para ser uma armadilha para os turistas – entretenimento ao vivo, um bondinho elétrico de dois andares que lembra a Disneylândia e lojas de rede –, mas também atrai os moradores locais.
– O Grove é necessário. Ontem, por exemplo, eu estava na Apple Store de lá.
Quando não está examinando os modelos novos de iPad, vai ao cinema AMC the Grove 14. No entanto, considera a feira livre da West Third Street imbatível.
– A comida lá é muito boa. Para passear também é bem divertido. Tem um mercadinho francês e um lugar para comprar vinho e ostras.
Segundo ele, o endereço não tem nada a ver com o conceito da cidade dos influenciadores, que levam os visitantes a lugares como os supermercados da moda.
– Outro dia estava vendo um vídeo no YouTube de um casal neozelandês na primeira visita a Los Angeles. Os caras sempre vão a lugares como o Erewhon.
Seth Rogen nos estúdios da Universal Studios, em Los Angeles, 30 de abril de 2016. (Elizabeth Weinberg/The New York Times)