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Coletivo leva música, dança e histórias ao Casamento Caipira da Melhor Idade, na Tijuca

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agosto 23, 2025
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No Casamento Caipira de 2024, Sluchem Cherem, com perna de pau, e o pai, Limachem, que já dividiu palco com Carequinha — Foto: Divulgação

Integrante do Coletivo Sem Ribalta, Suely Ramos, de 82 anos, encontrou no palco um espaço de liberdade que jamais imaginou ter.

— Para mim é uma experiência libertadora. Sou uma pessoa muito tímida, mas ali posso me expressar sem vergonha, porque não sou a Suely. Ali eu sou a Maria, a Joana… É uma higiene mental, uma terapia — conta.

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Aos 77 anos, ela dançou quadrilha pela primeira vez, superando um trauma que a impedia até mesmo de participar de festas familiares. Desde então, não parou mais.

É nesse clima de alegria, superação e tradição que o coletivo promove neste domingo (24), às 10h, a nona edição do Casamento Caipira da Melhor Idade, no palco Tim Maia, na Praça Afonso Pena, na Tijuca. Com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), o evento é gratuito e promete uma manhã de festa com quadrilha, pescaria, boca do palhaço e o show do Trio Pé de Ventania, que recebe a participação especial da flautista Marina Flautina. O repertório homenageia grandes ícones da música nordestina, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Elba Ramalho.

No Casamento Caipira de 2024, Sluchem Cherem, com perna de pau, e o pai, Limachem, que já dividiu palco com Carequinha — Foto: Divulgação

O espetáculo reúne atores e atrizes da terceira idade, entre 60 e 83 anos, integrantes do Sem Ribalta, que encenam o tradicional Casamento Caipira. Nesta edição, o noivo será o dramaturgo Artur Azevedo, escolhido como homenageado por sua contribuição à cultura popular. Enquanto isso, o público de todas as idades poderá se divertir com as brincadeiras juninas.

A direção é de Limachem Cherem, a marcação da quadrilha fica por conta de Ana Paula Casares, a coreografia é assinada por Simone Alves e o acompanhamento musical será conduzido por Antônio Chimarelli.

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Criado em 2016 por Sluchem Cherem, produtora cultural, artista e pesquisadora circense, o Coletivo Sem Ribalta nasceu do desejo de transformar a Praça Afonso Pena em um espaço de arte, convivência e inclusão. Criada em meio a lonas, picadeiros e bastidores, Sluchem foi palhaça ainda criança, seguindo os passos do pai, Limachem Cherem, que dividiu o picadeiro com o lendário palhaço Carequinha. A paixão pela arte e pelo riso se transformou em missão: ocupar o palco da praça, que estava ocioso, e criar um espaço democrático, inclusivo e gratuito para crianças, jovens e idosos.

— Queríamos criar um espaço acessível, sem barreiras sociais ou econômicas, que oferecesse capacitação artística e apresentações para crianças, jovens e idosos. Foi um desafio, mas a praça sempre nos pareceu o lugar ideal para isso — explica Sluchem.

Conceição Machado foi a noiva no Casamento Caipira de 2023 — Foto: Divulgação
Conceição Machado foi a noiva no Casamento Caipira de 2023 — Foto: Divulgação

Sem patrocínio fixo, o coletivo se mantém graças à colaboração da comunidade e de comerciantes locais, que ajudam com tendas, carros de som ou material de divulgação. Atualmente, o grupo conta com quatro professores fixos e oferece aulas todas as quintas-feiras, às 9h. As inscrições ocorrem uma ou duas vezes por ano, dependendo dos recursos disponíveis.

As atividades semanais incluem teatro de rua com Ana Paula Casares, improvisação e interpretação com Limachem Cherem, preparação vocal e música com Antônio Chimarelli e expressão corporal com Simone Alves. Os alunos criam seus próprios textos e participam coletivamente da construção dos espetáculos.

Além da quadrilha junina, a agenda inclui o Picadeiro na Praça, realizado todo segundo domingo do mês, com atrações circenses e teatrais para crianças; e o espetáculo de final de ano — uma espécie de formatura, em que alunos e professores concebem juntos a peça, do roteiro à cena.

A proposta de reunir apenas artistas da terceira idade trouxe desafios. Sluchem conta que muitos integrantes carregavam inseguranças e traumas, além das limitações naturais do envelhecimento. O trabalho, segundo ela, foi criar um ambiente de acolhimento, em que cada pessoa pudesse respeitar seu próprio ritmo e, ao mesmo tempo, se sentir parte de um coletivo.

— O maior desafio foi desconstruir os estigmas associados à velhice. Alguns tinham medo de subir ao palco, outros achavam que não seriam capazes de decorar um texto ou dançar. Hoje, vemos como cada um encontrou seu espaço. O teatro não só ativou memórias como devolveu autoestima, vínculos de amizade e até vontade de viver — conta.

Jonathan Cericola no palco do Coletivo Sem Ribalta — Foto: Divulgação
Jonathan Cericola no palco do Coletivo Sem Ribalta — Foto: Divulgação

A quadrilha e o casamento caipira surgiram como uma brincadeira entre os alunos, mas cresceram até se tornar parte da identidade do coletivo.

— É um momento de celebração da memória afetiva, de reencontro com tradições da infância e juventude e também uma forma de compartilhar esse legado com a comunidade — completa Sluchem.

Para muitos, o palco é mais do que um espaço artístico: é um reencontro com a vida. Entre memórias, superação e alegria, os ensaios transformam rotina em celebração.

Regina Ramiro, de 76 anos, enfrenta problemas de saúde, como asma, mas não abre mão de participar. Para ela, cada ensaio é também uma viagem ao passado:

— Viver é movimento, e cada ensaio me faz lembrar das festas juninas da minha juventude. Estou muito empolgada.

Maria José Barbosa, de 78 anos, celebra seu retorno ao grupo após um período afastada e reflete sobre a importância de se sentir parte do coletivo.

— A melhor coisa do mundo é estar no palco na minha idade. No ano passado fiquei impossibilitada de participar e recebi muito incentivo para voltar. Hoje estou aqui e muito feliz — diz.

O coletivo apresentou, em 2024, a peça “No palco não tem idade” — Foto: Divulgação
O coletivo apresentou, em 2024, a peça “No palco não tem idade” — Foto: Divulgação

A professora Ana Paula Casares, responsável pela preparação do grupo, explica como cada atividade é pensada para respeitar o ritmo e as necessidades de todos:

— Fazemos exercícios coletivos e brincadeiras para criar entrosamento. Adaptamos cada atividade de acordo com a mobilidade e a necessidade de cada participante. O mais importante é que cada um se desenvolva como ser humano dentro do coletivo. Hoje, por exemplo, eu me emocionei com uma pessoa que não sabe ler nem escrever se descobrindo artista. Não buscamos o melhor ator, mas que cada integrante se expresse, se relacione e se coloque em cena.

O diretor Limachem Cherem, de 69 anos, reforça a dimensão transformadora do teatro para a terceira idade:

— Temos alunos que voltaram a ter vontade de viver depois de se descobrirem artistas. O teatro ativa a memória, cria amizades, gera autoestima e até forma casais. Para eles, é mais do que arte: é vida. O Casamento Caipira homenageia Artur Azevedo, mas também celebra a força, a alegria e a importância da terceira idade na cultura.

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— Chegar aos dez anos, sem patrocínio fixo e com muitos profissionais atuando de forma voluntária, será uma conquista enorme. Queremos reunir artistas que já passaram pelo coletivo, oferecer oficinas e apresentações especiais. Será uma festa de agradecimento à comunidade e a todos que ajudaram a manter o projeto vivo — adianta Sluchem.

Enquanto isso, no presente, a Praça Afonso Pena se prepara para receber mais uma edição do Casamento Caipira da Melhor Idade, um encontro em que crianças aprendem com os mais velhos, e os mais velhos descobrem novas formas de viver.

— O mais velho ensina, o mais novo aprende, e o contrário também. E todos se divertem. É tradição e modernidade caminhando juntas — resume a professora Ana Paula.

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