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Com Fernanda Torres no júri, Festival de Cinema de Veneza começa hoje com foco em questões globais

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agosto 27, 2025
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Diretor do Festival de Cinema de Veneza, Alberto Barbera elogiou longas que ficaram de fora da edição 2025 — Foto: Stefano RELLANDINI/AFP

Ano passado, o Festival de Veneza deu boas-vindas ao erotismo e ao sexo, explorado em suas diferentes expressões nos filmes da programação, depois de anos de abstinência na tela grande — até Nicole Kidman saiu premiada por sua performance em “Babygirl”, thriller pontuado por encontros tórridos. Este ano, as fantasias e dramas envolvendo a sexualidade parecem ter cedido ao peso de questões bastante atuais, que afetam a sociedade de forma coletiva. É o que entende Alberto Barbera, diretor artístico da mostra italiana, a mais antiga do mundo (além de pontapé inicial da temporada do Oscar), que tem sua 82ª edição começando nesta quarta-feira (27) com a sessão de gala de “La grazia”, o novo longa-metragem do diretor italiano Paolo Sorrentino, diretor do premiado “A grande beleza (2013).

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— Estamos vendo nesta safra o retorno ao cinema do real, inspirado nos temores que sentimos hoje. Muitos dos filmes que selecionamos lidam com problemas contemporâneos e suas consequências, como as guerras na Ucrânia e na Palestina, o recrudescimento de ditaduras modernas, o medo das armas nucleares — diz Barbera, que está à frente da curadoria da maratona italiana desde 2012, em entrevista ao GLOBO. — Tenho a impressão de que os cineastas estão tendo a sensibilidade de falar da natureza dos tempos difíceis que atravessamos, voltando com filmes que nos ajudam a entender o mundo em que vivemos agora.

Barbera indica como exemplos dessa tendência produções como “A house of dynamite”, drama político ambientado nos bastidores da Casa Branca, dirigido pela americana Kathryn Bigelow (ganhadora do Oscar por “Guerra ao terror”, de 2008), que, segundo ele, fala do medo de uma agressão nuclear. Outro título de destaque da competição nesta linha realista é “Le mage du Kremlin” (“o mago do Kremlin”, em tradução livre), do francês Olivier Assayas, que descreve a ascensão ao poder do presidente russo Vladimir Putin, interpretado por Jude Law. Há também filmes que falam de ditadores do passado, como Benito Mussolini, Muamar Kadafi e Adolf Hitler.

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— São filmes que tentam ajudar o público a fazer uma nova abordagem, mais complexa, das notícias sobre a situação do mundo que costumamos receber diariamente, oferecendo diferentes perspectivas e atitudes em relação aos fatos narrados — diz o diretor artístico, destacando a importância dos documentários nesta temporada. — Há mais cineastas investindo no gênero, porque há um forte interesse do público por bons documentários. Vale mencionar filmes como “Cover-up”, o novo documentário de Laura Poitras, exibido fora de competição, que é uma forma de contar a história do outro lado da suposta democracia dos Estados Unidos na segunda metade do século XX. Ou mesmo “Nuestra tierra”, da diretora argentina Lucrécia Martel, sobre o massacre de líderes indígenas em seu país.

Diretor do Festival de Cinema de Veneza, Alberto Barbera elogiou longas que ficaram de fora da edição 2025 — Foto: Stefano RELLANDINI/AFP

A programação deste ano no festival, que vai até o dia 6 de setembro, é extensa e inclui tanto diretores queridinhos do circuito do cinema de arte quanto estrelas de Hollywood.

A disputa pelo Leão de Ouro inclui títulos como “Jay Kelly”, dirigido por Noah Baumbach e estrelado por George Clooney, Adam Sandler e Greta Gerwig (diretora de “Barbie”, o filme sensação do verão americano de 2023). Há lugar também para releituras de universos fantásticos, como “Frankenstein”, de Guillermo del Toro (vencedor da edição de 2017 com “A forma da água”, que o levou à vitória no Oscar), versão para o clássico da escritora Mary Shelley, estrelado por Jacob Elordi e Oscar Isaac, e “Father mother sister brother”, de Jim Jarmusch, cultuado veterano pela primeira vez competindo em Veneza.

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  • Julia Roberts, Kim Novak e Annie Ernaux
      • Com Fernanda Torres no júri, Festival de Cinema de Veneza começa hoje com foco em questões globais

Julia Roberts, Kim Novak e Annie Ernaux

Há ricas contribuições também fora do páreo principal, pontuando as diferentes mostras paralelas. O incensado diretor italiano Luca Guadagnino (“Me chame pelo seu nome”) exibirá “After the hunt”, no qual Julia Roberts interpreta uma professora universitária envolvida num conflito entre dois de seus alunos, que poderá trazer à tona um capítulo obscuro de seu passado. A veteraníssima atriz Kim Novak, mundialmente conhecida por seu papel duplo em “Um corpo que cai”, de Alfred Hitchcock (1958), sairá da reclusão para promover o documentário biográfico “Kim Novak’s Vertigo”, de Alexandre Philippe, e receber o Leão de Ouro especial pelo conjunto de sua carreira, que ela abandonou ainda nos anos 1980.

Até a discreta escritora francesa Annie Ernaux vai se expor aos holofotes do festival para discutir “Écrire la vie”, documentário de Claire Simon que examina o impacto da obra da vencedora do Prêmio Nobel de Literatura nas escolas francesas.

Fernanda Torres com Alberto Barbera, diretor do Festival de Veneza — Foto: Reprodução/Festival de Veneza/Jacopo Salvi
Fernanda Torres com Alberto Barbera, diretor do Festival de Veneza — Foto: Reprodução/Festival de Veneza/Jacopo Salvi

Não há filmes brasileiros na competição oficial, mas o cinema nacional estará representado por Fernanda Torres, que integra o júri internacional presidido pelo cineasta americano Alexander Payne. É o retorno da atriz carioca ao festival que, ano passado, deu o prêmio de melhor roteiro (Murilo Hauser e Heitor Lorega) ao drama “Ainda estou aqui”. Foi o início da vitoriosa trajetória do filme de Walter Salles no Globo de Ouro, disputa da qual Fernanda saiu com o prêmio de melhor atriz dramática, e no Oscar, que deu ao país a sua primeira estatueta de melhor filme internacional. Ela terá como companheiros de colegiado nomes como Mohammad Rasoulof, que ganhou o prêmio do júri do Festival de Cannes de 2024 com “A semente do fruto sagrado”.

— Originalmente, havia pensado em convidar o Walter Salles, mas ele está trabalhando num novo projeto (a série documental “Sócrates Brasileiro”, sobre o ex-jogador de futebol) e sugeriu: “Por que você não convida a Fernanda?” — conta Barbera, que acatou a dica sem pestanejar. — No início, ela ficou surpresa com o convite, demonstrou receio por nunca ter participado de um júri antes, mas a convenci de que ela tinha experiência para isso. Fico feliz de tê-la aqui este ano porque, como você sabe, a Fernanda era a favorita tanto do público quanto da crítica para o prêmio de interpretação feminina. O convite para o júri é uma espécie de recompensa por ela não ter ganhado ano passado o troféu que merecia.

Fernanda Torres postou em suas redes sociais um registro a bordo de um barco em Veneza:

— Um ano atrás eu estava aqui com o filme, e agora ainda estou aqui — brincou, fazendo uma referência ao título do filme de Salles.

Diferentemente de anos anteriores, impactados pela pandemia de Covid e pela greve de atores de Hollywood, Barbera e seu time de curadores não tiveram grandes problemas para montar a programação de filmes. Ele afirma ter assistido a 90% das produções que estariam prontas no outono do Hemisfério Norte. O único longa que ficou de fora de seu alcance foi “One battle after another”, de Paul Thomas Anderson, com Leonardo DiCaprio e Sean Penn. A Warner Brothers, que detém os direitos do filme, “nunca deu uma resposta clara sobre o convite de Veneza”, mas Barbera acredita que a decisão partiu do próprio Anderson, que não mostra seus filmes em festivais desde “O mestre”, com o qual ganhou os prêmios de direção e atuação masculina (Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix).

— O grande problema para nós, selecionadores, este ano, foi a abundância de bons filmes, de boas histórias. Tivemos que deixar alguns de fora — diz Barbera, confirmando que “Rosebush pruning”, a versão de “De punhos cerrados” (1965), do italiano Marco Bellocchio, dirigida pelo brasileiro Karim Aïnouz e protagonizada por um elenco que inclui Pamela Anderson, Elle Fanning e Jamie Bell, esteve em seu radar. — Depois de muitas conversas, decidimos não convidar o filme. A safra esteve muito boa e nos vimos obrigados a fazer escolhas difíceis.

A disputa por filmes entre os grandes festivais costuma ser feroz. Barbera lembra que teve a oportunidade de assistir a “Anora” na mesma época em que os curadores do Festival de Cannes, no início do ano passado. Ele adorou o filme de Sean Baker, tentou convencer o diretor e seus produtores a guardá-lo para competir em Veneza, mas “depois de longas discussões eles decidiram por Cannes, e então acabaram ganhando a Palma de Ouro e depois o Oscar, o que é justo”. A questão que se apresenta agora, com o início da temporada de prêmios, é se o festival italiano vai retomar a dianteira como plataforma para o prêmio da Academia americana, dominada pelo festival francês no ano passado.

O último filme vencedor do Leão de Ouro a ganhar o Oscar foi “Nomadland”, de Chloé Zhao, na edição de 2020.

— Veremos o que acontecerá este ano. Temos ótimos filmes com potencial de uma carreira extraordinária na temporada de prêmios, mas é sempre muito difícil prever qual chegará ao Oscar — diz Barbera. — Até porque uma indicação ao Oscar nem sempre está relacionada à qualidade do filme em si, mas também depende de muito esforço de promoção, de apoio financeiro, essas coisas. O vencedor do Oscar nem sempre é o melhor filme da temporada, como já provaram no passado.

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