BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Leandra Leal: ‘Envelhecer é uma dádiva’

BRCOM by BRCOM
agosto 27, 2025
in News
0
Leandra Leal — Foto: Guito Moreto

O thriller tragicômico, ambientado no universo do jogo do bicho e das escolas de samba, marca a volta da parceria da atriz com o diretor, que rendeu o longa “O lobo atrás da porta” (2013). Longe dos estereótipos que associa a criminalidade à periferia, o filme coloca a câmera dentro da casa dos bacanas que lucram com a violência para contar uma história inspirada em “Macbeth”, de Shakespeare, sob a perspectiva de Lady Macbeth.

Com o mesmo cineasta, Leandra rodou ainda “Emergência radioativa”, série inspirada no trágico acidente com Césio, em Goiânia, 1987. A atriz de 42 anos se prepara agora para filmar “Antártida”, longa dos Estúdios Globo, que promete inaugurar uma tecnologia inédita no Brasil, e para voltar às novelas, em “Coração acelerado”, que sucede à “Dona de mim”.

  • Alexandre Nero. Assista à entrevista do ator no ‘Conversa vai, conversa vem’
  • Gente como a gente. ‘Sou um cidadão brasileiro como outro qualquer’, diz Tony Ramos

Em entrevista ao videocast ‘Conversa vai, conversa vem’, no ar no canal do GLOBO no Youtube e com episódios disponíveis no Spotify, a atriz de 42 anos, mãe de Julia, de 11 anos, e Damião, de 1, conta que a maternidade potencializou sua carreira, fala dos desafios de criar uma filha preta numa sociedade racista e diz que um filme curou a “relação simbiótica” com a mãe, a também atriz Ângela Leal.

Leandra Leal — Foto: Guito Moreto

Em ‘Coração Acelerado’, próxima novela das 19h, você será Zilá, uma divertida vilã country, universo fascinante, não é?

Acho o feminejo muito maneiro, a presença feminina no sertanejo, que também não é de agora, porque tem Roberta Miranda, e muitas outras… Mas essa presença de agora, de enfrentamento com a figura masculina, de não se colocar como objeto, mas como uma pessoa que deseja, que rompe com lugares que o homem coloca a gente, de musa, frágil, ou como aquela filha da puta que o deixou… Sou fã da Marília Mendonça e esse é um universo que eu curto muito.

A novela é escrita por mulheres, Isabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento. Como criadora, vê diferença nas narrativas conduzidas por mulheres?

Tem assuntos que, quando são falados por uma mulher, a abordagem é diferente. A profundidade, o olhar. Isso também abre portas para outras mulheres, porque tem coisas que só mulheres enxergam mesmo. Tipo: tem mulheres nesse set? Elas estão sendo bem tratadas ou estão sofrendo assédio, abuso? Como é o clima dessa produção? Como tratam outras mulheres que são mães? Ter uma mulher numa posição de liderança dá luz para tudo isso.

Julia está com 11 anos, Damião, com 1. Se sentiu acolhida nas duas voltas ao trabalho? Foi diferente nesse espaço de tempo?

Fui muito acolhida por uma mulher com quem estava trabalhando e fez muita diferença para mim. Já sofri com um diretor que não deu a mínima. Mas isso não é uma regra, outros foram receptivos, há homens sensíveis. Mas as mulheres geralmente têm mais abertura.

  • Carolina Dieckmmann: ‘Acho bobo pensar que envelhecer é ter menos colágeno’, diz atriz
  • Alice Wegmann: Assista à entrevista da atriz no ‘Conversa vai, conversa vem’

Virou uma atriz diferente depois das experiências na direção?

Depois que dirigi ficção, sou uma atriz melhor. Tenho muito mais consciência do processo, uma visão melhor de como posso contribuir artisticamente, mas também de postura. Fiquei com um desapego maior como atriz. Sempre tive um discurso assim: “Meu irmão, e depois?” Porque a ilha de edição é uma reescrita, se reescreve o que se filmou. Depois de ter montado uma ficção, vejo que quem está na ilha de edição está fazendo o melhor para aquilo ali existir e com uma visão do todo melhor. Você fica mais generosa, com esses outros olhares, confiando no processo. Emocionalmente, fiquei mais tranquila, com mais consciência do que me cabe nesse latifúndio.

É muito delicada a forma como abordam luto, saúde mental, experiência com drogas e sexualidade na série “A vida pela frente”, que idealizou, dirigiu e está disponível no Globoplay. Tem muito da sua adolescência ali?

Bastante. Tive experiência de luto com uma amiga… Perdi tanta gente na adolescência.. Perdi meu pai, avó, a primeira geração da Aids, toda muito próxima da minha mãe. A morte foi algo que me forjou. Perder alguém nessa idade divide muito a vida. É uma idade em que a gente se acha imortal.

É uma série que se passa na virada do milênio, há muito pouco tempo, e tudo mudou tanto…

Naquela época, não se falava tanto sobre saúde mental quanto se fala hoje, mas já era um assunto. Me preocupo com o nível de ansiedade e de medo que a sociedade está. As crianças absorvem. Sou super a favor de tecnologia, mas como essas ferramentas entraram na vida das crianças e dos adolescentes é punk. Porque não estão se formando em diálogo. As redes não permitem que desenvolvam habilidade social, interpessoal. Dão a ilusão de que estão relacionando. Mas não estão aprendendo sobre o outro, sobre o limite do outro. Acho que rede social vai ser proibido para crianças e adolescentes. Tipo cigarro.

A série marcou seu primeiro trabalho de atuação ao lado da sua mãe, Ângela Leal, sobre a qual você rodou um filme. Como foi essa experiência?

A gente tinha contracenado muito rápido em alguns trabalhos. Minha mãe teve câncer no fígado em 2017, e ali ela falou: “Me aposentei, não quero mais, não tenho mais controle do meu corpo e, para ser atriz, preciso disso!”. Rolou a pandemia, e eu pensei: “Não acredito que minha mãe não vai me conhecer em cena. É a pessoa que me formou artisticamente…”. Conhecer alguém em cena é de uma intimidade…. Era quase como se não me conhecesse adulta. Isso foi brutal. Pensava: “O que vou inventar?” Veio a pandemia, ela era grupo de risco e foi pra Búzios. E pensei: “E se a gente fizesse um filme?”. Achei “Esperando Godot”, que tinha a ver com tudo, e já cheguei com equipamento. Fizemos um documentário.

  • Camila Pitanga. ‘Não escondo o tempo no meu rosto’, diz atriz em entrevista ao ‘Conversa vai, conversa vem’

E o filme salvou vocês em meio àquela tristeza toda?

O filme salvou a gente, transformou a minha relação com a minha mãe. A gente se ama, mas são essas relações doidas, simbióticas de mãe e filha que são atrizes, que têm muitas projeções e expectativas. Deu uma curada e uma mudada na nossa relação. A partir disso, ela falou: “Acho que ainda posso atuar em alguma coisa”. Foi quando começou a melhorar a pandemia, e fomos rodar “A vida pela frente”.

Sua mãe te criou sozinha, com a casa repleta de amigos. Como foi ver a luta dela para viver, te criar, administrar o Teatro Rival, herdado do seu avô?

Inspirador. Ser mulher, querer ocupar um cargo de liderança, não ter vergonha de ser ambiciosa, não ter vergonha de querer contar suas histórias e dizer “eu posso”, é algo que eu vi na minha mãe. Ela não titubeou com a vida, matou no peito e foi. “Ah, é isso, uma filha sozinha? Um teatro para administrar? Uma carreira? O Centro do Rio está abandonado? Vamos fundar a Associação de Amigos da Cinelândia! Não tem água? Vamos bater na porta do prefeito”. Fui criada por uma geração de mulheres amigas dela, como Bete Mendes, Denise Dumont, Tamara Taxman, à frente do seu tempo mesmo, que não dependiam de ninguém.

Já usaram para você o termo nepobaby? Acha justo esse estigma?

Nepobaby é ser filho de alguém famoso que seguiu a mesma carreira que você? Eu sou nepobaby! (risos). É possível alguém que é filha de uma atriz que é atriz também não ter isso? Gente, é a vida! Uma coisa é ter as portas abertas, outra é não fazer nada para essas portas continuarem abertas. Trabalho pra caralho, estudei muito, estou comprometida. Não sou acomodada, não sou uma pessoa que senta nos meus privilégios. Pelo contrário! Sou consciente deles. Sou nepobaby no sentido de ter uma mãe atriz, ser atriz e ter tido portas abertas, mas continuei abrindo.

Você sempre escolheu muito bem os personagens que fez. Queria saber dos seus critérios, do quanto isso é feeling e do quanto é fruto do privilégio da escolha de quem não precisou aceitar tudo que lhe propuseram para sobreviver…

Tive sorte de ter feito “A ostra e o vento” (filme de Walter Lima Jr, 1997). Isso ditou o início da minha carreira, e não teve nada de nepobaby, tive que fazer teste. Aquele filme mostrava o potencial que eu poderia ter e começaram a me chamar para papéis complexos desde muito jovem. Isso foi abrindo a minha carreira. Mas já fiz coisa não tão genial assim… Gosto de atuar, me divirto, mesmo em coisas que não foram incríveis, eu aprendi. Como escolho? Pensando no que vou aprender com o personagem ali e nas pessoas com quem vou trabalhar. Os encontros são importantes. A gente espera muito! Com quem vou dividir grande parte do tempo? É importante estar com pessoas astral.

Como disse, é uma atriz profunda. Também é gata e sexy. Mas conseguiu fugir do lugar dos papéis sexualizados. Em “Justiça” flertou com uma personagem que explorava algo mais sensual. Gostou de se ver nesse lugar?

Até fiz papéis nesse lugar, mas acho que não depende do papel. Talvez, porque eu não seja uma pessoa que fique forçando (sedução) isso, vida pessoal, nas redes sociais. Em “Justiça” foi divertido estar no lugar do padrão do corpo mais sarado. Mas em “Justiça 2” também fui gata, gostosa sem ser do corpo padrão. E isso foi um ganho pra mim… O de não estar nesse lugar e continuar a ser esse lugar, entende?

Sim. Até porque, as questões com o corpo, a luta com a balança, como já definiu, sempre atravessaram a sua vida… Tá gostando mais de você? O que foi fundamental para se libertar dessas cobranças?

Envelhecer é uma dádiva, né? Se tivesse a minha cabeça com 17 anos… Aprendi a ser grata à vida, que é uma experiência dentro de um corpo. Foi um insight que veio na pandemia: “Cara, eu sou saudável e além disso, meu corpo me dá prazer”. Isso é um milagre! Engravidar depois também foi uma experiência fantástica, a coisa biológica, física. Nasci nos anos 1980, e nos anos 1990, na minha adolescência, havia uma pressão estética muito forte em cima do feminino. Do peso, do cabelo. É muito doido, porque eu sou padrão: uma mulher branca, de olho claro. E sentia esse peso. Imagina quem não é? Que sociedade cruel com as mulheres! Existia a pressão de ficar muito magra. “Ah, o vídeo engorda cinco quilos, então, tem que estar 10 a menos”. Ouvi muito que tinha que emagrecer. Jovem, eu falava “tá bom”. Algumas vezes, obedeci. Outras, não, o que é uma estratégia feminina que a gente aprende né? Dizer “tá bom” e não fazer.

Está feliz com seu corpo hoje?

Hoje, tô bem com meu corpo. Ainda numa busca. Tive um final de gravidez complexo, de pré-eclâmpsia. No final, engordei muito. Ainda estou nessa pra saúde. E me comprometi que não ia voltar desesperada. Tô amamentando ainda, meu filho está com um ano, então, tipo, calma. Tô fazendo exercício, a dieta que eu consigo.

Você é marrenta, e eu me identifico. E também é muito desconfiada. O que te faz ficar tão na defensiva em entrevistas?

Sou desconfiada, virginiana e tímida. Tenho um mundo interno muito maior do que o externo. Me dou bem na multidão, gosto de ser mais uma. Carnaval é incrível para mim por causa disso. Não gosto de ficar falando da minha vida. Ter que dar opiniões sobre as coisas me cansa um pouco em entrevistas. Acho que isso não faz bem nem pra mim nem para quem vai ler.

Como gestora, como vê essa dificuldade em explicar ao público como funciona o financiamento cultural?

Existem muitas narrativas contrárias, que criminalizam os mecanismos. A gente tem sempre que ficar dizendo: “Isso não é verdade”. Sabe outra coisa que eu sou? Eu não tenho paciência! Esse lugar da Lei Rouanet, de as pessoas não entenderem como funcionam os mecanismos, me tira a paciência. É tanta fake news… É simples: a gente gera mais emprego que a indústria farmacêutica. Se uma montadora de carro vem para o Rio, o governo vai falar: “Vem, vai gerar emprego! Vou te dar uma isenção de imposto”. E há fábricas que são isentas de imposto por 30 anos. A gente é a mesma coisa. É um setor da economia que precisa de estímulo.

E, além de gerar emprego, há coisas subjetivas importantíssimas. O que é um povo sem cultura, sem identidade? A cultura é um setor estratégico. Olha o que está acontecendo com a Coreia do Sul. Investiu em cultura, ganharam Oscar, fizeram o K-pop, Dorama. Quanto valem, hoje, artigos da Coreia? O quanto de retorno financeiro rende para o país? Minha filha canta música em coreano. Isso foi o quê? A cultura! É mais barato investir em cultura do que em armamento para dominar, dentro nessa lógica capitalista.

Os Estados Unidos fizeram isso durante muito tempo com o cinema, né?

Exatamente. Investir em cultura é investir na sua soberania, palavra que está na moda. Nosso cinema, agora, está num momento muito bom. Ganhamos o Oscar no carnaval, isso é muito simbólico. Chorei tanto. Quatro anos atrás, estava sendo criminalizado e, de repente, está devolvendo um sentimento de nação, sabe? A gente está dando check em todos os grandes festivais, voltando a ter números de bilheteria, isso prova o quanto política pública dá resultado. Muitos cineastas começaram suas carreiras com editais. Estamos colhendo o que foi plantado. Espero que siga assim.

‘Ser mãe me potencializou. A maternidade é o que mais me transformou na vida’

Sua filha, Julia, de 11 anos, chegou após um processo de adoção de três anos. Damião, de 1, depois de uma gravidez biológica. Como essas experiências se encontram?

Cada filho é um filho. Com Julia, eu tinha 33, agora, tenho 42. Há uma diferença grande de quem eu era para quem eu sou agora. Acho que toda mãe de dois fala isso, mas, honestamente, não tem diferença. Essa fase inicial é muito mágica. Esse amor que parece paixão, que se fica longe, dói. Eu amo ser mãe. A gente vive tão acelerada que ser mãe, para mim, é uma atividade meditativa, me conecta com o presente. Sei que é um privilégio. Tenho a possibilidade de ter tempo de me dedicar aos meus filhos. Meus filhos potencializaram minha carreira, isso é um privilégio pra uma mulher. Julia me fez ficar sagaz com o que queria dizer, ficar mais fina nas minhas escolhas. Querer dirigir tem muito a ver com a chegada dela, me deu essa guinada. Ser mãe me potencializou. A maternidade é o que mais me transformou na vida, que me alarga. Meu filhos são o maior combustível que tenho para estar viva e querer transformar o mundo. O quanto me alimenta contemplar Julia e Damião existindo. Sou filha única, queria muito que minha filha tivesse o amor de irmão que eu não tive. A relação deles é emocionante.

Como é criar uma filha negra numa sociedade racista e um menino branco consciente de seus privilégios? Que ferramentas procurar trabalhar nela para que se proteja? Já enfrentou situações de racismo que sequer imaginava?

As situações de racismo são inimagináveis. Muito cruéis. Isso atravessa a minha maternidade de uma forma muito difícil. Porque eu não tenho a mesma experiência que ela, sou branca, mas compartilho dessa dor. O que faço diariamente é fortalecer a autoestima dela, dar a consciência de que isso é um problema social e não dela, ferramentas para ela conhecer a história, a vida, e ter clareza de quem ela é. Mostrar que tem uma família, uma mãe que está ao lado dela. Minha família está tão treinada, envolvida, comprometida nesse flow. Mas tem que estar atento o tempo inteiro. A branquitude tem que estar atenta aos seus privilégios, a como se beneficia deles. Porque faz parte do desmonte disso, cortar esses mecanismos, fazer a diferença nos lugares em que se está, abrir a porta para outras pessoas.

A revisão da História também é importante e você se tornou sócia da primeira escola afro-brasileira no Rio. Qual é o norte da proposta educacional?

A escola Maria Felipa é a primeira escola afro-brasileira registrada no MEC. Foi fundada pela Bárbara Carine, em Salvador. E Maju Passos. Um projeto feito a partir da maternidade da Barbara, mulher negra, intelectual. Ela se torna mãe, procura escolas e vê que a filha dela vai passar pelas mesmas violências que ela passou quando criança. Então, funda essa escola, com projeto antirracista, decolonial. Que trata os marcos fundadores da sociedade brasileira, europeia, africana e indígena, com igualdade. As pessoas falam: “E não vai ter criança branca?”, “Não se ensina a história da Europa?” Ensina, mas com igualdade com a história africana e com a história indígena. Que são tão importantes para a formação do nosso povo. Conheci essa escola a partir de uma busca que eu fiz para a Julia. Só existia em Salvador. Quando Bárbara diz que vem para o Rio, me ofereço para estar junto do projeto. É desafiador porque é uma escola particular, mas que tem um compromisso social muito grande. 20% é de bolsa. Tem bolsa de 50% também para crianças negras e indígenas. É em Vila Isabel, estamos com educação infantil e crescendo.

Você tem vontade de adotar de novo, apesar do processo longo e burocrático?

É uma lei que protege bastante a criança. Ser mãe e pai é uma parada séria. Adotar é uma parada bem séria. A lei da adoção no Brasil é incrível. Poderia ter mais célere, ter mais gente trabalhando no processo, mas é um processo gratuito, super transparente, muita gente série envolvida, há assistentes sociais, psicólogas. Se eu fosse mais nova, teria quatro filhos. Queria engravidar e adotar de novo.

Como já me disse em outra entrevista, só existe uma forma de ser mãe e pai de uma criança: é amando, criando e educando.

Adotar é mágico. É lindo reconhecer a sua filha. Falo que a adoção é um amor incondicional escolhido. Às vezes, falar isso é uma romantização. Nos processos de adoção e biológicos tudo é muito difícil. É uma construção diária. Há puerpérios conturbados… Entrar no mar não é fácil, mas nadar é uma delícia. Adoção é uma construção de estar conhecendo aquela criança, da confiança. É um processo de adoção mútuo. Minhas histórias são bonitas, mas não quero que sejam uma opressão para ninguém, sabe? Pode ser que não aconteça com você, mas isso não quer dizer que não está dando certo. Há histórias lindas de famílias que não tiveram esse match inicial, foram construindo e… rolou! Para ser pai e mãe, independente se é biológico ou adotado, tem que ter disponibilidade, abertura de tempo, espaço emocional.

A luta pela naturalização da adoção é uma batalha constante no sentido de ainda haver a idade do filho de criação?

Tem isso, sim. É uma coisa enraizada na adoção brasileira. Uma coisa boa da interne é o fortalecimento da diversidade de famílias. Quais são os padrões para considerar uma família? Pra mim, família é amor, comprometimento, lealdade. A adoção é mais uma via. Isso não é uma bandeira minha, isso é quem eu sou. Minha família é assim. Sou grata à possibilidade disso ter existido na minha vida.

Qual a importância de os filhos verem uma mãe fazendo o que gosta, feliz no trabalho? Porque a sociedade também joga isso na gente, né, ninguém fala de culpa paterna…

Até a Julia chegar, o sol da minha vida era o trabalho. Depois, isso se dividiu. Agora, com o Damião, se dividiu de novo. Priorizo meus filhos e isso não é pesado para mim. Tem a ver com a idade com que fui mãe, mais velha. Realizei muita coisa antes. A ansiedade que eu tinha com trabalho aos 20 e poucos anos…. Queria conquistar o mundo, escrever milhões de coisas. Agora, é, tipo, “calma aí, tá tudo bem”. O importante é estar em paz. O importante não é só o que está conquistando, mas o que você é conquistando isso. A maternidade me preenche muito. Mas agora vou fazer esse filme aí, “Antártida”, com uma tecnologia fenomenal…

Leandra Leal: ‘Envelhecer é uma dádiva’

Previous Post

Com Fernanda Torres no júri, Festival de Cinema de Veneza começa hoje com foco em questões globais

Next Post

'Batalha do lip sync' tem futuro definido no 'Domingão com Huck'

Next Post
'Batalha do lip sync' tem futuro definido no 'Domingão com Huck'

'Batalha do lip sync' tem futuro definido no 'Domingão com Huck'

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.