O presidente dos EUA, Donald Trump, presidiu uma reunião com foco nos planos para a Faixa de Gaza ao final da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas nesta quarta-feira, em um encontro tratado por interlocutores da Casa Branca como “uma simples reunião política”. Enquanto Trump discutia com o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e Jared Kushner, seu genro e ex-assessor durante o primeiro mandato, uma segunda reunião acontecia em Washington, no Departamento de Estado, entre o chefe da diplomacia do governo americano, Marco Rubio, e o chanceler israelense, Gideon Saar — em um momento que as Forças Armadas do Estado judeu fecham o cerco à Cidade de Gaza e afirmam que uma retirada da população civil é “inevitável”.
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Uma fonte da Casa Branca ouvida em anonimato pela agência Reuters afirmou que Trump e os seus convidados discutiram uma série de temas ligados a Gaza, incluindo formas para intensificas a entrega de alimentos no enclave e a crise dos reféns israelenses que permanecem em cativeiro, além dos planos para o pós-guerra.
Os interlocutores do presidente têm experiências prévias com o enclave palestino. Blair, além de seu contato político com a questão regional enquanto foi o premier britânico, manteve participação nas negociações sobre a região. No mês passado, ele manteve conversas com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Kurshner, por sua vez, é uma das figuras do círculo próximo de Trump que já defenderam publicamente a ideia de criar uma Riviera em Gaza.
A Casa Branca não divulgou nenhum comunicado logo após o fim da reunião. Uma outra fonte ouvida pela Reuters não tratou especificamente sobre nenhuma posição esboçada pelo presidente durante o encontro, mas disse que o republicano “deixou claro que quer o fim da guerra e que deseja paz e prosperidade para todos na região” em ocasiões passadas, acrescentando que a Presidência não tinha nenhum comentário novo sobre o assunto.
Gaza também foi assunto em uma reunião que ocorreu quase em paralelo em Washington, entre Rubio e Saar. O gabinete do chanceler israelense afirmou que os dois discutiram os “desafios e oportunidades no Oriente Médio”, incluindo “a questão do Irã”, após a cooperação dos países durante o ataque às instalações nucleares do país, “a guerra contra o Hamas em Gaza” e “os debates na Assembleia Geral da ONU no próximo mês”.
Em um comunicado, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que os dois “discutiram questões-chave em Gaza, no Líbano e na Síria”. Rubio teria destacado a “importância de combater a influência maligna do Irã”.
Os contatos diplomáticos nos EUA acontecem um momento em que as Forças Armadas israelenses apertam ainda mais o cerco à Cidade de Gaza, que as autoridades do país já afirmaram que será invadida em breve.
A evacuação da Cidade de Gaza é inevitável (…) cada família que se deslocar para o sul receberá a mais generosa ajuda humanitária possível”, escreveu na rede social X o porta-voz de língua árabe do Exército, Avichay Adraee.
Em solo, moradores do bairro de Zeitoun relataram bombardeios noturnos intensos, e um cenário de destruição de várias casas.
A situação na principal cidade do enclave palestino é catastrófica. Todos os países do Conselho de Segurança da ONU, a exceção dos EUA, aprovaram nesta quarta-feira uma resolução confirmando que a situação de fome identificada em Gaza é provocada por ação humana — neste caso, a interferência israelense, segundo um relatório divulgado na semana passada. (Com AFP e NYT)