A Eagle Football Holdings alegou, em petição protocolada na Justiça do Rio no início da noite desta quarta-feira, que já pagou a dívida de R$ 152 milhões cobradas pela SAF do Botafogo e pediu a extinção do processo em que o clube cobra o pagamentos dos empréstimos. Na mesma petição, a Eagle também pediu que seja revogada a decisão que arrestou as ações da holding na SAF, impedindo mudanças societárias e mantendo Textor à frente da operação.
Segundo o documento, o processo de cobrança da dívida ajuizado pela SAF “é reflexo da confusão contábil instaurada pelo Sr. Textor nas relações intercompany, enquanto ainda estava na gestão em todas as frentes. Assim, ao mover execuções não lastreadas e inseridas em uma confusa contabilidade única, o Sr. Textor procura se servir dos processos para pressionar a Eagle Bidco e, com isso, se encastelar no poder pelo tempo que conseguir”.
No processo, a Eagle também anexou uma série de comprovantes de pagamento à SAF do Botafogo feitos tanto pela Eagle quanto pelo Lyon.
“Os pagamentos foram efetuados pela Eagle Footballe pelo Olympique Lyonnais e, com isso, foi extinta a dívida da Eagle Bidco tal como prevista nos títulos objetos da Execução. Ademais, os nove contratos de câmbio ora apresentados para comprovar o pagamento dos Mútuos foram pactuados pela própria SAF Botafogo com o TRAVELEX BANCO DE CAMBIO S.A., sendo suficientes para atestar o pagamento das obrigações. Até porque a própria SAF Botafogo apresentou contratos de câmbio na Execução para comprovar a transferência dos valores em favor do Olympique Lyonnais”, afirma a Eagle.
No fim de julho, a SAF entrou com uma ação contra a Eagle cobrando uma dívida vencida de R$ 152,5 milhões, referente a empréstimos assinados pelo próprio Textor em 2024 — como credor e também como representante da SAF. O pedido incluía, de forma liminar, o arresto das ações da Eagle na SAF, concedido em primeira instância no dia 31 de julho. Na prática, a decisão impede mudanças no controle do clube, mantendo Textor à frente da operação.
Nos bastidores, o processo é tratado como uma estratégia de Textor para garantir que ele continue na mesa de negociação para recomprar a SAF da Eagle. Seus aliados avaliam que, sem o cargo, a holding poderia vender a SAF para outro interessado, enfraquecendo suas chances de recompra. A cobrança de dívidas, por sua vez, pressiona financeiramente a holding a aceitar um acordo com ele.