Mais de 1,4 mil pessoas morreram e 3,1 mil ficaram feridas no terremoto de 6 graus de magnitude que afetou o leste do Afeganistão no fim de semana, segundo um balanço atualizado nesta terça-feira pelo governo talibã.
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O porta-voz do governo, Zabihullah Mujahid, informou em um comunicado que 1.411 pessoas faleceram e 3.124 ficaram feridas apenas na província de Kunar, a mais afetada. Além disso, ele afirmou que mais de 5 mil casas foram destruídas.
O abalo ocorreu pouco antes da meia-noite, surpreendendo moradores enquanto dormiam. O epicentro foi próximo às províncias de Nangarhar e Kunar, áreas montanhosas e de difícil acesso. Além disso, o tremor também foi sentido também em Cabul, capital afegã, e em Islamabad, no Paquistão. Vídeos nas redes sociais mostram o momento em que a terra começa a tremer, provocando pânico entre a população.
Vídeos mostram caos do terremoto no Afeganistão que deixou mais de 800 mortos
O Afeganistão voltou a ser palco de uma tragédia no domingo (31), quando um terremoto de magnitude 6,0 atingiu o leste do país, matando pelo menos 800 pessoas. A localização geológica do país, somada à precariedade das construções e a fatores climáticos extremos, ajuda a explicar por que os tremores costumam ter efeitos tão letais por lá.
O principal motivo para a frequência de terremotos no Afeganistão é sua posição geológica. O país está situado sobre uma série de falhas sísmicas ativas, onde as placas tectônicas indiana e eurasiana se encontram. Esse encontro constante de placas gera enorme pressão subterrânea, que eventualmente é liberada em forma de abalos sísmicos. A atividade tectônica intensa torna regiões como Herat, Paktika e Nangarhar particularmente suscetíveis a terremotos frequentes e muitas vezes catastróficos.
Além da localização geológica, a profundidade dos terremotos é um fator crucial para a gravidade dos danos. Tremores mais superficiais, como o de domingo (8 km de profundidade) e o de outubro de 2023 em Herat (14 km), tendem a causar mais destruição. Isso ocorre porque a energia sísmica chega com maior intensidade à superfície. A consequência direta são colapsos de edifícios, deslizamentos de terra e mortes em larga escala, principalmente em áreas densamente povoadas.
A vulnerabilidade da população afegã diante de desastres naturais é agravada pela fragilidade das construções. Muitas casas são feitas com materiais como tijolos de barro, madeira ou concreto de baixa qualidade — estruturas que não resistem a tremores moderados. Sem códigos de construção rigorosos e com infraestrutura precária, vastas regiões do país se tornam armadilhas fatais quando um terremoto atinge o solo.
Outro agravante comum após os tremores são os deslizamentos de terra, que não apenas destroem casas, mas também bloqueiam estradas, isolam comunidades e dificultam a chegada de equipes de resgate. A situação se agrava ainda mais quando os terremotos coincidem com eventos climáticos extremos, como as enchentes recentes que atingiram Nangarhar e Kunar.