O período da gravidez é repleto de transformações intensas no corpo da pessoa que gesta. Assim, é natural que surjam dúvidas e mitos sobre esse processo, especialmente em tópicos menos associados à gestação, como a cavidade oral. Por exemplo, existe a ideia muito comum de que os dentes enfraquecem durante a gestação, o que não é verdade.
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— Existe a crença de que os dentes da gestante perdem cálcio para formar os dentes e ossos do bebê, mas não há qualquer fundamento. O cálcio, o fosfato e outros minerais necessários para a formação dessas estruturas no feto são fornecidos pela alimentação da pessoa que gesta, então não há nenhum prejuízo direto para a dentição da mãe — pontua Nélio Veiga Júnior, ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela FCM/UNICAMP.
Apesar disso, é necessário redobrar os cuidados com a saúde oral, pois ela é severamente impactada durante a gravidez.
— Há, inclusive, um mito de que a pessoa gestante não deve ir ao dentista, quando, na verdade, o acompanhamento odontológico é seguro e essencial nesse período, fazendo parte do pré-natal — acrescenta o especialista.
Entre os fatores comuns na gravidez que afetam a saúde oral está o maior consumo de carboidratos e alimentos açucarados, devido à necessidade calórica aumentada e aos “desejos de grávida”.
— Essa mudança na alimentação, somada a alterações na saliva e na vascularização gengival, favorece o acúmulo de placa bacteriana e o surgimento de doenças orais — explica Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e consultor científico da Curaden Swiss.
— Os vômitos da gravidez também prejudicam a saúde oral. A saliva eleva constantemente o pH para proteger os dentes, mas os vômitos tornam a região ácida por tempo prolongado, visto que a saliva leva entre 30 minutos e 2 horas para neutralizar o pH ácido. Essas condições favorecem desmineralizações, manchas brancas e cáries — detalha Hugo, que acrescenta que o vômito constante também pode causar mau hálito.
Problemas odontológicos durante a gravidez podem afetar diretamente o desenvolvimento da gestação e a saúde do bebê. Doenças como gengivite, cáries e periodontite não se limitam à boca.
— As doenças orais não são apenas desconforto localizado. Como envolvem processos infecciosos e inflamatórios, se não tratadas, podem liberar mediadores e substâncias inflamatórias na corrente sanguínea. Essa disseminação sistêmica pode estimular contrações uterinas e interferir no desenvolvimento fetal. Estudos sugerem que pessoas gestantes com periodontite ou cáries não tratadas têm maior risco de parto prematuro, bebês com baixo peso ao nascer e pré-eclâmpsia — explica Nélio Veiga Júnior.
É fundamental manter cuidados adequados com a higiene oral, o que muitas vezes não acontece devido às náuseas durante a escovação.
— É comum ouvir pessoas gestantes reclamarem do enjoo causado pelo uso do creme dental, principalmente porque muitos produtos geram muita espuma — detalha Hugo.
A higiene da língua é especialmente prejudicada, contribuindo para o mau hálito.
— Muitas pessoas já têm dificuldade de higienizar a língua devido à ânsia de vômito causada pelas escovas convencionais, principalmente no terço posterior, onde há maior acúmulo de saburra lingual. Nas gestantes, que já têm o reflexo do vômito sensibilizado, esse hábito torna-se ainda mais complicado — pontua Hugo.
Existem estratégias para garantir higiene oral eficiente durante a gravidez. Uma dica é optar por cremes dentais livres de Sodium Laryl Sulphate (SLS), responsável pela formação de espuma, reduzindo o enjoo.
— O creme dental Enzycal, por exemplo, não contém SLS e traz enzimas lácteas que potencializam a ação protetora da saliva — aconselha Hugo, ressaltando que, apesar do creme dental ajudar na prevenção de cáries, a escova dental é a verdadeira responsável pela desorganização da placa bacteriana.
— Caso a pessoa gestante sinta muito enjoo pelo creme dental, é possível deixá-lo de lado durante esse período, desde que a escovação seja realizada corretamente com escova adequada — pontua o especialista.
A escovação deve ser feita com a escova em ângulo de 45º, metade das cerdas sobre a gengiva e a outra metade sobre o dente. Movimentos circulares, rápidos e sem pressão, passando dente a dente.
— A escova deve ter cerdas macias, pois cerdas duras podem causar retração gengival e abrasão dental. Uma escova com grande quantidade de cerdas aumenta a eficácia — explica Hugo, citando a escova Velvet, da Curaprox, com 12.460 cerdas de Curen, fibra fina e macia, que desorganiza a placa sem prejudicar dentes e gengivas.
Também é recomendada escova específica para língua, com perfil baixo e design circular, cerdas firmes para desalojar a saburra e evitar ânsia.
— É o caso da TUNG Brush, da EHM, que pode ser usada com o TUNG Gel, de ação refrescante e substâncias que inibem gases de odor desagradável — completa Hugo.
Gestantes devem realizar consultas regulares ao dentista como parte do pré-natal odontológico, para acompanhar a saúde oral e tratar alterações precocemente.
— A manutenção da saúde oral protege tanto a gestante quanto o bebê. Recomenda-se consultas odontológicas em todos os semestres da gravidez — finaliza Nélio Veiga Júnior.
— É importante prestar atenção a sinais como sangramentos gengivais e, ao notá-los, buscar um dentista. Tratamentos odontológicos são seguros durante a gestação quando realizados corretamente, sendo apenas procedimentos estéticos adiáveis — conclui o especialista.