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Sombrinha celebra 50 anos de carreira com show e anuncia disco de inéditas

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setembro 8, 2025
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Sombrinha, parceiro de Arlindo Cruz — Foto: Leo Aversa

Sombrinha se lembra com um sorriso de quando Arlindo Cruz, morto há exatamente um mês, deixou o grupo Fundo de Quintal, em 1993, repetindo um movimento que ele mesmo tinha feito em 1990. “Eu olho pro lado, você não está”, dizia Arlindo. “Não quero mais isso, não, meu cumpádi.”

Embora viesse de mais de perto — Piedade, na Zona Norte carioca — Arlindinho (que usava o diminutivo na época porque seu pai, Arlindo Domingos da Cruz, era conhecido na Portela) chegou ao Cacique de Ramos depois do paulista Sombrinha, fundador do grupo Fundo de Quintal “na virada de 1979 pra 1980” com nomes como Almir Guineto (1946-2017), Bira Presidente (1937-2025) e Jorge Aragão.

— Quando ele chegou, a gente não se gostava muito, não — lembra Sombrinha a respeito do amigo que partiu no último dia 8, após um longo sofrimento em decorrência de um AVC. — Aonde um ia, o outro estava longe. Mas compondo juntos, tocando, vem aquela intimidade, e logo ele era meu maior parceiro e melhor amigo, padrinho de meus três filhos.

Anos antes do estouro do Fundo de Quintal, da dupla com Arlindo (que rendeu cinco discos e dezenas de sambas de sucesso) e da consolidação como artista solo, Sombrinha, nascido Montgomery Ferreira Nunis, tocou seu violão em casa e nos pequenos palcos de São Vicente, no litoral paulista, e da vizinha Santos.

— Meu pai, músico, foi preso pela ditadura em 1966 — lembra ele. — Fui com minha mãe buscá-lo no Palácio da Polícia, em Santos, e ele, para tirar a atenção dos hematomas, puxou um papo sobre o Rivellino e faz a família toda virar corintiana. Chegando em casa, começou a promover rodas de choro.

Em casa, o pequeno Montgomery começou a dedilhar o violão do pai. Aos 14 anos, já saía pela noite para tocar.

— Entrava pelos fundos das casas, por ser menor de idade, e ficava escondido atrás dos outros músicos no palco — lembra ele, que começou ali já a “garantir um dinheirinho”, até ser chamado para sua primeira gravação profissional, em 1978, aos 18 anos. — Entrei no estúdio com Baden Powell para gravar o disco “Clima total”, dos Originais do Samba.

Um trabalho ainda mais honroso pintou em seguida, mas acabou em frustração.

— Almir Guineto me chamou para gravar “Tendinha”, de Martinho da Vila, mas, como eu não morava no Rio, acabaram optando por Everaldo da Viola — conta Sombrinha. — Fiquei triste e comecei a ir a todos os shows de Martinho, até que Neoci (outro integrante original do Fundo de Quintal, morto em 1981 de pneumonia) apareceu: “Vem passar dois dias aqui em casa!” Nunca mais voltei.

Sombrinha, parceiro de Arlindo Cruz — Foto: Leo Aversa

No começo, a vida era dura no Fundo de Quintal.

— Fundamos o grupo e logo gravamos o primeiro disco (“Samba é no fundo do quintal”, de 1980), antológico (com músicas como “Voltar a paz”, “Marido da madame” e “Gamação danada”), mas ficamos na ralação até 1984, quando o estouro finalmente veio — lembra ele, que se virava acompanhando artistas como Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara. — Dona Ivone se tornou minha segunda mãe. Até conseguiu um emprego para a minha irmã!

Enquanto equilibrava os pratinhos, Sombrinha deixou o ofício de instrumentista de sete cordas e abraçou a skin de artista.

— Vim pro Rio para me tornar um novo Dino Sete Cordas — lembra ele. — Mas o Pezão (o produtor Milton Manhães), depois de ver que eu compunha, me sugeriu deixar o violão para outros profissionais e investir nessa carreira.

No início do Fundo de Quintal, um integrante que duraria pouco no grupo foi seu grande incentivador.

— Jorge Aragão veio me dizer que eu era bom nas melodias, que devia começar a fazer minhas próprias músicas — conta. — Perguntou se eu tinha uma primeira, mostrei a ele, que disse: “Caraca!”. Fez a segunda e ligou para a Alcione, que gravou “Marcas no leito”, a primeirona, em 1981. Dei sorte.

Tanto Jorge Aragão quando “Marcas no leito” estarão nesta segunda (8) no show em que Sombrinha comemorará seus 50 anos de carreira, no Vivo Rio.

— Gravei pela primeira vez em 1978, mas, antes disso, em São Vicente, eu já tocava num grupo de samba, Nova Força — diz ele. — Então acho que dá pra marcar a partir daí, por volta de 1975.

À frente de uma banda com 17 músicos, ele vai receber convidados como Diogo Nogueira (que assina a direção artística do show), Jorge Aragão, Bebê Kramer, Nina Wirtti e um amigo não revelado.

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  • Disco de inéditas em breve
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Disco de inéditas em breve

Escolher o repertório para o show desta segunda (8) é uma complicada equação.

— Eu não contava, mas minha filha começou a contar há uns anos, e já devo ter passado das 400 músicas gravadas — diz Sombrinha. — Então imagine pegar 400 para tirar 21, que representem várias fases, alguma inédita…

Como o show é basicamente de samba, passeios por outros gêneros (uma vontade que o fez deixar o Fundo de Quintal, em 1990) não devem aparecer, como o blues buarquiano (na definição do próprio Sombrinha) “Casa amarela” e a “Valsa falsa”, que fala de uma travesti.

— Vou lançar um disco de inéditas em breve — anuncia ele.

Feito em parceria com Luiz Carlos da Vila e o compadre Arlindo, o hino “O show tem que continuar” será presença obrigatória, é claro.

— Arlindo e eu sempre quisemos ter uma música assim, uma “Tristeza”, um “Foi um rio que passou em minha vida”, essas que todo mundo canta — lembra Sombrinha. — Ele tinha uma visão holística, sempre sabia do que queria falar. E a música saiu, lá na Vila da Penha. Já são centenas de regravações.

Os cliques nas plataformas de streaming, no entanto, não rendem muito.

— Já era uma merreca na época do disco físico, quando a gente sabia que era roubado — queixa-se. — Agora é nada. O que me sustenta são os seis, sete shows que faço por mês.

Mas sorte dos fãs que a busca pelo acorde com um lindo som não para.

— É um exercício — define Sombrinha, um dos compositores mais gravados por Beth Carvalho, com 40 sambas. — Acho que tocar um instrumento é uma dádiva, mas criar música é algo espiritual, é maior.

Tão maior que o levou a compor um samba-enredo, prática da qual havia desistido após algumas frustrações em escolas como a sua Mangueira, a Beija-Flor e a Grande Rio.

— Vieram me chamar pra homenagem que o Império Serrano fez ao Arlindo, em 2023 — recorda. — Eu não queria, mas escrevi o nome dele, fiz um acróstico e criei a letra certinha, a partir dali.

“Acorde partideiro sem igual/ Nascia então, um samba do seu jeito/ Reluz feito Candeia, imortal/ O compositor, sambista perfeito”, diz o samba (levado à Sapucaí num momento mágico, quando Arlindo e seu compadre Zeca Pagodinho foram homenageados em sequência, por Império e Grande Rio), que encerrou de vez essa vertente na carreira de Sombrinha.

— A escola foi rebaixada, não faço mais.

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