Membros da CPI do INSS precisaram ser apartados durante a sessão desta segunda-feira, dia em que o colegiado recebe o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).
O deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS) questionava Lupi sobre nomeações na pasta e a cronologia das fraudes no INSS, quando o ex-ministro de Lula disse que preferia não respondê-lo. Diante de divergências sobre o direito de não dar resposta ao colegiado, o líder da bancada governista na CPI, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), interveio na fala do presidente da CPI, o senador Carlos Viana (Podemos-RS), que respondeu.
— O senhor não é presidente dessa CPI e não manda aqui — disse Viana, o que desencadeou um bate-boca entre dois parlamentares que estavam na sessão: Rogério Carvalho (PT-MG) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
Carvalho se levantou da cadeira e se dirigiu em direção a Sóstenes e precisou ser segurado pelos colegas. O parlamentar petista dizia que o líder do PL na Câmara estava “alterado” por causa do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que será retomado nesta terça.
— Se controla que Bolsonaro vai ser preso na sexta, se acalma. Você foi vaiado em Minas Gerais — repetia o membro da bancada governista.
Sóstenes pediu respeito. Diante das falas endereçadas ao ex-presidente, Maurício Marcon (Podemos-RS) se dirigiu a Rogério Carvalho e também precisou se afastado pelos colegas.
Deputados batem boca na CPI do INSS e precisam ser contidos por colegas
Em depoimento à CPI, Lupi disse que o governo já acompanhava possíveis irregularidades nos descontos em aposentadorias e pensões desde 2023, a partir de denúncias que chegavam à pasta. Ele afirmou não ter sido omisso no caso, mas afirmou que só entendeu a real dimensão das fraudes após o avanço das investigações da Polícia Federal.
O presidente do PDT é um dos principais alvos da CPI porque estava à frente do ministério quando o escândalo foi revelado. Foi sob sua gestão, nos anos de 2023 e 2024, que os descontos associativos se multiplicaram.
— A gente, infelizmente, não tem o poder da adivinhação. Nunca tivemos capacidade de dimensionar o tamanho ou o volume do que esses criminosos fizeram no INSS. Foi só depois da investigação para valer, da PF — afirmou, ao ser indagado pelo relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre quando teve conhecimento do esquema.
O depoimento dele é visto com temor por parte do governo. Como O GLOBO mostrou, ele se negou a participar de um treinamento para a sessão. A pessoas próximas, afirmou que via com tranquilidade sua participação na comissão. O perfil espontâneo do ex-ministro é considerado um fator imprevisível para seu desempenho. Outros membros do primeiro escalão já vêm sendo preparados internamente.