Entre autoridades, tanques e aviões, uma simpática figura roubou a cena durante o tradicional desfile de 7 de Setembro, em Brasília. O curupira, mascote oficial da COP30 e considerado o “guardião das florestas e dos animais”, fez sua primeira aparição pública no domingo. A fantasia do homem de cabelo de fogo, lança na mão e pés virados para trás surgiu na passagem dedicada à conferência que acontece em Belém (PA), em novembro.
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Confirmado há pouco mais de dois meses como mascote, o Curupira já vem mobilizando as redes sociais e gera expectativa sobre o que pode ser mais uma escolha bem-sucedida uma década após o sucesso de Fuleco, tatu-bola da Copa do Mundo de 2014. Em junho, na Conferência de Bonn (Alemanha), um evento preparativo da COP, um pin de metal com a figura folclórica fazia parte do vestuário da comitiva brasileira e foi muito celebrado pelos representantes estrangeiros, curiosos sobre a história do mito do folclore brasileiro eternizado por Monteiro Lobato.
— O Curupira foi recebido de forma extremamente positiva tanto nos eventos internacionais quanto nos nacionais. E o que vimos no desfile de 7 de Setembro só reforça isso: ele foi uma das grandes atrações, conquistando o público adulto e, especialmente, as crianças, com muito carisma e simpatia — festeja Sidônio Palmeira, secretário de Comunicação e idealizador da figura como mascote.
A origem do folclore está nas tradições indígenas, sobretudo da Amazônia, que apontavam a aparição de Curupira como uma forma de punir quem maltratasse as florestas. Sidônio conta que a ideia de transformar o mito em símbolo da COP30 surgiu durante um sonho:
— Foi um caminho muito bonito porque uniu afeto, memória cultural e o compromisso que temos com a preservação da Amazônia.
A visão positiva ajudou a rebater a tentativa de crítica feita por parte da oposição ao governo federal. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, disse que o Curupira “anda para trás e pega fogo”. Na verdade, ele não anda para trás, segundo a lenda. Os seus pés que são virados para trás, como forma de despistar seus rastros nas florestas, apontando um caminho diferente do que ele faz. No folclore, Curupira tem, sim, o poder de se transformar em “fogo-vivo” para afastar caçadores e possíveis ameaças das florestas.
Em resposta nas suas redes sociais, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), defendeu a escolha:
“Enquanto uns mostram que andam para trás ao não reconhecer a cultura e o folclore do nosso país, a gente avança, fazendo o mundo inteiro voltar os olhos ao Brasil e ao Pará como grandes protagonistas das discussões e iniciativas em prol da preservação do meio ambiente e dos povos da floresta. O Curupira é nosso protetor, e vai seguir como referência da COP30 para quem torce contra o nosso Pará e o nosso Brasil”, escreveu o governador, sem mencionar diretamente Nikolas Ferreira.
No 7 de setembro, o personagem fantasiado desfilou ao lado de servidores e brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), vinculado ao Ibama e ICMBio, e foi muito saudado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministros e parlamentares presentes.
— São 50 profissionais representando como o governo do Brasil tem trabalhado para preservar a natureza e também para proteger a natureza quando acontece alguma emergência climática — disse Naiara Lemos, coordenadora-geral de Comunicação Institucional da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR), sobre os servidores e brigadistas.
A sua passagem foi no segundo eixo do desfile, que teve uma faixa com os dizeres “Mutirão Global pelo Clima”, um chamado do Brasil à união mundial em torno da causa ambiental. O lema, lançado pela Presidência da COP30, é um convite para que “as pessoas entendam as mudanças do clima e seus impactos, debatam e busquem, juntas, ações e soluções para a crise climática”, tema abordado também na primeira carta do presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago.
No seu pronunciamento em rede nacional na véspera do dia da independência, o presidente Lula fez alusão à COP:
— Cuidamos como ninguém do nosso meio ambiente. Reduzimos pela metade o desmatamento na Amazônia, que, em novembro, vai sediar a COP30, maior conferência mundial sobre o clima.
O desfile também contou com a participação de Labareda, o tamanduá-bandeira mascote do Prevfogo, além de 196 jovens que carregaram mudas de árvores — uma para cada país participante da COP30 — que serão plantadas em local ainda a ser definido.
Estudantes da rede pública participaram com figurinos e coreografias que exaltaram as riquezas naturais do Brasil, como florestas, rios e a biodiversidade nacional. A apresentação também celebrou os seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa, e fez referência à importância da COP30 como um marco na luta contra a crise climática.