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PF apreendeu mais de 600 aeronaves em 15 anos

BRCOM by BRCOM
setembro 9, 2025
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Em junho, agentes apreenderam em São Paulo um helicóptero avaliado em R$ 20 milhões. Na ocasião, policiais civis foram presos, assim como um piloto de Fórmula Truck — Foto: Divulgação/PF

Naquela manhã de terça-feira, em uma acanhada pista de pouso numa área rural próximo a Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal (PF) pôs fim a uma caçada que já durava oito anos. Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira, foi preso em maio de 2023 ao desembarcar de um Beechcraft 200, uma das aeronaves que ele utilizava para se deslocar entre o Paraguai e o Brasil. Conhecido por ser o turboélice mais vendido do mundo, o bimotor acabou nas mãos das autoridades, somando-se a uma lista de mais de 600 apreensões de veículos aéreos pela PF desde 2009.

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Obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública, os dados de apreensões de aeronaves ajudam a dimensionar a estrutura financeira de facções e quadrilhas. O levantamento mostra como o espaço aéreo do país virou canal central da logística criminal — sobretudo no Norte e no Centro-Oeste, cuja geografia desafia ações de fiscalização. Bandidos usam essas rotas para deslocar pessoas e equipamentos, fugir das autoridades, ostentar uma vida de luxo bancada pelos ganhos ilícitos, lavar dinheiro e, principalmente, transportar drogas.

Metade das 605 apreensões deu-se em investigações contra traficantes, como o Fantasma da Fronteira, que segue preso. Os estados do Centro-Oeste dominam esse recorte — foram 46 no Mato Grosso; 40 no Mato Grosso do Sul, onde Braga foi flagrado ao pousar; e outros 33 em Goiás.

O Fantasma é apontado como braço direito de Sergio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro — que, segundo a polícia, controla de trás das grades o fluxo de drogas na fronteira entre Brasil e Paraguai para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Braga, aponta a PF, atravessa carregamentos de cocaína do país vizinho para depois enviá-los em aeronaves ao litoral brasileiro e, na sequência, em contêineres de fruta para a Europa.

— No fim das contas, o PCC é uma empresa de logística que vende cocaína ao exterior. A droga entra pelas fronteiras com países andinos, muito porosas, segue em aeronaves para mais perto do porto, ali no interior, e depois vai de caminhão, até porque o controle do tráfego aéreo em São Paulo é mais restrito. Os criminosos sabem que a Aeronáutica não vai dar conta de acompanhar, e voam abaixo dos radares — explica Rafael Alcadipani, professor de segurança pública da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas.

Em junho, agentes apreenderam em São Paulo um helicóptero avaliado em R$ 20 milhões. Na ocasião, policiais civis foram presos, assim como um piloto de Fórmula Truck — Foto: Divulgação/PF

O Beechcraft 200 utilizado por Braga ficou em posse do Estado, com autorização de uso provisório, até recentemente. Em agosto, a Justiça Federal determinou a devolução do avião para a dona, uma empresária de São Paulo, porque a suposta ocultação de propriedade segue em apuração.

Em junho, agentes apreenderam em São Paulo um helicóptero avaliado em R$ 20 milhões. Na ocasião, policiais civis foram presos, assim como o piloto bicampeão da Fórmula Truck Roberval Andrade, acusado de lavagem de dinheiro e corrupção. O GLOBO não conseguiu contato com a defesa do suspeito.

A ação foi um desdobramento da apuração do caso envolvendo a delação premiada do corretor de imóveis Antonio Vinicius Gritzbach, assassinado em novembro no Aeroporto de Guarulhos. Um dos alvos de buscas foi um advogado conhecido por fazer a defesa de lideranças do PCC. Ele recebia informações privilegiadas dos investigadores para beneficiar clientes, como Andrade, em troca de propina. Na ocasião, a PF apurou fraudes em documentos para a restituição para Andrade de outro helicóptero, apreendido pela Polícia Civil paulista em 2022 por supostamente estar a serviço da facção.

A logística aérea também abastece facções locais. Numa das 40 apreensões por tráfico no Tocantins, em fevereiro, agentes acharam 475 quilos de cocaína num avião que pousou numa pista clandestina em Marianópolis. O bando goiano pretendia levar a carga a cidades de cinco estados. No valor estimado em R$ 2,5 milhões, a aeronave também acabou apreendida.

Outra operação da PF, de junho último, desarticulou uma rede especializada em roubar aeronaves para o tráfico. Os alvos da ação “Proa clandestina” miravam dois aviões apreendidos em 2022 sob custódia judicial em Nova Ubiratã (MT), prestes a serem leiloados.

Veja o total de apreensões de aeronaves por região — Foto: Divulgação/PF
Veja o total de apreensões de aeronaves por região — Foto: Divulgação/PF

Embora a maior parte dos bens não tenha sido especificada, os dados cedidos à Fiquem Sabendo incluem pelo menos 27 aviões, mas também 56 drones e 62 helicópteros — de manutenção mais barata, apesar da menor capacidade de carga. O levantamento mostra ainda que o número de apreensões atingiu seu ápice em 2019, com 87 casos. Dez anos antes, no início da série histórica, o número não chegava a uma dezena.

Para o professor Rafael Alcadipani, a percepção das autoridades de que a situação estava “fora de controle” motivou um incremento nas ações de combate. Procurada, a Força Aérea Brasileira não se pronunciou.

Em outubro, a PF flagrou o transporte de notas no valor de R$ 1,1 milhão não declarado, num jato de pequeno porte, no Aeroporto de Belém. A suspeita é de compra de votos — Foto: Divulgação/PF
Em outubro, a PF flagrou o transporte de notas no valor de R$ 1,1 milhão não declarado, num jato de pequeno porte, no Aeroporto de Belém. A suspeita é de compra de votos — Foto: Divulgação/PF

No ranking geral de apreensões, o Norte (211) supera o Centro-Oeste (178) e o Sudeste (109). Já na lista por unidade da federação, Roraima lidera com 79 aeronaves recolhidas. No estado, 90% coberto pelo bioma amazônico, seis em cada dez casos estão ligados a crimes ambientais ou contra povos originários — fenômeno comum na região Norte.

— Antes o transporte era predominante por rios, longos e de difícil navegação, mas hoje o uso de aeronaves se consolidou como peça-chave. São rápidas e discretas para driblar a fiscalização. No garimpo, abastecem áreas isoladas, levam maquinário, combustível e pessoas, e depois funcionam como ponte para escoar o minério ilegal. O valor da carga é tão alto que perder uma aeronave numa operação passa a ser quase um “custo do negócio” — diz Andrias Sarkis, presidente da Comissão Especial de Segurança Pública da OAB- Acre.

O policiamento na região foi reforçado nos últimos anos com verbas do Fundo Amazônia e sob ordens do Supremo Tribunal Federal (STF). Só em novembro passado, houve seis apreensões em Roraima associadas a crimes ambientais. Dois helicópteros, avaliados em R$ 10 milhões e R$ 3 milhões, foram inutilizados.

Em 2 de novembro, as autoridades flagraram um monomotor de pequeno porte em baixa altitude pela Terra Indígena Yanomami. A tripulação conseguiu fugir, mas o avião e outro que estavam no hangar de Boa Vista foram apreendidos. Dias depois, outra aeronave com drogas tentou pousar numa plantação, caiu e foi inutilizada. Um mês antes, na Operação Libertação, a PF incinerou um helicóptero de matrícula falsa interceptado na área.

Do total de casos, ao menos 11 veículos foram ou serão destruídos — procedimento comum em operações contra o garimpo ilegal. Outros 45 tiveram a propriedade transferida em definitivo para o poder público.

Segundo os dados, as aeronaves também serviram a delitos fazendários (107), como sonegação, para crimes financeiros (14) e desvios de recursos públicos (13), além de oito casos de lavagem de dinheiro.

— Os traficantes utilizam muito os helicópteros para a vida, para se deslocar, como símbolo de status perante a quadrilha, para mostrar que o criminoso “está bem”. Já na lavagem de dinheiro por meio de aeronaves, você transforma o dinheiro em espécie na compra de um bem, de forma legal. Esse dinheiro que não existia vira uma aeronave, que depois você pode vender — detalha o professor Rafael Alcadipani.

A soma dos itens apreendidos bate R$ 616 milhões, embora a maior parte não tenha preço estimado. Um dos mais valiosos é um Embraer Phenom 300 avaliado em R$ 40 milhões, sequestrado na Operação Terra Fértil, em Minas Gerais, no ano passado. O alvo foi uma quadrilha que teria movimentado mais de R$ 5 bilhões em cinco anos vendendo drogas ao exterior. A ação foi deflagrada após a descoberta da vida de luxo dos bandidos, com mansão de R$ 2,5 milhões, festas e carros caros.

A aeronave foi colocada a leilão por R$ 37 milhões e, numa segunda tentativa, por R$ 29,8 milhões. Agora, consta como bem “retirado” no site do leiloeiro.

Aeronaves também foram utilizadas para ao menos quatro crimes eleitorais. Em outubro do ano passado, a PF flagrou o transporte de notas no valor total de R$ 1.149.300, não declarado, em um jato de pequeno porte no Aeroporto Internacional de Belém. O dinheiro estava numa mala e, segundo os investigadores, seria usado para comprar votos. Um funcionário público foi preso em flagrante e autuado por porte ilegal de arma.

Um Embraer Phenom 300 de R$ 40 milhões foi sequestrado na ação contra uma quadrilha de MG que lucrou R$ 5 bilhões em cinco anos vendendo drogas para o exterior — Foto: Divulgação/PF
Um Embraer Phenom 300 de R$ 40 milhões foi sequestrado na ação contra uma quadrilha de MG que lucrou R$ 5 bilhões em cinco anos vendendo drogas para o exterior — Foto: Divulgação/PF

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