Abelhas nativas sem ferrão, alojadas no meliponário mantido pela prefeitura no viveiro de mudas da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), estão desempenhando um papel essencial na recuperação do Morro do Boa Vista, em São Lourenço. O trabalho desses polinizadores vem potencializando o plantio de mais de 700 mudas de espécies nativas realizado pelos garis, contribuindo diretamente para a regeneração de 22 hectares de vegetação e para o fortalecimento do ecossistema local.
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O projeto de reflorestamento é executado com mudas produzidas no viveiro da Clin a partir de resíduos de poda. Os resultados da implementação do projeto com as abelhas sem ferrão no local já são perceptíveis, especialmente na área de educação ambiental.
— Recebemos a visita de diversas instituições educativas, e as abelhas têm sido um grande atrativo para os visitantes. Com isso, conseguimos conscientizar sobre a importância delas para a conservação do meio ambiente e intensificar o interesse pelo reflorestamento, pela biodiversidade e pela revitalização ambiental — diz o coordenador da Clin, Luiz Vicente Peres.
O trabalho diário no viveiro também mostra o impacto direto da ação.
— Na Clin, iniciamos o processo de restauração ambiental fazendo o plantio de mudas, e as abelhas desempenham um papel fundamental no sucesso desse trabalho. Nós plantamos as mudas e, a partir daí, as abelhas entram em cena: elas pousam nas flores, coletam o pólen e, ao voar de uma planta para outra, espalham-no, ajudando na polinização. Com isso, sem necessidade de intervenção direta, elas são essenciais no crescimento e multiplicação das plantas. Embora plantemos as mudas, são as abelhas que, ao longo de suas vidas, continuam o processo de espalhamento, impulsionando o crescimento natural da floresta — explica Luiz Silva Neto, de 67 anos, funcionário responsável pelo viveiro da Clin há 26 anos.
O viveiro da Cline conta com uma produção anual de mais de 170 mil mudas de 305 espécies da Mata Atlântica, incluindo pau-brasil, aroeira, ipês, figueira-da-pedra e frutíferas como jabuticaba, açaí e pitanga. Além de reforçar a vegetação nativa, as abelhas sem ferrão também auxiliam na polinização de plantas cultivadas e na produção de mel, cera, pólen e própolis.
— Com a ajuda das abelhas, o processo de reflorestamento tem avançado de forma mais eficiente, contribuindo diretamente para o meio ambiente e para a biodiversidade local. As abelhas desempenham um papel essencial, ajudando na polinização e no crescimento das plantas, o que fortalece a vegetação e o ecossistema ao redor — destaca Tânia Mara Cipriana, funcionária da Clin há 22 anos.
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Para o presidente da Clin, Acilio Borges, o projeto é um exemplo do compromisso de Niterói com a sustentabilidade e serve de referência para outras cidades brasileiras.
— Esse projeto reúne ações integradas de reflorestamento, proteção de encostas, prevenção de erosões e incêndios e geração de energia limpa. É uma iniciativa inovadora, que mostra como Niterói vem avançando na preservação ambiental com soluções eficientes e sustentáveis, servindo de modelo para outras cidades do país — diz Acilio.
No Morro do Boa Vista está sendo implantada pela gestão da cidade uma usina solar fotovoltaica com mais de dois mil módulos capazes de gerar 1,5 MW de energia limpa, além de um sistema de captação e reaproveitamento de água da chuva. O investimento da prefeitura é de R$ 7,7 milhões.
— Niterói possui mais da metade de seu território de áreas verdes preservadas por decreto. As ações de reflorestamento e preservação desses locais são fundamentais para garantir qualidade de vida e resiliência ambiental em Niterói. Ao recuperar ecossistemas degradados, estamos protegendo a biodiversidade, prevenindo deslizamentos e contribuindo para o equilíbrio climático da cidade — afirma o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.