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Com mostras intimistas e ateliês abertos, Casa Arlette, no Rio, chama visitantes a conhecer produção de artes

BRCOM by BRCOM
setembro 18, 2025
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Ateliê de René Machado na Casa Arlette, na Gávea — Foto: Leo Martins

René Machado projetou o seu futuro ao colocar os pé, há cinco anos, em plena pandemia, num casarão da década de 1970, na Gávea, Zona Sul do Rio. O espaço hoje serve não apenas a ele, mas a outros artistas que utilizam a casa como local de criação. Com pedras de cantaria e azulejos portugueses, a Casa Arlette transformou-se em um centro de arte contemporânea, que recentemente passou a receber visitas do público em exposições intimistas, distribuídas por seus cômodos, mediante o agendamento pelo e-mail casa.arlette156@gmail.com.

Atualmente, a casa abriga os ateliês fixos de quatro artistas, incluindo o próprio René. Além dele, cujo estúdio fica no primeiro plano da residência, o público pode conhecer os de Ana Quintella, Bruna Traesel e André Nazareth.

— Não tem uma terceira pessoa falando sobre as suas obras, mas é o próprio artista que discorre sobre aquilo que pensa e faz, frente a frente — diz René. — É um ambiente de trabalho encantador para muitas pessoas. Para a gente, nem tanto, porque é o lugar do dia a dia. Quando o bicho está pegando, só vão ver tintas espalhadas, plásticos protegendo as obras — brinca.

Ateliê de René Machado na Casa Arlette, na Gávea — Foto: Leo Martins

As marcas de tinta estão espalhadas pelo chão e pelos móveis. Por conta da produção abstrata de René, os respingos coloridos tornam-se inevitáveis.

Dentre os projetos recém-inaugurados na Casa Arlette, destaca-se a primeira residência artística realizada pelo espaço, com a artista Helena Kozuchowicz. Durante cerca de cinco semanas, ela retratou 28 personalidades da cultura brasileira, como o artista Carlos Vergara, os atores Dira Paes, Caio Blat, Marcos Palmeira, Luis Miranda, Paolla Oliveira, Mariana Ximenes e Ingrid Guimarães, o bandolinista Hamilton de Holanda e a jornalista Flávia Oliveira. Ao longo da produção de cada retrato do projeto “Cadeira azul”, Helena conversava com os modelos para capturar os gestos e a essência de cada um.

— Procuro muito pelo olhar da pessoa. O que me interessa é a expressão, a aura que a ela passa quando está com você, seus gestos e sua linguagem corporal. Não estou aqui para representar o rosto fielmente. Não tem nada disso. A pintura é uma consequência desse encontro; e as conversas, uma consequência — observa a artista.

Exposição'Cadeira azul', com retratos de Helena Kozuchowicz, na Casa Arlette — Foto: Leo Martins
Exposição ‘Cadeira azul’, com retratos de Helena Kozuchowicz, na Casa Arlette — Foto: Leo Martins

É a terceira temporada do projeto, mas da primeira em que é feita no Rio. Edições anteriores foram feitas em São Paulo e em Nova York, onde Helena reside atualmente, depois de ganhar uma bolsa para se aprofundar nos estudos em pintura figurativa.

O encontro da pintora com René ocorreu quando o artista estava na cidade americana acompanhado da mulher, a atriz Ingrid Guimarães. Ao ver a movimentação, Helena começou a disparar uma série de mensagens ao casal, com a intenção de que eles topassem participar do “Cadeira azul”. Deu certo: René aceitou o convite e, ao conhecer de perto o trabalho da artista, a convidou para uma temporada de trabalhos na Casa Arlette.

Curadora da exposição de retratos, Vanda Klabin também foi uma das que posaram para a artista. Ela afirma que Helena consegue fisgar até mesmo as “gestualidades sistemáticas” da pessoa que se senta à sua frente.

— Já fui retratada várias vezes por alguns artistas: John Nicholson, Iberê Camargo… Ficava horas posando sem poder me mexer, como se não pudesse respirar. Mas Helena traz uma modalidade nova para o retrato, porque ela pega a nossa pulsão psíquica, o consciente. É uma experiência diferente — analisa.

Vanda acompanha os trabalhos na Casa Arlette desde o começo de suas atividades, quando a casarão ficava mais restrita aos artistas. Ainda na pandemia, René já ligava para a curadora para contar as novidades sobre a casa.

— Ela é a madrinha desse nosso espaço, com todas as letras em maiúsculo — enfatiza René.

Dentre as exposições recém-inauguradas na Casa Arlette está “Matéria viva”, com obras de Daniela Granja, Marcela Crosman e Talitha Rossi, sob curadoria de Paula Mesquita, numa pequena sala em frente ao jardim da residência. E também “Do chão que piso”, seleção de fotografias de Jaime Acioli, curada por Isabel Portella, instalada na copa do casarão.

Exposição'Do chão que piso', com fotografias de Jaime Acioli, na Casa Arlette — Foto: Leo Martins
Exposição ‘Do chão que piso’, com fotografias de Jaime Acioli, na Casa Arlette — Foto: Leo Martins

Além de estarem em salas específicas, as obras de arte estão no jardim, na fachada, na parede que acompanha as escadas de madeira e até no lavabo. Nesses espaços, é possível apreciar trabalhos de artistas consagrados no cenário contemporâneo como Vergara, José Bechara, Barrão, Raul Mourão, Nelson Leirner e Beatriz Milhazes. A casa também recebe atividades além das artes visuais, como apresentações de stand-up e mostras de cinema, com rodas de conversa incluídas.

Exposição'Matéria viva', na Casa Arlette — Foto: Leo Martins
Exposição ‘Matéria viva’, na Casa Arlette — Foto: Leo Martins

A Casa Arlette é o terceiro centro expositivo criado por René. Antes, ele havia lançado iniciativas na Fábrica Bhering, no bairro do Santo Cristo, na região central da cidade, e um outro espaço, também na Gávea.

— A gente sempre tem um desafio em qualquer lugar que vai expor. Quando cheguei para olhar essa casa pela primeira vez, ainda no campo dos sonhos, não foi diferente — lembra. — Quando eu cheguei nessa casa vazia, olhei para cada espaço e fiquei imaginando que isso tudo poderia ser ocupado com arte, ia ser lindo. Esse desejo acabou se realizando num emprego diário contínuo, de construção diária.

Ele afirma, entretanto, que, apesar da abertura para visitas, a intenção não é transformar a residência em um “lugar público” de repente. O objetivo principal continua sendo o convívio entre artistas, proporcionando espaço para a interação entre eles e o desenvolvimento de suas produções individuais:

— O carro-chefe aqui é ser um ambiente onde a gente pensa e cria nossos pensamentos e escolhas — avalia René. — Sobretudo no dia a dia, a casa retoma a ideia de ser espaço de produção.

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