Charles Chaplin (1889-1977) entrou para a História como Carlitos, o Vagabundo, personagem que o acompanhou ao longo de sua longeva carreira. Maior nome do cinema mudo e ícone da Era de Ouro de Hollywood, o britânico soube fazer o público ao redor do mundo rir, chorar e também refletir sobre questões sociais e políticas.
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Por mais de cinco décadas, o ator, comediante, roteirista, diretor, editor, compositor e músico — que em 1972 recebeu um Oscar honorário pelo “efeito incalculável que teve em tornar o cinema a forma de arte do século XX” — produziu mais de 80 filmes, entre curtas, médias e longas. Todos (exceto dois títulos inacabados) poderão ser vistos na mostra “Chaplin”, em cartaz no CCBB até o dia 13 de outubro, com ingressos a R$ 10.
— Eu tinha um pouco de receio (da recepção do público) por as pessoas não estarem acostumadas ao cinema mudo e ao formato dos curtas, mas o retorno em Brasília (local da primeira edição do evento), foi excelente, principalmente das crianças — diz o idealizador e curador José de Aguiar.
Para ele, a mostra é uma ótima oportunidade não só de as pessoas verem ou reverem os grandes clássicos do artista, como “Tempos modernos” (1936) e “O grande ditador” (1940) — críticas ferozes e irreverentes ao capitalismo e ao nazismo, respectivamente —, mas também de “entenderem que ele era um artista absolutamente completo”:
— Chaplin teve uma carreira longeva, então pôde trabalhar a própria obra sobre vários aspectos. Além de ator, também criava histórias, era um diretor fabuloso e compunha trilhas lindas para seus filmes. E, conforme foi envelhecendo, foi entrando num lado um pouco mais sério.
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Bom exemplo desse “outro lado” de Chaplin, conta Aguiar, é o longa “Luzes da ribalta” (1952), em que, num jogo metalinguístico — e dividindo a cena com outro ícone do cinema mudo, o americano Buster Keaton (1895-1966) —, ele é Calvero, um comediante que enfrenta a decadência e a velhice.
— A comédia está sempre presente, mas o drama começa a entrar de maneira mais séria, e então conseguimos entender esse aspecto dele como crítico social e grande mestre do melodrama — explica.
Esse cinema social e politicamente engajado levou o artista a ser perseguido politicamente nos Estados Unidos durante o macarthismo e, em 1952, teve seu visto de residência cassado, indo então para a Suíça, onde morou até a morte, aos 88 anos.
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Entre os curtas — que serão exibidos de forma agrupada por três estúdios: Keystone, Essanay e Mutual —, estão títulos como o segundo filme de Chaplin, “Corrida de automóveis para meninos” (1914), no qual “nasceu” Carlitos, e “O imigrante” (1917), em que ele vive um recém-chegado aos EUA enfrentando dificuldades para se adaptar ao país.
Dezenove filmes da programação terão dupla exibição: uma em HD e outra no formato original, em película de 16mm. Aguiar aconselha que as pessoas assistam aos dois tipos de exibição, para terem experiências distintas (quem assistir a ao menos três sessões da mostra, aliás, ganha um catálogo de quase 600 páginas sobre a obra de Chaplin).
Outro destaque da mostra é o último filme do artista, a comédia romântica “A condessa de Hong Kong” (1967) — o único título colorido de sua filmografia, no qual não atua. Por trás das câmeras, Chaplin (à época com 78 anos) escreveu o roteiro e dirigiu Sophia Loren e Marlon Brando (1924-2004).
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Mas por que a obra de Chaplin não envelhece? O professor e pesquisador Rafael de Luna tenta explicar:
— Os seus filmes buscavam tratar de temas de clara identificação com plateias do mundo inteiro: injustiça social, luta de classes, discriminação social e etc. Não à toa, Chaplin foi (por muito tempo) um grande opositor de filmes falados, cujos idiomas evidenciavam as suas identidades culturais e origens nacionais.
(Aqui vale um parênteses: o primeiro filme falado é de 1927, do americano Alan Crosland; Chaplin só introduziu diálogos falados em sua obra 13 anos depois, em “O grande ditador”).
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Rafael vai participar de um debate que integra a programação paralela — e gratuita — da mostra junto com a cineasta Barbara Kahane, em que vão falar sobre a relevância da obra de Chaplin no mundo contemporâneo.
— Chaplin pode ensinar as novas gerações a fazerem um humor ao mesmo tempo popular e sofisticado, que não busca a graça na humilhação do mais fraco, mas na provocação aos poderosos — destaca o professor, antes de pontuar que o teor social da sua obra, “evidente ao tomar como protagonista um personagem miserável, mas que não se curva por conta disso”, nunca foi “panfletário”. — Muito pelo contrário: ele o fazia com muita graça, em vários sentidos.
(Ingressos a R$ 10 à venda no site do CCBB)
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17h30 – Sessão Essanay 1 (56 min) – HD – Livre
- Seu novo emprego
- Carlitos se diverte
18h45 – Casamento ou Luxo (82 min) – HD – Livre
17h30 – Sessão Essanay 4 (58 min) – HD – Livre
- Carlitos no parque
- Carlitos na praia
- Carlitos na atividade
19h – O Circo (72 min) – HD – Livre
14h30 – A Condessa de Hong Kong (108 min) – HD – Livre
17h – Sessão First National 1 (64 min) – HD – Livre
- Vida de cachorro
- Os clássicos vádios
18h30 – Luzes da Ribalta (138 min) – HD – Livre
14h30 – Sessão First National 3 (57 min) – HD – Livre
- Pastor de almas
- Laços de liberdade
16h45 – Sessão First National 4 (58 min) – HD – Livre
- Idílio campestre
- Um dia de prazer
18h30 – Monsieur Verdoux (124 min) – HD – Livre
17h30 – Sessão Keystone 3 (72 min) – HD – Livre
- Carlitos e a patroa
- Carlitos banca o tirano
- Carlitos e o relógio
- Bobote em apuros
19h – Sessão Keystone 5 (72 min) – HD – Livre
- Dois heróis
- Carlitos e as salsichas
- Carlitos e Mabel se casam
- Carlitos dentista
14h – Curso com o Professor Luiz Carlos Oliveira Jr. – Aula 1 (120 min) – Livre e gratuito
17h30 – Sessão Keystone 1 (60 min) – HD – Livre
- Carlitos repórter
- Corridas de automóveis para meninos
- Carlitos no hotel
- Um caçador de ladrões
- Dia chuvoso
19h – Sessão Essanay 7 (55 min) – HD – Livre
14h – Curso com o Professor Luiz Carlos Oliveira Jr. – Aula 2 (120 min) – Livre e gratuito
17h30 – Sessão Keystone 2 (59 min) – HD – Livre
- Joãozinho na película
- Carlitos dançarino
- Carlitos entre o bar e o amor
- O Marquês
19h – Sessão Mutual 1 (53 min) – HD – Livre
- Carlitos no armazém
- Carlitos bombeiro
14h – Curso com o Professor Luiz Carlos Oliveira Jr. – Aula 3 (120 min) – Livre e gratuito
17h15 – Sessão Mutual 5 (50 min) – HD – Livre
18h30 – O Grande Ditador (125 min) – HD – Livre
11h – Sessão Atípica – O Garoto (68 min) – HD – Livre (Sessão BB Azul de Cinema: sessão especial, mas não exclusiva, para famílias de pessoas com autismo. A sala não fica lotada, não há trailers, o som é mais baixo, as luzes ficam a “meia luz” e as crianças têm liberdade de sair e entrar do ambiente, sob supervisão dos pais ou responsáveis)
14h30 – Sessão First National 2 (68 min) – HD – Livre
- Dia de pagamento
- Ombro armas
16h – Sessão Mutual 3 (54 min) – HD – Livre
17h30 – Sessão Mutual 6 (56 min) – HD – Livre
19h – O Garoto (68 min) – HD – Livre
15h – Sessão Essanay 6 (51 min) – HD – Livre
- Traficantes de marujos
- Carlitos no teatro
16h30 – SessãoMutual 4 (52 min) – HD – Livre
- Casa dos penhores
- Carlitos no estúdio
18h – Romance de Carlitos (82 min) – HD – Livre
17h30 – Sessão Keystone 7 (64 min) – HD – Livre
- Nova colocação de Carlitos
- Que noite
- Carlitos porteiro
- Carlitos rival no amor
19h – Sessão Keystone 8 (65 min) – HD – Livre
- Dinamite e pastel
- Carlitos e Mabel assistem às corridas
- Carregadores de piano
16h30 – O Circo (72 min) – 16h30 às 17h47 – HD – Livre
18h – Um Rei em Nova York (101 min) – 18h às 19h46 – HD – Livre
16h30 – Sessão Essanay 2 (56 min) – HD – Livre
- Campeão de Boxe
- Carlitos quer casar
18h – A Condessa de Hong Kong (108 min) – HD – Livre
16h15 – Luzes da Ribalta (138 min) – HD – Livre
19h – Luzes da Cidade (82 min) – HD – Livre
13h – Sessão Inclusiva – Tempos Modernos (87 min) – HD – Livre (Sessão com acessibilidade: tradução em Libras, audiodescrição e legendagem descritiva)
15h – Sessão First National 2 (68 min) – HD / 16mm – Livre
- Dia de pagamento
- Ombro Armas
16h30 – Sessão Essanay 2 (56 min) – 16mm – Livre
- Campeão de Boxe
- Carlitos quer casar
17h45 – Sessão Essanay 3 (50 min) – 16mm – Livre
- O Vagabundo
- Senhorita Carlitos
19h – Em Busca do Ouro (73 min) – 16mm – Livre
14h30 – Sessão Mutual 2 (52 min) – 16mm – Livre
- Carlitos
- O Vagabundo
- A uma da madrugada
16h – Sessão Mutual 3 (54 min) – 16mm – Livre
16h30 – Sessão Essanay 5 (51 min) – 16mm – Livre
18h – O Grande Ditador (125 min) – 16mm – Livre
16h30 – Sessão First National 2 (68 min) – HD – Livre
- Dia de pagamento
- Ombro Armas
18h – Monsieur Verdoux (124 min) – HD – Livre
16h30 – Sessão Mutual 2 (52 min) – HD – Livre
- Carlitos
- O Vagabundo
- A uma da madrugada
18h – Um Rei em Nova York (101 min) – HD – Livre
16h30 – Revista Chaplin (117 min) – HD – Livre
19h – Debate com a cineasta Barbara Kahane e o professor e pesquisador Rafael de Luna. Mediação do curador José de Aguiar. Livre e gratuito. Evento com tradução em Libras
16h30 – Sessão First National 1 (64 min) – HD – Livre
- Vida de Cachorro
- Os Clássicos Vádios
18h – Casamento ou Luxo (82 min) – HD – Livre
14h – Oficina de maquiagem no foyer do cinema- Livre e gratuita
15h – Sessão Mutual 6 (56 min) – 16mm – Livre
16h30 – Sessão Essanay 6 (51 min) – 16mm / HD – Livre
- Traficantes de Marujos (16mm)
- Carlitos no Teatro (HD)
18h – Sessão Mutual 4 (52 min) – 16mm / HD – Livre
- Casa dos Penhores (16mm)
- Carlitos no Estúdio (HD)
19h15 – Romance de Carlitos (82 min) – 16mm – Livre
14h – Presença de Roberson Martins de Carvalho, o “Chaplin Carioca”, no foyer do cinema
16h – Oficina Infantil de Desenho em Película, com Diogo Rembold (82 min) – Livre e gratuito
19h – O Garoto (68 min) – 16mm – Livre
16h30 – Sessão Essanay 5 (51 min) – HD – Livre
18h – Em Busca do Ouro (95 min) – HD – Livre