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Conhecido como Cat Stevens antes de sua conversão ao islamismo, Yusuf Islam lança autobiografia e coletânea de sucessos

BRCOM by BRCOM
setembro 18, 2025
in News
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Capa do livro 'Cat on the road to findout' — Foto: Divulgação

Na terceira vez que Yusuf Islam, então conhecido como o cantor e compositor Cat Stevens, quase morreu, ele não contou a ninguém. Sua primeira experiência de quase morte foi na adolescência, quando um amigo o salvou de cair entre telhados. A segunda foi aos 20 anos, quando os médicos o diagnosticaram com tuberculose. Em 1975, logo após completar 27 anos, Yusuf estava em Malibu, Califórnia, quando decidiu nadar no Pacífico. Após 15 minutos na água, tentou voltar, mas descobriu que a correnteza o estava levando para o mar.

— Eu achava que sabia nadar bem, mas não conseguia lutar ou vencer o oceano. Só me restavam alguns segundos — disse recentemente Yusuf, de 77 anos, numa entrevista via vídeo, de Londres.

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Ele então rezou, prometendo que, se vivesse, trabalharia para Deus:

— Quando percebi minha vulnerabilidade, o que mais eu poderia fazer? Meu corpo estava desaparecendo. Só me restava minha alma.

Poucos meses depois de quase se afogar, seu irmão mais velho, David, lhe deu um exemplar do Alcorão. Assim que o músico leu as primeiras páginas, soube que havia encontrado o caminho para cumprir sua promessa.

O presente precipitou um dos maiores sumiços do rock’n’roll. Em 1977, converteu-se ao islamismo; em 1978, mudou seu nome de Steven Georgiou para Yusuf Islam e gravou seu último álbum como Cat Stevens, “Back to Earth”. Suspenso entre sua vida passada e a nova fé, não gravaria outro álbum com outros instrumentos além da bateria por quase 30 anos.

Yusuf já havia admitido que não entendia o quão significativos e motivadores haviam sido hinos como “Peace train”, “Father and son” ou “Moonshadow”, ou o quão decepcionante seu desaparecimento musical poderia ser.

Agora, ele tenta se explicar sobre várias questões. Após quase 35 anos rascunhando uma autobiografia, Yusuf finalizou a volumosa, engraçada e sincera “Cat on the road to findout”, que será lançada em outubro. (Um compêndio de sucessos, lançado este mês, também leva esse nome.) É uma coletânea de anedotas íntimas e arrependimentos, delineando as razões por trás de momentos controversos.

— No Alcorão, algumas das primeiras palavras que você lê são: “Guia-nos para o caminho reto” — disse ele. — Existem caminhos tortuosos, com certeza, mas todos são caminhos em direção a algo mais elevado e, em última análise, divino. Eu simplesmente continuo.

Capa do livro ‘Cat on the road to findout’ — Foto: Divulgação

Em 1981, Yusuf vendeu quase todo o seu equipamento musical e dividiu suas 40 mil libras entre duas instituições de caridade. Durante seus primeiros três anos como muçulmano, lutou contra a noção controversa de que a fé proibia fazer música, até que um panfleto religioso finalmente o convenceu de que, sim, era proibido.

Mas em 2002, o único filho de Yusuf, Muhammad, comprou uma guitarra. Ele se interessava por rock há muito tempo e levou seu instrumento escondido para umas férias em família em Dubai.

— Eu sabia que meu pai ia adorar conhecer a guitarra — disse Muhammad, de Londres. — Ele entrou no meu quarto e disse: “Nossa, você tem uma guitarra?” Ele a pegou e tocou alguns acordes.

A irmã mais nova de Muhammad, Aminah, pediu “The laughing apple”, uma música que ela conhecia do álbum “New Masters”, de Yusuf, de 1967. Foi a primeira vez que ouviu seu famoso pai cantar enquanto tocava.

Yusuf já vinha se preparando para retornar à música há uma década. Ele gravou “The life of the last prophet” em 1995, misturando leituras faladas com interpretações de tradicionais nasheeds, um tipo de hino muçulmano. Ele fundou a gravadora Mountain of Light e ficou encantado quando “The life…” se tornou um sucesso no mundo muçulmano. Mais álbuns se seguiram.

A carreira musical relançada de Yusuf o levou a defender sua própria interpretação da fé. Havia debate suficiente sobre música no islamismo, e ele sentia que poderia tocar novamente e manter sua alma segura. Seu livro de 2014, “Por que ainda carrego um violão”, foi sua explicação direta à comunidade muçulmana.

— Houve ameaças vindas dos setores de jurisprudência da comunidade muçulmana, como “É perigoso estar por aí, se gabando de seus talentos e se exibindo” — disse ele. — Mas minha arte era algo muito mais profundo do que isso.

Quando era criança, numa escola católica de Londres, Yusuf fez a uma freira aquela que pode ter sido sua primeira pergunta existencial: “Quando os anjos começam a anotar seus pecados?” Ela lhe disse que o placar começava quando as crianças completavam 8 anos. Foi um alívio, já que ainda faltava um ano ou mais para ele.

“A religião constantemente me fazia sentir culpado por coisas bonitas”, escreve ele em seu livro.

Essa tensão moldou os últimos 70 anos da vida de Islam, enquanto ele oscilava entre a celebridade e a caridade, a reclusão e a franqueza, e entre seus próprios nomes. (Seus três últimos álbuns foram lançados como “Yusuf/Cat Stevens”.)

Ele assume parte da culpa por vários erros em “Findout”, como seus recorrentes ciúmes românticos e frieza quando jovem. Mas também celebra vitórias, como a obtenção de financiamento governamental para suas escolas islâmicas.

— Vou começar a citar o Alcorão, mas Deus criou a morte e a vida para testar você. Em termos capitalistas, há um dia de pagamento — disse. — Isso pode ser bom ou ruim, dependendo do que você fez. É uma expressão de carma, porque o que você faz terá um efeito. Se você somar o efeito final da sua vida, é para isso que devemos trabalhar: elevar esse valor.

Yusuf gosta de se ridicularizar como agia como um jovem artista, ruim em se explicar para a imprensa e talvez ainda pior em contar histórias no palco. Ele percebe agora que era um garoto que não sabia muito sobre nada e que, à medida que começou a se afastar de sua carreira e fama, finalmente conseguiu aprender o suficiente para voltar a ela:

— Eu estava procurando respostas, e muitas delas estavam na música. Quando encontrei o que procurava, não deveria ter surpreendido as pessoas por eu não precisar mais compor tantas músicas. Ficou mais fácil quando aprendi algo sólido em que podia me apoiar. Se você conseguiu captar a verdade, se sente muito mais confiante para falar sobre ela.

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