William revelou, em participação no programa “Domingão com Huck”, que ele e a esposa, Kate Middleton, optaram por manter os três filhos, George, de 12 anos, Charlotte, de 10, e Louis, de 7, afastados dos celulares por enquanto. Segundo o príncipe, a medida visa proteger as crianças de conteúdos impróprios e ajudá-las a vivenciar a infância de forma mais saudável.
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“Eles não têm telefone. Quando George for para o segundo grau, talvez a gente dê a ele um celular, mas com acesso limitado”, contou ao apresentador, destacando que a decisão é fruto de uma escolha consciente do casal. Mas será que adiar o uso do celular é realmente benéfico?
A terapeuta especialista em desenvolvimento humano e CEO da Entrelaço Terapias, Danielle Ribeiro, afirma que postergar o acesso ao aparelho pode ser uma prática positiva e favorecer a infância.
“Neste período, é importante que a criança explore o mundo real, brinque, se relacione e desenvolva atenção e criatividade sem distrações digitais. Ao postergar o acesso, os pais favorecem um uso mais consciente e equilibrado no futuro”, afirma.
Já o especialista em tecnologia e diretor de marketing da Navita Enghouse, Wally Niz, observa que a ausência precoce do celular não compromete o aprendizado tecnológico das crianças.
“Hoje estamos cercados de tecnologia: a televisão já possui diversos recursos digitais, e nas escolas há uso de tablets voltados para o aprendizado. Portanto, o fato de a criança não usar celular desde cedo não deve causar prejuízo significativo. Além disso, a curva de aprendizado tende a ser rápida, já que a maioria dos aplicativos é desenvolvida para oferecer uma experiência intuitiva. Assim, quando a criança tiver idade mais avançada, a adaptação ao uso do celular será natural e simples”, destaca.
Wally acrescenta que, apesar disso, manter adolescentes longe do aparelho é cada vez mais desafiador:
“Embora não seja recomendável o uso frequente, é difícil controlar totalmente, pois os jovens começam a conquistar mais independência. Ainda assim, é possível manter a comunicação sem conceder acesso total ao dispositivo. Existem ferramentas de controle parental que permitem limitar o tempo de uso, definir quais sites podem ser acessados e até acompanhar a localização.”
Danielle ressalta que o uso precoce pode impactar o desenvolvimento emocional. “Quando o uso é precoce, já pode haver impacto desde a primeira infância. Antes dos 6 anos, a criança aprende sobre emoções por meio do convívio e do brincar, algo que o celular tende a substituir. A partir dos 10 ou 12 anos, o risco passa a ser o comparativo social e a busca por aprovação nas redes”, pontua.
Segundo Wally, muitas escolas já incentivam o distanciamento das telas. “Hoje é perfeitamente possível que uma criança cresça sem celular. Existem, inclusive, iniciativas em algumas escolas que proíbem o uso do aparelho em qualquer momento, justamente para evitar o uso excessivo. Crianças e adolescentes precisam vivenciar o ócio, brincar e interagir com outras pessoas sem estarem conectados constantemente a redes sociais, cujo objetivo é manter o usuário engajado o maior tempo possível”, observa.
Para lidar com sentimentos de exclusão em crianças que não têm aparelho, Danielle orienta: “É importante acolher o sentimento, mas reafirmar os motivos da decisão. Os pais devem explicar que o limite existe por cuidado, não por castigo, e propor outras formas de socialização, como encontros, esportes e tempo de qualidade com amigos. O diálogo constante ajuda a criança a entender e aceitar melhor essa escolha”.
Wally reforça que não há idade mínima universal para o uso do celular, mas as redes sociais impõem restrições. “O Instagram, por exemplo, estabelece 13 anos como idade mínima em sua política global, enquanto, de acordo com as normas brasileiras, a idade recomendada é de 16 anos. O celular pode ser útil como meio de comunicação, mas o uso voltado às redes sociais, especialmente de vídeos curtos e foco em engajamento, não é recomendado para crianças. Essas limitações existem para proteger o público mais jovem desse tipo de exposição”, orienta.
Danielle conclui que a ausência do aparelho pode trazer benefícios significativos. “Sem o celular, a criança aprende a lidar com o tédio, a buscar soluções por conta própria e a usar a imaginação. O contato presencial fortalece empatia, comunicação e capacidade de cooperação, bases importantes para a autonomia e o bem-estar emocional”, completa.

