A série histórica do Ipsos-Ipec, antigo Ibope, mostra como presidentes passaram a ter saldos de aprovação mais tímidos depois de 2013, ano das manifestações que marcaram o início do turbilhão político que se intensificaria dali em diante. De lá para cá, os anos com balanço mais positivo entre aprovação e desaprovação foram os primeiros dos mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (+15) e de Jair Bolsonaro (+11), quando o eleitor deu um voto de confiança aos recém-escolhidos nas urnas.
- Rali: Ferramenta reúne série histórica de aprovação de governo e indicadores econômicos
Para se chegar ao saldo, o cálculo é simples: aprovação menos desaprovação. Ao fazê-lo em todas as pesquisas de determinado ano, o levantamento extraiu uma média anual. No Rali, ferramenta do GLOBO em parceria com o Instituto Locomotiva, é possível navegar pelos dados de pesquisas de aprovação de governo desde 1990, comparar diferentes gestões e cruzar os números com indicadores econômicos.
Com exceção do gesto de boa vontade dos eleitores no começo das gestões Bolsonaro e Lula, os saldos entre 2014 e 2025 foram bastante negativos, o que aconteceu com Michel Temer e nos dois últimos de Bolsonaro, ou levemente positivos, como Dilma Rousseff registrou quando se reelegeu.
Com o ano perto de acabar, Lula caminha agora para ter saldo negativo pela primeira vez nos seus três mandatos no Palácio do Planalto. O pior desempenho que amargou até hoje no balanço anual foi em 2005, quando o mensalão explodiu. Mesmo ali, no entanto, o baque não foi tão grande, e o petista fechou o ano com sete pontos positivos. Em 2006, ele se recuperaria de vez e conseguiria a reeleição.
— Ali foi um exemplo da importância da economia. Como o país estava bem, cobrou-se menos o governo pelas revelações de corrupção — recorda o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, fundador do Ipespe.
Em 2025, até aqui — outras pesquisas tendem a ser divulgadas até o fim do ano —, Lula apresenta saldo negativo de 13 pontos no Ipsos-Ipec, de sete na Genial/Quaest, de dois no Datafolha e de oito no Ipespe, quando considerada a média de todas as sondagens feitas desde janeiro pelos institutos. Apesar disso, as últimas pesquisas foram mais favoráveis ao presidente, que em alguns casos viu a aprovação superar a desaprovação ou empatar.
Antes de 2013, houve exemplos de anos bem mais gloriosos para presidentes. Lula deixou o governo em 2010, quando emplacou Dilma como sucessora, com 74 pontos positivos. Embalada pela popularidade, a petista também começou bem o primeiro mandato e conseguiu fechar 2011 com 51 pontos de saldo, resultado que foi ainda melhor no ano seguinte, com 59.
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A virada de chave se deu de forma acentuada. Em contraste absoluto com o início do primeiro governo, Dilma começou a segunda gestão impopular, e o saldo em 2015 foi de 65 pontos negativos. Além da crise econômica, o país via a Lava-Jato dar os primeiros passos e intensificar a crise política depois de uma eleição presidencial disputada como nunca antes havia sido — ela derrotou o tucano Aécio Neves por 51,6% a 48,4%.
No ano seguinte, o Congresso aprovou o impeachment, mas não foi o suficiente para mudar o humor do brasileiro. O rechaço em volume superlativo marcou mais ainda o governo Temer, que deixou o Planalto, em 2018, com 82 pontos negativos de saldo, recorde da série histórica.
Com exceção do primeiro ano, o resultado do governo Bolsonaro nas pesquisas foi praticamente zerado já em 2020, com apenas um ponto positivo no balanço final, e desfavorável nos seguintes. Além dos 34 negativos em 2021 como consequência do auge da pandemia, ele registrou média de 16 negativos no ano em que perdeu para Lula, a despeito de ter melhorado de desempenho ao longo dos meses.
Caso curioso da série, num passado mais distante, é o de Fernando Henrique Cardoso. Com ele, não teve meio termo: o primeiro governo do tucano, embalado pelo Plano Real, ficou sempre acima de 20 pontos positivos de saldo, o que lhe garantiu uma confortável reeleição em 1998. Depois dali, contudo, a gestão piorou e, marcada por problemas econômicos, viu todos os anos fecharem com dois dígitos de saldo negativo — o que facilitou a vitória de Lula em 2002.

