Uma nova etapa da “Operação Contenção” foi deflagrada nesta terça-feira, tendo como principal ofensiva a expansão territorial do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil, o objetivo é atacar a estrutura financeira e logística da facção. Um dos alvos era o homem apontado como “Mentor de Barricadas”, que financia e viabiliza material para a construção das barreiras que impedem o direito de ir e vir dos moradores e limita o acesso a serviços básicos.
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O “Mentor das Barricadas” foi identificado pela polícia como Cosme Rogério Ferreira Dias. Ele se apresentava como empresário do ramo da reciclagem mas, segundo as investigações, era o braço financeiro da organização criminosa, com operações de lavagem e apoio logístico ao tráfico. As investigações apontam que parte dos recursos para erguer e manter as barricadas é proveniente da receptação e comercialização de cobre e outros metais furtados.
Cosme foi preso numa casa de alto luxo, no Recreio dos Bandeirantes, junto com a esposa. Os policiais chegaram bem cedo ao endereço e encontraram o principal alvo do mandado de prisão ainda na cama. A mesa estava sendo posta para o café da manhã. Os agentes vasculharam armários e gavetas, onde encontraram grande quantidade em dinheiro, cartões de crédito e aparelhos de telefone celular. O acusado foi levado para a Cidade da Polícia.
A ação desta terça-feira destina-se ao cumprimento de 41 mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 217 milhões em bens e valores e interdição de oito ferros-velhos. As diligências acontecem no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais. O trabalho conta com a participação de agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e de unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).
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— Essa fase da ‘Operação Contenção’ representa um golpe direto na espinha estrutural e econômica do Comando Vermelho, visando asfixiar financeiramente a facção e restringir sua capacidade de domínio territorial — afirmou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Segundo a polícia, a apuração comprovou que ferros-velhos ligados ao tráfico de drogas funcionavam como núcleos de lavagem de dinheiro e de apoio operacional, sendo fundamentais também para financiar a instalação e reconstrução de barricadas, que impedem a ação policial, para custear atividades de vigilância armada e manutenção de pontos de venda de drogas e para fortalecer o controle territorial em comunidades da Zona Norte, Baixada Fluminense e Região Metropolitana.
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As análises financeiras conduzidas pela DRF revelaram movimentação ilícita superior a R$ 217 milhões, valor considerado incompatível com as atividades declaradas pelos investigados. Diante disso, foram representados e deferidos ordem de bloqueio integral de valores e ativos financeiros vinculados à facção e seus operadores, sequestro de imóveis de luxo no Recreio dos Bandeirantes, utilizados para blindagem patrimonial, sequestro de veículos de alto padrão, pertencentes ao núcleo financeiro, interdição de oito ferros-velhos, centrais no escoamento de cobre furtado e lavagem de capitais, e afastamento compulsório de sócios e responsáveis legais, para cessar imediatamente a continuidade da atividade criminosa.
O principal alvo da operação, o “Mentor de Barricadas”, se apresentava como empresário do ramo da reciclagem. As investigações, porém, revelaram que ele liderava o braço financeiro da organização criminosa. financiava o Comando Vermelho, lavando dinheiro oriundo da receptação de cobre, fornecia materiais para construção e reforço de barricadas e atuava como elo entre os ferros-velhos e o tráfico, promovendo a integração logística e financeira da facção.
Um relatório reservado do setor de inteligência da Polícia Militar aponta que o Comando Vermelho atua em 70 dos 92 municípios do Estado do Rio. Dos 1.648 locais mapeados, 1.036 (62,8%) são controlados pelo CV; 340 (20,6% ) pelo TCP; 229 (13,9%) pela milícia; e 43 (2,6%) pelo ADA. Esse mesmo estudo, publicado pelo GLOBO no começo de dezembro, revela que há somente 15 cidades onde não há o domínio consolidado de algum grupo criminoso. Um retrato da ousadia dos bandidos são as barricadas que instalam nos acessos e dentro de comunidades sob seu domínio.
De acordo com a PM, este ano, até outubro, foram 4.400 toneladas retiradas e 2.300 ruas desobstruídas. Os relatos sobre barricadas ao serviço Disque Denúncia cresceram 50,5% de janeiro a outubro deste ano em relação a igual período de 2024: passaram de 6.908 para 10.393. São Gonçalo, majoritariamente controlada pelo CV, teve 34,12% das denúncias feitas em 2025, seguida de Rio e São João de Meriti. Hoje campeã, a cidade de São Gonçalo era terceira colocada em 2024, perdendo para Rio e São João de Meriti.
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Os relatos ao serviço Disque Denúncia mostram que o município de São Gonçalo, na Região Metropolitana liderava o ranking, com 3.546 denúncias de barricadas, desbancando a capital, que em 2024, era a campeã, com 2.273 relatos de barricadas.
O Rio passou a ocupar a segunda posição com 2.536 denúncias de barrocadas. Entre os bairros mais denunciados estão: Vigário Geral (523), Cordovil (161), Penha Circular ( 110) e Anchieta ( 106).
Nesta segunda-feira, o governador do Rio, Cláudio Castro, se reuniu com diferentes prefeitos de diversas cidades do estado para discutir um plano conjunto de retirada de barricadas em comunidades dominadas pelo crime organizado. As barreiras atrapalham o acesso das forças de segurança e ajudam o controle do território pelo poder paralelo. A proposta é que as policiais adentrem as regiões focos da ação com a segurança, e as prefeituras, com o trabalho logístico para eliminar as barricadas.
— As prefeituras dispõem de materiais como asfalto, concreto, técnicos e maquinário, fundamentais para que possamos realmente potencializar os resultados e aumentar a abrangência da retirada de barricadas. Quando definirmos o território, a polícia vai ocupá-lo e, após conseguir estabilizar a área, as prefeituras entram com máquinas, técnicos e materiais, retirando entulho, barras de ferro fincadas no chão e reparando o asfalto das ruas danificadas — disse o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.
