Quando um vaso sanitário de ouro maciço — feito com 100 quilos de ouro de 18 quilates e com encanamento funcional — foi vendido na noite de terça-feira durante um leilão de arte contemporânea, a casa de leilões insinuou que o comprador era uma “marca americana famosa”.
- Entenda: Escândalo do ‘banheiro de ouro’ atinge aliado de Zelensky e expõe suspeita de desvio de R$ 530 milhões em fundos de guerra
O que a empresa não mencionou foi que o único licitante, que desembolsou US$ 12,1 milhões, cerca de R$ 64 milhões, pela escultura funcional, era um empório de objetos curiosos e atrações peculiares.
Uma porta-voz do Ripley’s Believe It or Not! confirmou na quarta-feira que a empresa de entretenimento comprou o vaso sanitário de ouro, descrevendo-o como “uma das aquisições mais extravagantes de sua história”.
“Agora é a peça mais valiosa e certamente a mais brilhante a integrar a coleção do Ripley’s”, afirmou a porta-voz, Suzanne Smagala-Potts, em comunicado. “Se derretesse o ouro, ele valeria cerca de 10 milhões de dólares na cotação atual, o que torna este talvez o objeto mais tentador para uma pausa para ir ao banheiro na história da arte.”
A Ripley’s possui dezenas de atrações ao redor do mundo, criando versões próprias de aquários, museus e labirintos de espelhos. A empresa não revelou onde o vaso sanitário será guardado, embora planeje exibi-lo. Também afirmou estar avaliando a possibilidade de permitir que visitantes o utilizem algum dia.
A Sotheby’s, responsável pelo leilão de terça-feira, havia precificado a peça com base no valor equivalente do ouro. A Ripley’s pagou esse valor, além de outros US$ 2 milhões em prêmios à casa de leilões.
A obra, intitulada “América”, foi criada em 2016 pelo artista conceitual Maurizio Cattelan, que produziu duas versões. Uma delas foi roubada e destruída em 2019, quando estava exposta no Palácio de Blenheim, na Inglaterra. A versão adquirida pelo Ripley’s pertencia anteriormente ao financista e proprietário do New York Mets, Steve Cohen.
Cohen mantém uma ampla coleção de arte que inclui outras obras com humor ácido ou críticas políticas, como “Flag”, de Jasper Johns, de 1958, e “The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living”, de Damien Hirst, de 1991, que retrata um tubarão-tigre conservado em formaldeído.
O valor pago por Cohen quando adquiriu o vaso sanitário, em 2017, não foi revelado. Quando a versão exposta no Palácio de Blenheim foi roubada dois anos depois, sua estimativa de valor era de US$ 5,9 milhões.
“Encontrar o inacreditável é o nosso negócio”, disse John Corcoran, diretor de exposições do Ripley, em comunicado. “Mas nem nós imaginamos que um dia precisaríamos de um encanador de plantão para uma instalação de arte.”
“Nossa ideia principal é manter o fluxo livre”, acrescentou. “A segunda é garantir que nada fique obstruído e elimine possibilidades futuras. Vamos começar a planejar.”

