Muita gente credita ao ítalo-brasileiro Angelo Agostini o mérito de ser o autor da primeira história em quadrinhos publicada no Brasil: “As aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma viagem à Corte”. Tanto que a data de sua publicação, em 30 de janeiro de 1869, na revista “Vida Fluminense”, é considerado o Dia do Quadrinho Nacional.
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Porém, 14 anos antes, em 15 de outubro de 1855, Sébastien Auguste Sisson já havia publicado numa página dupla da revista “O Brasil Ilustrado” uma sequência de cartuns com o título “O namoro, quadros ao vivo”.
Para celebrar os 170 anos de seu pioneirismo, o Museu da Caricatura Brasileira, no Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto Sébastien Sisson, abre ao público nesta sexta-feira (28) uma exposição com trabalhos do artista francês, naturalizado brasileiro.
— Na obra de Sisson, já encontramos os principais elementos narrativos de uma HQ: enredo, narrativa e arte sequenciada — explica o diretor do museu, Luciano Magno. — Não é um trabalho sofisticado e nem faz planos cinematográficos como Agostini ousou fazer depois, mas os elementos básicos dos quadrinhos estão presentes. É natural que em obras que iniciam uma tradição seja assim, acontece o mesmo em outros países.
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Segundo Magno, o pioneirismo de Agostini foi capitalizado pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo:
— Foi uma resposta da associação, em 1984, à polêmica ocasionada por um grupo de intelectuais que propusera uma homenagem a Adolpho Aizen, defendendo a data de 14 de março como o Dia das Histórias em Quadrinhos, em celebração aos 50 anos do Suplemento Juvenil, de 1934. Só que a publicação era fortemente associada aos quadrinhos americanos, então houve uma reação nacionalista em torno da obra de Agostini e a instituição do dia 30 de janeiro como o Dia do Quadrinho Nacional.
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A importância de Sisson para o museu é tão grande que, em 2024, criaram um troféu em sua homenagem chamado Sisson: Pioneiro dos Quadrinhos Brasileiros para prestigiar autores do gênero como Ricardo Leite, ano passado, e, agora, Luiz Gê, que também ganha exposição.
— Luiz Gê está sendo contemplado com o troféu porque é um grande artista gráfico — justifica Magno. — Com extensa trajetória na imprensa desde 1972, ele é autor de álbuns que já se tornaram clássicos, como “Quadrinhos em fúria”, “Territórios de bravos” e “Avenida Paulista”. Por tudo isso, nada mais merecido do que essa homenagem.
O museu carioca também inaugura nesta sexta uma mostra com 70 artes do ilustrador J. Carlos em sua fase na “Illustração Brasileira”, revista em que ele trabalhou nos anos 1920. As três exposições podem ser visitadas de quinta a domingo, de 13h às 18h, até 29 de março de 2026, na Rua Primeiro de Março 22, no Centro.

