Às 1h04 de 27 de novembro de 1983, o voo 11 da Avianca iniciava a aproximação para o Aeroporto de Barajas, em Madri, após decolar de Paris com destino final a Bogotá, Lima e Santiago. Minutos antes do pouso, porém, o Boeing 747 perdeu altitude de forma abrupta e tocou uma das colinas que cercam o aeroporto, dando início a uma sequência de impactos que destruiriam a aeronave. A fuselagem se partiu, uma asa se desprendeu e um dos motores pegou fogo, até que o Jumbo capotou e parou com o trem de pouso voltado para o céu.
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Quando as equipes de resgate chegaram, encontraram uma cena devastadora. Das 194 pessoas a bordo, 181 morreram instantaneamente. Onze sobreviveram — entre elas o policial francês Patrick Negers, sua esposa e seus dois filhos pequenos, que escaparam pela porta de emergência aberta no impacto. Negers relatou ao AFP que recobrou a consciência cercado por destroços e chamas, localizando a família segundos depois. A poucos metros, ele ainda encontrou uma criança, Beatriz Boniol, que também sobreviveu.
Entre as vítimas estavam nomes de destaque das artes e da literatura hispano-americana, que seguiriam para o Primeiro Encontro da Cultura Hispano-Americana em Bogotá. Entre eles, o escritor peruano Manuel Scorza, conhecido por sua obra marcada pelo realismo mágico e crítica social; a crítica de arte argentina Marta Traba; o escritor uruguaio Ángel Rama; além do jornalista mexicano Jorge Ibargüengoitía e dos artistas plásticos Jairo Téllez e Tiberio Banegas. Nenhum sobreviveu ao desastre.
Outros relatos de sobrevivência reforçaram a dimensão da tragédia. O engenheiro colombiano Hugo Bernal, de 40 anos, descreveu ter ficado pendurado pelo cinto de segurança após o impacto, escapando pela janela que conseguiu arrombar enquanto o avião começava a incendiar. Ele correu por centenas de metros antes de ser resgatado por policiais.
As primeiras explicações oficiais vieram ainda na manhã do acidente. O então ministro dos Transportes da Espanha, Enrique Barón, afirmou que o Boeing voava a uma altitude “muito baixa” para o ponto em que se encontrava na aproximação final. Questionado se havia erro do piloto, admitiu a possibilidade, mas pediu cautela enquanto a caixa-preta seguia para análise nos EUA.
Quatro dias depois, reportagens do El País e da UPI revelaram informações de fontes próximas à investigação indicando falhas da torre de controle. Os controladores teriam percebido que a aeronave voava 260 metros abaixo da altitude recomendada, mas não alertaram o piloto — algo que, segundo especialistas ouvidos, poderia ter evitado o impacto inicial.
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A apuração jornalística avançou também sobre o comportamento do comandante Tulio Hernández. Segundo o Diario 16, ele enfrentava problemas pessoais e havia pedido substituição para o trecho seguinte do voo. A investigação indicou que o piloto digitou incorretamente a altitude no altímetro automático, programando 3.282 pés em vez dos 2.382 reais. O erro fez com que o alerta soasse tarde demais. Ao ouvi-lo, ele e o copiloto concluíram que se tratava de um engano e desligaram o sistema.
Na semana seguinte, o governo espanhol confirmou os dois fatores decisivos: o erro de configuração do altímetro pelo piloto, seguido da desativação do alarme, e a ausência de aviso da torre de controle sobre a altitude crítica. A combinação levou à queda que matou 183 pessoas e se tornou um dos acidentes mais impactantes da aviação latino-americana nos anos 1980.

