Que o lifestyle brasileiro — e, principalmente, o carioca —, tem borogodó, a gente já sabe. Mas, agora, todos os olhos estão voltados à redescoberta de um novo país: onde a cultura e a moda estão em plena efervescência e o nosso carisma conquista de astros da música a estrelas de Hollywood. No início do mês, as Havaianas foram eleitas o produto mais desejado do planeta pela plataforma fashion Lyst, e vistas nos pés de Kim Kardashian e Dua Lipa em passagem pelo Rio. A grife italiana Saints Studio produziu, recentemente, uma camisa de crochê da Seleção Brasileira que bombou na gringa, combinando bordados, fios e aplicações feitos à mão.
A revista Time Out, respeitado guia turístico, cravou que a Rua do Senado, no Centro da cidade, é a mais cool do mundo. E o que falar do cinema? Após o estrondoso sucesso de “Ainda estou aqui”, ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional no ano passado, que trouxe o reconhecimento mundial da atriz Fernanda Torres, “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, com Wagner Moura, trilha o mesmo caminho. Mas, afinal, o que explica o atual boom verde e amarelo?
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“Há fatores planejados e induzidos pelo poder público, como a agenda da COP 30 e o movimento político de Lula, de se mostrar como um grande negociador e solucionador de problemas”, diz o professor especializado em cultura pop da UFPE, Thiago Soares. Para ele, o incentivo a políticas públicas na cultura, abandonadas no antigo governo, catapultaram essa internacionalização, bem como o estilo de vida “boêmio”. “O bem-estar do Brasil é atrelado à ideia de boemia e bem-viver, que se infiltra em contextos globais. Há a roda de samba, o quilombo. As grandes celebridades se amalgamam disso”, continua. O barulho dos brasileiros em grandes eventos e shows, além do engajamento nas redes, é outro fator preponderante. “Os artistas pop que vieram ao país saíram impressionados com a potência dos fãs: em número, volume e engajamento digital”, acredita a consultora de moda Manu Carvalho.
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Para o especialista em branding de moda Fábio Monnerat, o momento “brazilcore” vem como resposta a um mundo em crise. “É preciso encontrar um sopro de esperança, e temos um jeito mais tropical e espontâneo, menos sisudo, que faz com que o mundo se apaixone”, diz Monnerat. O risco, frisa, é nos deixarmos levar mais uma vez, como no início do anos 2000, por uma onda passageira. “Existe uma previsão de que o Brasil supere o restante do mundo em termos de crescimento do mercado de luxo. Voltamos a ser interessantes economicamente, como há 25 anos”, explica. “Mas não podemos viver só de espontaneidade. É necessário um plano de ação concreto para moda, cultura, artes e gastronomia. Senão, será difícil manter esse interesse por muito tempo”, completa.
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O que sobra em potência criativa, falta em organização.

