Pesquisa, pesquisa e mais pesquisa. Esse é o principal ingrediente na receita de uma boa entrevista, diz a jornalista Maria Fortuna, que estreou em julho de 2024 o videocast “Conversa vai, conversa vem”, série de bate-papos com personalidades de diversas áreas. Saber tudo e mais um pouco sobre o entrevistado é mais de meio caminho andado, mas nessa receita cabem também boas doses de surpresa e improviso, um tanto de ouvido de psicanalista e, claro, algumas pitadas de “cara de pau”, conta ela.
No vídeo abaixo, a jornalista, que já recebeu no “Conversa” nomes como Carmo Della Vecchia (o primeiro do projeto), Marina Silva, Ney Matogrosso, Djavan, Paolla Oliveira, Lázaro Ramos, Carol Solberg e Angélica, entre outros, conta mais sobre o videocast, incluindo quem ainda gostaria de entrevistar. A convidada mais recente da série é a atriz Luana Piovani, que se orgulha de ser conhecida por falar o que pensa, sem filtros. A entrevista estará na capa da edição impressa do Segundo Caderno nesta quarta-feira e irá ao ar no mesmo dia, às 18h, no Youtube e no Spotify.
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Maria sempre gostou do formato que originou o “Conversa”, surgido da troca de ideias entre ela, Leticia Sander (editora executiva do GLOBO) e Marcelo Balbio (editor de Cultura).
– Tenho interesse pela humanidade da pessoa que está por trás daquela obra artística, o que a motiva a fazer determinado filme, livro, novela. Acho interessante contar essas histórias porque são inspiradoras, a gente se reconhece no outro, né?
Um exemplo disso foi o papo, para ela o mais surpreendente da série, com o carnavalesco e comentarista Milton Cunha. Na pesquisa feita sobre a vida dele, Maria conta ter descoberto detalhes que não conhecia e sobre os quais ele nunca havia falado.
– Foi uma entrevista muito forte, principalmente quando ele falou sobre o amor que lhe foi negado na infância, sobre não perdoar a mãe que o havia rejeitado por ser uma criança gay… – lembra ela. – E tivemos um feedback enorme de gente que se reconheceu ali dizendo que, por meio da fala dele, conseguiu expurgar muita coisa que viveu.
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Para Maria, o bom entrevistador tem um quê de psicanalista, com vocação para ouvir. E o que faz uma entrevista de sucesso é ter a pesquisa como alicerce:
– Estar “encharcado” de informações sobre a pessoa dá mais segurança para botar o roteiro de lado e deixar a conversa fluir. Porque, muitas vezes, o que a pessoa está falando na hora é muito mais importante e interessante do que qualquer pergunta que se possa fazer.
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E depois de tantos “Conversa vai, conversa vem”, ela já levou “toco” de algum entrevistado?
– Toco, toco não, mas já me deram limites, como a Débora Bloch. Quando perguntei sobre a sexualidade dela, ela disse que não falava da vida íntima. Achei ótimo, porque estamos numa época de superexposição, ninguém mais guarda mistério algum sobre si mesmo.

