Durante seu histórico sobrevoo lunar, astronautas da missão Artemis II, da NASA, testemunharam meteoritos atingindo a superfície acidentada da Lua — um fenômeno raro e pouco documentado por observação direta em órbita. A visão despertou a curiosidade dos cientistas.
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— Isso definitivamente foram flashes de impacto na Lua. E Jeremy [Hansen] acabou de ver outro — relatou na segunda-feira o comandante da missão, Reid Wiseman, enquanto voava ao redor da Lua, na primeira viagem desse tipo realizada por humanos em mais de meio século.
Imagem divulgada pela Nasa mostra a superfície da Lua, com contrastes entre áreas claras e escuras, vista da espaçonave Orion, em 6 de abril de 2026
HANDOUT / NASA / AFP
— Incrível — respondeu Kelsey Young, responsável científica lunar da missão, enquanto acompanhava a espaçonave a mais de 400 mil quilômetros de distância, na Terra.
— Eu não sei se esperava que a tripulação visse algum nesta missão, então vocês provavelmente perceberam a surpresa e o choque no meu rosto — disse ela, relembrando o episódio em uma coletiva de imprensa no dia seguinte.
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Entre a equipe da Nasa em Houston, houve “gritos audíveis de alegria” por parte dos cientistas quando a tripulação descreveu os flashes de luz causados pelos impactos de meteoritos, afirmou Young.
— [O fenômeno é] algo que não testemunhamos com frequência — disse a astronauta reserva da missão, Jenni Gibbons. — Eles eram uma prioridade científica muito alta para nós, então o fato de terem visto quatro ou cinco foi simplesmente extraordinário.
“Sem dúvida”
Terra se pondo sobre a borda da Lua, vista da espaçonave Orion
NASA / AFP
Enquanto os astronautas retornavam para casa em alta velocidade, a Nasa perguntou a eles, na terça-feira, sobre os impactos de meteoritos que observaram durante o período de quase sete horas de observação.
— Eles duraram mais tempo? E vocês perceberam alguma cor? — perguntou Young.
— É como um pontinho de luz — respondeu o membro canadense da tripulação, Jeremy Hansen. — Eu suspeitaria que havia muitos mais.
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— Eu diria que duraram um milissegundo, como o tempo mais rápido que o obturador de uma câmera pode abrir e fechar — acrescentou Wiseman, que disse que os flashes eram “brancos a branco-azulados”. — Para mim, não havia dúvida de que estávamos vendo isso, e todos nós estávamos vendo.
Segundo a Nasa, a equipe — que bateu o recorde de maior distância da Terra durante o sobrevoo — relatou um total de seis impactos de meteoritos na superfície lunar.
As equipes em solo agora trabalham para cruzar essas observações com dados de um satélite em órbita da Lua, disse Young, acrescentando que a maioria dos registros ocorreu durante um eclipse solar, quando a Lua passou em frente ao Sol.
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“Desafio”
— Eu, pessoalmente… fiquei surpreso por eles terem visto tantos, embora tenham sido treinados para procurá-los — disse Bruce Betts, cientista-chefe da Planetary Society.
Segundo Betts, as descrições permitirão aos cientistas “ter uma ideia da frequência dos impactos”, bem como do tamanho dos projéteis.
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Uma das questões era qual tamanho um objeto precisa ter para produzir um flash visível para os astronautas, disse Betts.
— Não é um grão de poeira, mas também não é uma rocha de um metro de tamanho — explicou.
— [As observações mostram que o] fluxo diário de meteoros deve ser monitorado mais de perto no futuro antes que uma base lunar seja estabelecida — disse Peter Schultz, professor emérito de Ciências Geológicas na Brown University.
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Na Terra, objetos menores “queimam nas camadas altas da atmosfera devido ao atrito” antes de atingir o solo, observou Betts, o que não ocorre no satélite natural do planeta.
— Há mais desafios na Lua — afirmou.

