A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta quarta-feira os reajustes tarifários de oito distribuidoras de energia que atuam em nove estados do país. Os aumentos, que variam de 5% a 15%, impactarão sobre o preço da energia de quase 50 milhões de brasileiros.
O preço da energia é uma das preocupações centrais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este é um dos principais gastos a pressionar o bolso das famílias brasileiras, e a inflação da economia. O governo chegou a discutir um empréstimo para adiar o impacto dos reajustes, mas a proposta foi deixada de lado. Agora, o Executivo busca novas formas de minimizar o impacto das altas.
As estimativas da Aneel apontam para uma alta média de 8% na conta de luz dos brasileiros em 2026, acima da inflação de cerca de 4,8% projetada para este ano por analistas de mercado no Boletim Focus, do Banco Central (BC).
A CPFL Santa Cruz teve o maior aumento, com um reajuste de 15,12%. A distribuidora atende 45 municípios nos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Enquanto isso, a CPFL Paulista, que atende a região de Campinas (SP) teve o reajuste aprovado em 12,13%,.
A Energisa, que atende Mato Grosso, e Mato Grosso do Sul, teve um aumento de 6,86% e 12,1%, respectivamente.
No Nordeste, a Coelba (Bahia) teve reajuste aprovado de 5,8%, a Enel (Ceará), 5,78%, a Neoenergia (Rio Grande Norte), 5,4%, e a Energisa (Sergipe), 6,68%.
Este impacto apontado pela Aneel na conta de luz é o médio, ele considera tanto os consumidores residenciais (baixa tensão), quanto os da indústria (alta tensão), que pagam um preço maior na energia.
O reajuste poderia ter sido ainda maior. Para evitar um aumento muito grande, a Coelba (Bahia), Energisa do Sergipe e Mato Grosso, e Neoenergisa (Rio Grande do Norte) usaram o dispositivo chamado diferimento. Dessa forma, as distribuidoras aplicam um reajuste menor neste ano, mas que será compensado no próximo ciclo tarifário.
Especialistas apontam que o preço da energia deve voltar a pesar no bolso dos brasileiros neste ano diante de um cenário de uso de térmicas e elevação de subsídios na conta de luz. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios ao setor elétrico pagos pelos consumidores, 17,7% mais que em 2025.
Esses subsídios são custeados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um superfundo do setor elétrico. Esses valores são pagos principalmente pelos consumidores por meio das tarifas de energia.
No ano passado, a energia elétrica residencial subiu 12,31%, segundo o IBGE. Foi o subitem de maior impacto individual no IPCA, que fechou 2025 em 4,26%. O aumento só não foi maior porque o governo aplicou R$ 2,2 bilhões em descontos na tarifa a partir de um bônus da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Considerando apenas o megawatt-hora, o custo de energia atingiu R$ 786,76, o maior desde 2011, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica.

