O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pela retirada das credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atua no Brasil. A medida ocorreu após o governo Donald Trump pedir a retirada dos Estados Unidos do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano.
— Parabéns pela sua posição em relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltar a normalidade — afirmou Lula em um vídeo publicado nas redes sociais.
O oficial era um policial americano que trabalhava dentro de uma unidade da PF em Brasília, até a retirada de credenciais. A partir de agora, o agente deixa de ter acesso à unidade e a bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias do Brasil e dos Estados Unidos. Andrei afirma que esse procedimento foi mesmo que aconteceu com o delegado brasileiro que atuava em Miami.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, os termos da aplicação da reciprocidade “envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro”.
O Ministério das Relações Exteriores afirmou que os Estados Unidos não seguiram a “boa prática diplomática de diálogo” entre “nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos” ao pedir a retirada dos EUA do delegado. No texto, o Itamaraty justifica a ação de reciprocidade adotada pela Polícia Federal a um agente americano que atuava em cooperação com a instituição.
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho foi nomeado para atuar como oficial de ligação em Miami (EUA) em março de 2023. Com isso, atuava em missão junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Tratava-se de missão transitória, com duração de dois anos.
Em março de 2025, teve sua permanência prorrogada no país. Já em 17 de março de 2026, a Polícia Federal determinou por meio de publicação no Diário Oficial da União, a sua substituição pela delegada Tatiana Alves Torres.
O delegado participou junto com o ICE da ação que levou à prisão do atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano em 13 de abril. O ex-deputado foi solto dois dias depois.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Anúncios para a PF
Na gravação feita no Palácio da Alvorada, Lula aparece ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para anunciar a contratação de 1 mil policiais federais. Na fala, Lula, que buscado endurecer o discurso contra a violência, afirmou que o governo está em “guerra contra o crime organizado”:
— Agora estou fazendo decreto fazendo com que sejam chamados mais mil pessoas para a Polícia Federal. São 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas — disse — Recomendei ao meu ministro da Justiça que fizesse uma convocação a todos os agentes e delegados que estão prestando serviço fora da PF, em outro departamento, para que volte a PF, porque nós assumimos um compromisso de fazer uma guerra contra o crime organizado e nós precisamos dos policiais em serviço da Polícia Federal e não em outro serviço — afirmou Lula.

