O Brasil registrou 26 assassinatos causados por conflitos no campo em 2025, uma alta de 100% em comparação com o ano anterior, conforme dados divulgados nesta segunda-feira pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O aumento de vítimas fatais ocorre em meio à queda no registro de ocorrências totais, com 1.593 casos, contra 2.207 em 2024. A maioria das mortes ocorreu na região da Amazônia Legal, nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia.
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Dentre todas as ocorrência, a maior parte foi causada por disputas por terra, com 75% (1.186 casos). Também há registros de conflitos trabalhistas (159 casos), brigas por acesso à água (148 casos) e, ainda, confrontos gerados por “acampamentos, ocupações e retomadas”, com 100 casos.
O estado que lidera o número de ocorrências por disputas por terra é o Maranhão, com 190 casos, seguido por Pará (142), Rondônia (111) e Bahia (101).
Assassinatos
A região Norte concentra cerca de 61% dos registros de assassinatos no país, com 16 casos — sete no Paraná e em Rondônia, além de duas no Amazonas. Os outros estados com mortes registradas são Bahia (4), Paraná (2), São Paulo (2), Minas Gerais (1) e Mato Grosso do Sul (1).
Conforme o entendimento da CPT, há ainda a existência de “massacres”, quando há três ou mais mortes em uma mesma ocasião. Em 2025, foram registrados dois casos do tipo, em Rondônia e no Pará, com três óbitos em cada.
Ocorrências de violência com aumento em 2025
Outro ponto abordado pela pesquisa é o registro de casos de trabalho análogo à escravidão no país. O relatório aponta uma alta de 5% em comparação com 2024, com 159 registros, além de um aumento de 23% no número de trabalhadores resgatados em tais condições (1.991 em 2025 contra 1.622 em 2024).
O maior destaque, segundo o levantamento, foi o resgate de trabalhadores que atuavam na construção de uma usina em Porto Alegre do Norte (MT), onde 586 foram resgatadas. Os principais locais em que há trabalho análogo à escravidão são lavouras, canaviais, mineradoras e empresas pecuárias. Além de Mato Grosso, os estados de Minas Gerais , Goiás, Bahia, São Paulo e Maranhão lideram os registros.
A publicação da CPT, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ocorre anualmente desde 1985. O relatório, segundo a organização, é construído a partir do trabalho de agentes pastorais, denúncias, documentos e notícias.

