O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou nesta segunda-feira, 27, que considera o seu nível de desconhecimento entre os eleitores o principal entrave da futura campanha. Ele também ensaiou um slogan nacionalista e disse preferir que Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, concorra sozinho à Presidência, e não em uma chapa conjunta.
Zema entrou em conflito, recentemente, com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por conta de insinuações a respeito do caso Master. Postagens nas redes sociais deram visibilidade ao político mineiro e ganharam a simpatia de setores conservadores, ao mesmo tempo em que o posicionam em uma trincheira mais radical no pleito.
— Acho que cada um tem o seu estilo. Eu respeito totalmente que cada pré-candidato tenha o seu modelo. O meu estilo é o seguinte: eu governo pacificando — declarou Caiado durante evento em Itu, no interior de São Paulo.
Ele foi questionado três vezes por jornalistas sobre as chances atuais de compor uma chapa com Zema, com quem tem aparecido empatado tecnicamente nas pesquisas em um distante terceiro lugar. Procurou não descartar a possibilidade, mas declarou que a união de candidaturas seria uma estratégia que beneficiaria o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição e tem como principal adversário de momento o senador Flávio Bolsonaro (PL).
— Por que eu tentaria inibir a campanha de um colega? — respondeu o goiano.
Ele reiterou ainda uma postura crítica ao Supremo, mas que, na sua opinião, deveria levar a uma reflexão interna da instituição, e não ser resolvida por meio de uma relação conflituosa com os outros Poderes. Caiado defende que os ministros do STF se reúnam para “cortar na própria carne” e dar “um bom exemplo”, antes de se partir para a abertura de processos de impeachment.
— O Supremo, neste momento, merece reconhecer uma situação que hoje é um clamor nacional e, como tal, caberá a ele, num primeiro momento, ter essa iniciativa. Se não tiver, o que vai acontecer? O Senado Federal, por norma constitucional, vai tomar as providências no sentido de fazer o julgamento.
Em outro momento, saiu-se com um slogan nacionalista para sua pré-campanha e defendeu que candidatos a presidente “não têm direito à presunção de inocência” se quiserem promover reformas e solucionar crises.
— Se eu assumir a presidência, eu vou entregar o Brasil aos brasileiros de bem. Isso eu dou conta de fazer e sei fazer. O meu adversário sabe qual é? Que eu preciso ser conhecido: 53% da população não me conhece — disse.
Caiado acompanhou o presidente do seu partido, Gilberto Kassab, no 8º Fórum Paulista de Desenvolvimento, que reuniu representantes de prefeituras em Itu, no interior de São Paulo. Fez um discurso voltado para gestores municipais, em que prometeu “diminuir Brasília”, em sentido figurado, caso fosse eleito presidente nas próximas eleições, entre promessas de responsabilidade fiscal e liberalismo econômico.
Antes do evento, em uma sala reservada, Kassab declarou à imprensa que confia na reversão do cenário atual das pesquisas, que indicam uma eleição presidencial polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo ele, Caiado é uma “alternativa testada e aprovada”, mas que ainda precisa superar o “recall” dos adversários, nomes mais conhecidos do eleitorado.
Em dois momentos distintos da agenda, Kassab sinalizou que Zema deve encaminhar mesmo uma candidatura própria, e não fechar alianças com Flávio ou Caiado. O dirigente partidário acredita que a disputa presidencial já tem “quadro definido”, descartando também as pretensões de Ciro Gomes (PSDB), que se mostra indeciso sobre concorrer a presidente ou ao governo do Ceará contra o incumbente, Elmano de Freitas (PT).
Kassab promete ‘apoio incondicional’ a Tarcísio
Kassab também declarou nesta segunda “apoio incondicional” ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mesmo com a possibilidade de o PSD não ficar com nenhuma das quatro vagas da eleição majoritária no estado. Entre aliados, cresce a percepção de que a segunda vaga do grupo ao Senado será entregue ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado, André do Prado (PL), consolidando a chapa.
— Isso mostra o quanto o PSD está com o Tarcísio. O nosso apoio incondicional não depende de vice, nem de Senado — ele afirma. — O PSD tem protagonismo dentro do governo, estamos muito felizes com a sua gestão e realmente muito envolvidos com a sua campanha.
Os demais protagonistas serão, além de Tarcísio, o atual vice-governador Felício Ramuth (MDB) e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública que mira o cargo de senador por São Paulo. Kassab descartou qualquer possibilidade de aproximação com o PT, que apresenta como candidato ao governo Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda.
Temer repreende Gilmar Mendes por respostas
O ex-presidente Michel Temer (MDB), outro convidado do fórum, repreendeu o ministro Gilmar Mendes, do STF, antes de se dirigir ao painel. Em conversa com jornalistas, ele considerou que o juiz “não deveria ter respondido” as provocações de Romeu Zema nas redes sociais, “porque, quanto mais ele responde, evidentemente mais argumentos ele dá para contestação”.
A origem do atrito é um vídeo publicado por Zema que retrata o ministro, assim como o colega Dias Toffoli, como um fantoche no contexto do caso Master. Mendes, então, solicitou a inclusão do político mineiro no inquérito das fake news, relatado por Alexandre de Moraes, e comparou a situação a algo ofensivo como “fazer bonecos do Zema como homossexual” — ele depois se retratou do exemplo usado, enquanto o rival dobrou a aposta nos conteúdos digitais.
Temer afirmou que o chamado ativismo judicial “não é bem um problema do Supremo Tribunal Federal”, alegando que a Constituição adotou uma extensa lista de assuntos que podem gerar ações e induzir a Corte a decidir sobre elas, no papel de guardião da Carta. Por outro lado, defendeu o diálogo como método para o STF superar a crise de imagem e avaliou que a radicalização do país “acaba atingindo todos os setores”, incluindo a cúpula do Judiciário.

