Apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Ygor Daniel Zago, conhecido como “Hulk”, foi libertado em Portugal nesta quarta-feira após o esgotamento do prazo de prisão preventiva. Ele estava detido no Estabelecimento Prisional de Monsanto enquanto aguardava a extradição para o Brasil, onde foi condenado a 29 anos de prisão.
Zago é acusado de associação criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. No Brasil, as investigações relacionadas ao nome dele envolvem suspeitas de tráfico de drogas e fraudes no setor de combustíveis.
O brasileiro havia sido preso em novembro de 2025 pela Polícia Judiciária de Portugal, em uma casa de luxo em Cascais. A libertação foi determinada pelo Tribunal da Relação de Lisboa, depois que se encerrou o prazo legal da prisão preventiva.
Segundo Marques Lobato, advogado de Ygor Daniel Zago, o caso teve início a partir de um alerta vermelho da Interpol.
— O que desencadeou o processo foi um alerta vermelho da Interpol e, em um primeiro momento, o cidadão é apresentado ao Tribunal da Relação, e o Tribunal da Relação entende, via de regra, aplicar ali uma detenção à ordem do processo de extradição, que não é, necessariamente, a prisão preventiva. Obedece a prazos próprios, prazos mais céleres, mais concentrados, haja vista que o cidadão não está respondendo tecnicamente a nenhum processo penal em território português — afirmou.
Pedido de asilo suspendeu extradição
O líder do PCC tentou impedir o pedido de extradição feito pelo Brasil, mas o Supremo Tribunal de Justiça de Portugal confirmou a decisão do Tribunal da Relação. Para permanecer no país, Zago solicitou asilo, pedido que foi recusado pela AIMA. A defesa recorreu ao tribunal administrativo, que ainda não se pronunciou.
Com o processo de asilo pendente, a legislação determina a suspensão da extradição. A regra, no entanto, não prevê a interrupção da contagem do prazo da prisão preventiva. Esse período terminou nesta quarta-feira, 20 dias após o trânsito em julgado do processo de extradição.
— O que acontece é que, enquanto não houver a decisão definitiva do processo de proteção internacional, a ordem de extradição fica suspensa. Então, em outras palavras, é o cidadão, a cidadã, exercendo o seu direito à ampla defesa, ao devido processo legal ou contraditório e utilizando os meios técnicos de que a defesa dispõe para exercer o seu amplo direito de defesa — explicou Marques Lobato.
Restrições após a libertação
Mesmo em liberdade, Ygor Daniel Zago terá de cumprir medidas impostas pela Justiça portuguesa. Ele está obrigado a entregar o passaporte brasileiro nas próximas 48 horas, não pode deixar Portugal e deverá se apresentar diariamente ao posto policial da área onde estiver residindo.
Conhecido pelo apelido de “Hulk”, Zago é apontado como uma das lideranças do PCC e responde no Brasil a investigações que envolvem crimes financeiros e organização criminosa.

